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Dallagnol exigiu R$ 30 mil e estadia em hotel de luxo para palestra “contra a corrupção”

Em 2017, o procurador-chefe da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, cobrou R$ 30 mil por palestra sobre o “combate à corrupção” e exigiu estadia em hotel no parque aquático Beach Park para toda a família.

quarta-feira 17 de julho| Edição do dia

Foto: Folha de São Paulo.

Novas mensagens divulgadas pela Folha de São Paulo, em parceria com o The Intercept Brasil, mostram um pouco mais da ganância dos membros da Lava Jato. Comprovam novamente o que já se sabia: longe de estarem norteados pela imparcialidade, ética e “combate à corrupção”, os procuradores e juízes da Lava Jato perseguiam politicamente seus adversários e buscavam vantagens pessoais para acumular poder e dinheiro.

De acordo com as novas mensagens oferecidas pelo The Intercept Brasil, Deltan Dallagnol conversou com a sua esposa sobre a reserva no hotel como condição para um palestra na Fiec (Federação das Indústrias do Ceará). Depois de um mês, em nova troca de mensagens, Dallagnol disse para Sergio Moro que recebeu cachê de R$ 30 mil reais para poder realizar a palestra e que “as crianças adoraram” o passeio.

O procurador também comenta com Moro que estava escapando de qualquer embargo contra suas palestras, tendo a conivência de instância regualdoras do poder judiciário: “Não sei se você viu, mas as duas corregedorias – [do] MPF [Ministério Público Federal] e [do] CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público]– arquivaram os questionamentos sobre minhas palestras dizendo que são plenamente regulares”.

Sobre as mensagens vazada pelo The Intercept Brasil

Como já afirmamos no Esquerda Diário sobre os vazamentos de mensagens divulgados pelo The Intercept Brasil, não podemos deixar de questionar o por quê, tanto o The Intercept, quanto a Veja e a Folha de São Paulo, que se incorporaram às publicações, divulgam as informações “a conta-gotas” e não tornam público todo o acervo que pode influenciar os rumos do país.

Nenhum dos três veículos de mídia foram críticos à Lava Jato durante o papel manipulador que cumpriu por 3 anos. Ao contrário, a Veja foi uma das maiores entusiastas da Lava Jato e do impeachment de Dilma; Glenn Greenwald já afirmou em entrevistas públicas mais de uma vez que admira os intentos que Lava Jato e os procuradores têm de “transformar o Brasil” e, mesmo que vendo alguns problemas nas atuações dos juízes, ainda legitimam essa nefasta operação que muito longe de tentar combater a corrupção (que é intrínseca ao capitalismo) serviu para transformar o regime e a correlação de força entre as classes no Brasil.

Esse foi o papel da operação, com o desgaste da Petrobras, rebaixando seu impacto no mercado para torná-la ainda mais atrativa ao capital estrangeiro, encarecendo preços dos combustíveis e privatizando imensas regiões do pré-sal; e com a prisão arbitrária de Lula e a manipulação das eleições que, ainda que não tivessem como objetivo primordial eleger Bolsonaro, acabaram escolhendo-o como “filho indesejado” da Lava Jato, que é quem avança hoje para levar até o fim o projeto do golpe: impor ajustes e reformas para que trabalhemos até morrer, em condições precárias, para garantir a ânsia de lucro dos capitalistas.

O caminho para enfrentar o projeto do golpe e expor até o fim as barbáries deste judiciário golpista encontra-se na força da juventude e da classe trabalhadora organizadas, e os vazamentos deveriam estar a serviço de fortalecer a luta contra a Reforma da Previdência, contra os ataques à educação e o todo o pacote de ataques que Bolsonaro quer impor, ou seja, contra o projeto do golpismo institucional no Brasil.

Por fora desses objetivos e dessa perspectiva para derrotar Bolsonaro e a continuidade do golpe institucional, os vazamentos não passam de distração e disputas de poder entre os de cima. Não serão os vazamentos seletivos e a “conta-gotas” ou as medidas que se limitam ao nefasto jogo institucional (como permitir que seja o mesmo Judiciário que julgue a veracidade das mensagens, ou a Polícia Federal) que irão derrubar o governo Bolsonaro e seus ataques.




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