Juventude

JUVENTUDE MRT

Desnudar a vida e transformar o mundo: primeira plenária da juventude do MRT

Nesse sábado (01), ocorreu na Casa Karl Marx em São Paulo a primeira plenária nacional da Juventude do MRT. Contando com estudantes de diversas universidades públicas e privadas, desde as três estaduais paulistas - USP, UNESP e Unicamp - a UERJ, UFRJ, UFMG, FSA, FAMA/UNIESP - ABC, PUC – Campinas e estudantes secundaristas.

quarta-feira 5 de agosto de 2015| Edição do dia

A mesa foi composta por mulheres e LGBT’s expressando uma série de reflexões profundas de como lutar por uma nova juventude que retome as experiências do Maio francês de 1968. Questionando todos os aspectos da vida, desde a miséria sexual da juventude, da retirada de direitos como saúde, transporte e educação, até o caráter da universidade que temos hoje, da sociedade e da vida imposta pelo capitalismo. Se discutiu durante todo o sábado, a necessidade de construir uma nova juventude que se coloque a altura de emergir com personalidade política frente a crise do PT, em combate ao governo e as burocracias estudantis, abrindo caminho para fortalecer a luta dos trabalhadores.

As ideias na linha de frente

Tatiane Lima, estudante da Unicamp e membro do Centro Acadêmico de Ciências Humanas iniciou a atividade discutindo um sentimento comum a toda a juventude: após as manifestações de Junho, de rechaço a casta política, aos partidos da ordem, e uma profunda crise de representatividade que se estende as entidades estudantis. Apontou que a contradição desse sentimento é expressa na profunda politização da juventude desde 2013 por um lado, mas por outro, fruto de anos sem processos de luta, há ainda uma dificuldade de ver com qual política se organizar, e por isso a importância das entidades estudantis serem instrumentos políticos e de ação.

Nesse mês de Agosto, há chamados para dois atos no país. O primeiro dia 16 pelo impeachment da Dilma convocado pela oposição burguesa com apoio de Aécio e o PSDB, e outro no dia 20 convocado pelas centrais sindicais e a UNE em defesa da democracia e do governo Dilma. A plenária discutiu que ambos os atos não correspondem aos anseios da juventude e dos trabalhadores. Votou fazer um chamado partindo dos lugares onde atuamos como o Centro Acadêmico de Ciências Humanas da Unicamp (CACH) a outras entidades de esquerda e ao conjunto dos estudantes para fazer visível uma alternativa independente da juventude que possa dialogar com o descontentamento com o governo Dilma que é agente de ataques a população, sem deixar que a direita tome esse espaço.

Outro debate central foi sobre como expandir a campanha contra a redução da maioridade e contra o projeto de Dilma-PSDB de aumentar as penas para até 10 anos contra a juventude e contra os cortes na educação. A partir do ato convocado como dia de luta contra os cortes e a redução da maioridade penal, dia 11 de Agosto, se discutiu a oportunidade para a esquerda fazer pesar sua política nesse dia, demonstrando claramente ser uma voz distinta do governo e das oposições burguesas. Acreditamos que o PSOL e PSTU, que dirigem o DCE da USP e outras entidades, podem se dar essa tarefa, e junto à outros setores de esquerda se fazer uma alternativa à juventude.

Para isso queremos debater com as correntes da esquerda, como o Juntos! – corrente do PSOL – que levanta a campanha “fora Cunha”, pois consideramos que acaba fazendo coro a campanha do governo do PT, que para desviar o seu desgaste tenta girar a opinião pública contra o “golpismo do Cunha”, para esconder que hoje a Dilma esta articulando os ajustes neoliberais. Parte de fazer emergir uma política independente da juventude e dos trabalhadores, é denunciar o regime de conjunto, já que foi antes de Junho que o PT abriu espaço para Cunha, Bolsonaro e a bancada conservadora se fortalecerem nacionalmente.

É com essa política que queremos preparar os jovens para quando estourar novos processos de luta massivas, já que com o desemprego na juventude, já atinge 16%. Os efeitos da crise, somado aos 13 bilhões cortados na Educação, principalmente projetos profissionalizantes para a juventude trabalhadora, como PORNATEC, jovens aprendiz, e mesmo o FIES, são motivos de sobra para uma reorganização do movimento estudantil.

