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Declaração | "Diante da fome expropriar fábricas de alimentos e supermercados sob controle operário", diz Marcello Pablito

Em meio às mobilizações contra Bolsonaro, o país também sofre alta em níveis de fome e uma crise hídrica causada pela alta nos desmatamentos na Amazônia e em outros biomas brasileiros. Sobre isso, conversamos com Marcelo Pablito, trabalhador da USP e dirigente do MRT para uma visão dos impactos na classe trabalhadora desses acontecimentos.

terça-feira 20 de julho | Edição do dia

Esquerda Diário: Boa tarde Pablito, poderia nos falar um pouco mais da situação que vive o Brasil hoje?

Marcello Pablito: Bem, todo mundo viu a cena que saiu em todos os jornais de famílias em Cuiabá enfrentando filas para pegar ossos em um açougue para poder o mínimo de alimentação, essa é uma cara da miséria capitalista. No Brasil de Bolsonaro, o consumo de carne é o menor em 12 anos, o salário não chega no fim do mês e uma peça de carne vem custando mais de 80 reais por quilo, enquanto isso o auxílio emergencial vem sendo cortado, enquanto aumenta o desemprego e baixam os salários. O Congresso teve a pachorra de dar um aumento bilionário para o fundo eleitoral enquanto aumentou miseravelmente o salário mínimo. O mesmo Congresso que tirou o direito de aposentadoria de milhões, aprovou a uberização do trabalho e vem vendendo empresas para os imperialistas que deveriam estar à serviço da população, como os Correios e a Eletrobras.

Esquerda Diário: Um absurdo mesmo Pablito, mas como isso se relaciona com a crise hídrica e ambiental?

Marcello Pablito: Parece que é uma ligação forçada mas não é, são as contradições desse sistema capitalista que nunca produziu tanta riqueza na história da humanidade mas também ao custo de tanta desigualdade. A fronteira agrícola no Brasil nunca avançou tanto no governo Bolsonaro - não que nos governos do PT tenha sido diferente, mas é um recorde de queimadas, avanço sobre terras indígenas e produção de commodities. As queimadas se refletem completamente no dia a dia da população, quem não lembra do anoitecer de céu preto de São Paulo em 2019, ou os anos de racionamento de água? Tais acontecimentos estão diretamente ligados aos interesses de lucro dos latifundiários. No momento atual, com o dólar alto e o preço das commodities no mercado internacional, os capitalistas preferem atender ao mercado externo do que suprir as necessidades da população a preços mais populares, isso lembrando que avançam com queimadas e mais.

Esquerda Diário: E como podemos reverter essa situação?

Marcello Pablito: A primeira coisa que temos que ver é que Bolsonaro, Lira e o Centrão tão unificados para defender os interesses desses latifundiários e capitalistas. E que ainda que a CPI da Covid ofereça uma voz opositora, o Senado é uma das casas que mais vota junto com Bolsonaro, está completamente ligada a garantir os interesses desses mesmos capitalistas, aprovando a venda dos Correios e Eletrobras. Não temos que ter confiança nesses setores para resolver a situação de fome e de falta d’água em várias regiões do país, e sim em nossa própria força. Em 2019 com a alta do preço do gás, os petroleiros em greve vendiam botijões de gás à preço de custo, existem inúmeros exemplos de solidariedade de classe como esse, por isso no dia 24J lutamos contra Bolsonaro, Mourão e todos os ataques, por uma greve geral para impor uma nova Constituinte, que possa discutir porquê somos o maior exportador de carne do mundo e temos o menor consumo de carne dos últimos 12 anos. Mas uma resposta de fundo, vejo que seria necessário colocar desde a distribuição até a produção de alimentos em função da grande maioria da população, expropriando as fábricas de alimentos e supermercados sob controle operário e instituindo o monopólio do comércio exterior, com o Estado tendo total controle sobre o que entra e sai de acordo com as necessidades da classe trabalhadora brasileira. Algo que vai se confrontar com os interesses de Lira, Bolsonaro, do agronegócio e dos capitalistas, para isso precisamos das nossas próprias forças nas ruas e na auto-organização em cada local de trabalho e de estudo. Por essa perspectiva lutamos no Movimento Revolucionário de Trabalhadores, impulsionando em cada local que estamos a auto-organização e a confiança nas nossas próprias forças.




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