Sociedade

EPIDEMIA DE DENGUE

Dengue: a epidemia explode, atinge uma em cada quatro cidades, mas o trabalhador tem que pagar se quiser ter o diagnóstico rápido

É muito mais que o problema de um mosquito. É um problema político.

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 8 de maio de 2015| Edição do dia

O avanço acelerado do vírus da dengue no país alcançou novo patamar: neste momento uma em cada quatro cidades do país sofre epidemia de dengue, isto é, padece mais de 300 casos notificados para cada 100 mil habitantes. Dos 5,5 mil municípios, temos 1,39 mil com dengue epidêmica. Um absurdo. Cada um dos 26 estados brasileiros tem mais de uma cidade com epidemia (somente o DF fica de fora, embora amargando altos níveis de dengue e tendo sua rede pública em estado de calamidade; ver Mortes por falta de UTIs no DF)

A própria cidade de São Paulo pela primeira vez entra no mapa como epidemia e é o pior estado em termos de número de cidades atingidas: 82% dos municípios amargam a doença. E observe-se que são dados sub-faturados (subestimam o número de casos) do ministério da Saúde. Grande parte das pessoas atingidas por febre alta, dores no corpo, dor no fundo do olho (sintomas prováveis da dengue) não vão à rede pública, já sabem por experiência própria que ela está com longas filas de espera e o sistema gravemente degradado.

Para piorar a situação, temos agora a novidade: a população vitimada está tendo que pagar pelo exame rápido para diagnóstico da dengue. A rede pública não oferece este exame, que diagnostica a doença logo no primeiro dia. Só oferece, mesmo assim com fila, em más condições de atendimento, o exame que demora ao menos 6 dias para dar o resultado. O que é um grande problema já que mais rápido diagnóstico permite conduzir o caso corretamente e prontamente.

Por conta disso, a família trabalhadora, em aflição, corre atrás do plano de saúde (quando tem). Quando chega lá, eles cobram, por exemplo, 143 reais (Fleury) ou, no Sírio-Libanês, por exemplo, 285 reais. A entidade nacional dos planos de saúde justifica essa política claramente discriminatória e criminosa praticada pelas Unimeds da vida. Em outras palavras: a família trabalhadora não tem condições de saneamento e de vida que a protejam do mosquito e quando adoece tem que pagar pelo exame...

Ou seja, ao martírio do vírus transmitido pelo mosquito se soma agora ter que pagar por um exame que a rede pública se recusa a oferecer e que poderia salvar vidas.

Corta de verba para o FIES (bolsa estudantil), corta de verba na saúde, quebra de direitos trabalhistas, ofensiva para precarizar (terceirizar) a força de trabalho, eis a política neoliberal de um governo dito “dos trabalhadores”. É muito mais que o problema de um mosquito. É um problema político.

O mosquito já existia antes, o grave problema da dengue a cada ano e que já matou centenas de brasileiros nestes meses vem da deterioração da qualidade de vida dos pobres urbanos e rurais. Temos falta de saneamento básico, falta de moradia, falta de coleta de lixo, de água e rede de água, agora com a destruição do sistema hídrico de São Paulo pelo governo Alckmin e cia. E como pano de fundo, o desmatamento das nascentes e degradação ambiental, gerando verões cada vez mais quentes, ótimos para o mosquito e obrigando a população a ter que armazenar sua água.




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