Jessica Antunes, estudante de letras USP e militante do Pão e Rosas – disse “parte dessa preparação é criar uma nova tradição nas entidades estudantis, assim como fizemos no CACH, lutar por entidades democráticas, proporcionais, que superem o rotineirismo e corporativismo, e se coloquem a debater grandes ideias, disputar o projeto da universidade, seu conhecimento, sua estrutura e seu espaço, para que esteja a serviço dos trabalhadores e dos interesses dos setores oprimidos. Frente a crise essa é uma grande tarefa, pois trata-se também de disputar política na sociedade, para isso é fundamental varrer o governismo das Universidade. Hoje aqui na USP, o governismo dirige uma série de centros acadêmicos na paralisia, a FFLCH sempre foi uma referência nacional de esquerda, e é uma reflexão como retomá-la do governismo para fazer pesar a voz e a luta dos estudantes nacionalmente, discussão que queremos fazer dentro da esquerda, com PSOL e PSTU, principalmente frente aos congressos dos estudantes da USP e UNICAMP”.

Uma nova juventude para responder uma nova etapa

No mesmo sentido de fazer política revolucionária para emergir uma juventude nacional, que a juventude do MRT vem impulsionando o Esquerda Diário para que os estudantes nas mais diferentes universidades, o vejam como instrumento para irradiar suas ideias, expressar os problemas da vida cotidiana nas escolas e universidades públicas e privadas. E é com essa força que debatemos da juventude fortalecer a campanha para arrecadar milhares de assinaturas pela entrada do MRT no PSOL, pois é desde já que queremos fortalecer uma alternativa para a juventude que se desilude com o PT e que desde Junho busca uma alternativa politica para lutar contra as opressões e a miséria do capitalismo.

Toda essa reflexão conclui que Junho mudou tudo, nada mais passa em branco no país, e a juventude que tem na sua essência o espírito de liberdade, começa a ver que cada opressão que sente no dia a dia, seja no ônibus, na sua sexualidade, na sua cor, não são casos pessoais, mas sim uma totalidade de repressões que o capitalismo coloca para castrar os anseios de luta. A ambição política
de chegar a amplas camadas de jovens e trabalhadores e responder a essa nova situação, é também de construir uma força militante de centenas de jovens anti capitalistas e pró operários, Fernanda Montagner, estudante da Unicamp, disse “É preciso ter paixão, incendiar aos demais com uma juventude política e libertária! Tudo que discutimos até agora tem o objetivo da juventude emergir para responder os problemas políticos nacionais, lutarmos pelos interesses dos trabalhadores e da juventude, mas também queremos mudar a vida, nos inspirando em maio de 68 na França. Transformar em força militante essas idéias, construindo uma nova juventude que vai levar para a ação o combate as opressões as mulheres, negros e LGBTs”.

Virgínia Guitzel que é militante trans concluiu a abertura da mesa expressando que existe uma nova geração em todo o mundo que vem se levantando como na Espanha, na Grécia, no Chile. São os negros em Baltimore e Ferguson, são os LGBT no Brasil, as mulheres na campanha #niunamenos na Argentina que expressam o fim da ‘noite de 30 anos’. Por isso, hoje se faz mais necessário do que nunca refletir como organizar centenas e milhares de jovens para apoiar os trabalhadores e questionar todos os aspectos da vida. “Não podemos permitir que tenhamos um Syriza ou um Podemos no Brasil que só servirá para iludir os trabalhadores e os jovens que buscam uma resposta aos ajustes e as nossas liberdades. Por isso, vamos construir o encontro chamado pelo Pão e Rosas de Mulheres e LGBT para organizar nossa luta contra a opressão e que parte deste processo é já construir uma nova juventude nos apoiando no combate que sempre demos as opressões, mas que combinada a batalha para ser uma corrente revolucionária dentro do PSOL, busca responder as grandes crises nacionais. Queremos a libertação sexual e identitária, confiamos na força de nossas ideias e sabemos que elas são possíveis e necessárias para a realidade”.




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