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CARNAVAL 2020

De Bozonaro a Marielle: 1º dia de carnaval traz críticas ao governo e exaltação de heróis negros

sábado 22 de fevereiro| Edição do dia

Apenas no primeiro dia da maior festa popular brasileira, o Carnaval, já despontaram diversos elementos de politização. Tanto no Rio quanto em São Paulo ontem as escolas de samba trouxeram enredos homenageando personagens nacionais símbolos da luta e resistência, como a Barroca Zona Sul que homenageou Tereza de Benguela e a Tom Maior com o enredo "É coisa de preto", além de críticas ao atual governo e seu reacionarismo, satirizando seus personagens tragicômicos como Bolsonaro, Damares e Paulo Guedes.

A Acadêmicos de Vigário Geral abriu o desfile da Série A carioca, divisão de acesso do Carnaval do Rio, com uma alegoria que retrata o palhaço Bozo com a faixa presidencial e fazendo o gesto de “arminha” com as mãos. Com o enredo O Conto do Vigário, dos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles, Marcus do Val e Rodrigo Almeida, a escola de samba da zona norte do Rio contou a história do Brasil pontuada por mentiras contadas pelos políticos.

Já no Sambódromo em São Paulo, no desfile do Grupo Especial, a atual campeã, Mancha Verde, que desfilou na madrugada deste sábado (22), fez críticas diretas a Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e Paulo Guedes, ministro da Economia.

A escola paulistana levou à avenida uma ala inteira em referência à famosa frase de Damares de que “meninos vestem azul, meninas vestem rosa”. Uma fantasia em um carro alegórico também chamou a atenção do público: uma empregada doméstica usando orelhas do Mickey com um enorme passaporte na mão, em referência à recente declaração de Guedes de que, quando o dólar estava mais baixo, “empregada doméstica estava indo pra Disney, uma festa danada”.

Responsável por abrir os desfiles, a Barroca Zona Sul levou à avenida o enredo “Benguela...a Barroca clama a ti, Tereza”, que homenageou Tereza de Benguela. Líder do Quilombo do Quariterê, ela desafiou a Coroa e o sistema escravocrata português por mais de 20 anos, comandando a maior comunidade de libertação de negros e indígenas da capitania de Mato Grosso.

Em seguida, a Tom Maior exaltou grandes heróis negros da história brasileira cantando o enredo “É coisa de preto”, que propõe uma reflexão sobre a expressão racista. Pelas alas da escola, homenagens e referências aos artistas Ruth de Souza, Mano Brown, Grande Otelo, Madame Satã e Mussum e a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, que teve um carro alegórico em sua homenagem, mostrando que as ideias da parlamentar nunca foram silenciadas.




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