Sociedade

MANCHAS DE ÓLEO NO NORDESTE

Descaso ambiental, ministro Salles acionou plano de contingência no NE 41 dias após desastre

Enquanto a população da região do litoral do NE vem combatendo por iniciativa própria as manchas de óleo nas praias, o governo demorou mais de 40 dias para acionar qualquer plano de combate ao evidente desastre ambiental.

terça-feira 22 de outubro| Edição do dia

O Plano Nacional de Contingência do governo federal, um documento criado em 2013 para lidar com situações de emergência como a do vazamento de petróleo que suja todo o Nordeste brasileiro, só foi oficialmente acionado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no dia 11 de outubro, 41 dias depois de terem surgido as primeiras manchas de petróleo no litoral.

Naquela data, o ofício circular assinado por Salles e enviado à Casa Civil da Presidência da República, tratava, na realidade, de apenas designar a Marinha do Brasil como "coordenadora operacional" das ações, para prosseguimento no combate às manchas de óleo.

Enquanto o governo Bolsonaro estava preocupado em "faturar" com o desastre ambiental, responsabilizando a Venezuela pelo óleo encontrado, as manchas de petróleo avançaram em diversas praias. Sendo que posteriormente, barris de petróleo com identificações da Shell, que podem ter sido reutilizados, também foram encontrados em praias da região.

Cópias do ofício foram encaminhadas a 12 ministros e ao Ibama, ICMBio e à Agência Nacional do Petróleo. Na prática, tratou-se de um ato formal do governo, uma vez que a Marinha já vinha atuando nas operações. O que membros do governo e especialistas no setor de meio ambiente apontam, no entanto, é que trata-se de mais uma evidência de que, na realidade, o próprio governo desconhecia que havia um plano de contingência para lidar com esse tipo específico de situação.

Coube a população local enfrentar de forma voluntária o enorme desastre ambiental. Vídeos de pescadores usando redes para conter o óleo ou de voluntários nas praias retirando imensas porções de óleo ganharam as redes.

O Ministério nega que tenha havido lentidão nas respostas à tragédia e que, desde o começo, todos os órgãos já estariam em ação, independentemente de o plano ter sido ou não acionado logo de início. Segundo o MMA, desde 2 de setembro houve ação do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), integrado pela Marinha, pelo Ibama e pela ANP.

O governo federal já tinha, inclusive, acabado, em abril, com o comitê que daria os passos concretos das ações desse plano, como mais uma mostra do descaso e negligência desse governo pela questão ambiental.

Com informações da Agência Estado.




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