Sociedade

PESQUISA POR AMOSTRA DE DOMICÍLIOS

Dados de 2014 revelaram aumento no trabalho infantil no país

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, para o ano de 2014, mostra um perfil da população e dos lares brasileiros, e revela os números do atraso no país: baixa escolaridade, trabalho infantil e debilidades no acesso à serviços básicos, como rede de esgoto.

sábado 14 de novembro de 2015| Edição do dia

Crescimento e envelhecimento da população

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o Brasil tinha 203,2 milhões de residentes no ano passado, o que significou um crescimento populacional de 0,9% em relação a 2013, ou 1,7 milhão de pessoas.

A pesquisa mostrou ainda, aumento dos brasileiros com 60 anos ou mais em comparação com 2004, que corresponde a 13,7% dos brasileiros - em 2004, o índice era de 9,7%. A participação do grupo etário até 24 anos foi de 38%, 0,8 ponto porcentual a menos do que em 2013. Os dados foram coletados no mês de setembro.

Negros e pardos são maioria

Mulheres representam 51,6% da população; pretos e pardos são 53,6% (de acordo com autodeclaração de cor/raça).

Acesso à rede de esgoto

De acordo com os dados da Pnad, dos 67 milhões domicílios brasileiros, 63,5% contam com rede de coleta de esgoto. A proporção quase não aumentou de 2013 para 2014 (era 63,4%). A conexão à rede de abastecimento de água foi verificada em 85,4% das residências.

Já a coleta de lixo chega a 89,8% dos lares e a iluminação elétrica, a 99,7%. A cobertura de todos os serviços foi ampliada no período.

Do total de domicílios, 73,7% eram próprios. A pesquisa revelou uma queda em 2014 de 0,6 ponto porcentual nesse tipo de imóvel e também um acréscimo na mesma proporção no número de domicílios alugados.

Trabalho infantil

Em 2013, havia 3,188 milhões de crianças e adolescentes na faixa de 5 a 17 anos de idade trabalhando, e o contingente subiu para 3,331 milhões em 2014. A pesquisa mostra que a exploração da mão de obra infantil no país cresceu 4,5% em 2014, em comparação com o ano anterior. Dois terços deste total, são meninos.

Na faixa dos 5 a 13 anos de idade, em que não pode, por lei, haver trabalho, foi registrada a maior expansão: 15,5% para a faixa etária dos 5 aos 9 anos e 8,5%, dos 10 aos 13 anos. O aumento do trabalho entre adolescentes de 14 e 15 anos de idade aumentou 5,6%.

Os dados mostraram crescimento do trabalho infantil nas regiões do Norte e Nordeste do país, nas quais esta taxa subiu, para 27,5% e 22,4%, respectivamente em relação ao total de pessoas com trabalho nas idades de 5 a 17 anos. Dos 3,3 milhões de pessoas ocupadas no grupo de 5 a 17 anos, 16,6% significavam pessoas na situação de trabalho infantil em todo o país.

Analfabetismo

As taxas de analfabetismo e de analfabetismo funcional (proporção de pessoas acima de 15 anos com menos de quatro anos de estudo) seguem em queda no País, mas ainda é alta entre idosos: quase um quarto da população brasileira com mais de 60 anos não sabe nem ler nem escrever, revelou a pesquisa anual do IBGE.

De 2013 para 2014, a taxa de analfabetismo desceu de 8,5% para 8,3%, ou 13,2 milhões de pessoas. A de analfabetismo funcional caiu de 18,1% para 17,6% - a série histórica do IBGE mostra que, em 2001, o patamar de analfabetismo funcional era de 12,4%. Entre os idosos, a primeira passou de 24,3% para 23,1%.

O número médio de anos de estudo dos brasileiros com dez anos ou mais passou, de 2004 a 2014, de 6,5 para 7,7. No Sudeste, chega a 8,4; no Nordeste, é de 6,6. Mulheres vão mais à escola - a média é de 8 anos, contra 7,5 dos homens - e têm proporção menor de analfabetos (7,9%, ante 8,6% dos homens).

Em relação ao nível de instrução dos adultos, não houve mudança significativa de 2013 para 2014: 43,7% da população de 25 anos ou mais têm fundamental incompleto ou menos de um ano de estudo.

Pré-escola

Um ano depois de sancionada a lei que antecipou a entrada das crianças na escola dos 6 para os 4 anos, cresceu a taxa de escolarização nessa faixa etária: o índice era de 81,4% em 2013 e passou a 82,7% em 2014, conforme a Pnad. Em 2007, o taxa era de 70%, o que significa que o crescimento foi de 18%.

Há diferenças regionais: no Norte, o índice é de 70%; no Nordeste, 87,7%. Os dados podem estar ligados à maior inserção da mulher no mercado de trabalho - como não pode mais ficar com os filhos em casa, ela busca creches e pré-escolas.

Das crianças entre 6 e 14 anos, 98,5% vão à escola no Brasil. Em todas as idades, a proporção das que frequentam escola pública é de 75,7%. Quando se chega à universidade, o índice cai para 24,6%. No Sudeste, esse patamar é de 19,8%. Os números só não revelam o déficit de creches do país que inclusive tem se agravado com os últimos cortes do governo Dilma na educação básica, veja mais aqui.

Quase 80% da população possui celular no Brasil

A Pnad do IBGE revelou também que mais da metade da população brasileira usa a internet. De 2013 a 2014, houve crescimento de 11,4% no total de pessoas conectadas: a proporção passou de 49,4% para 54,4%, ou 9,8 milhões de usuários a mais.

São pessoas que estão acessando a partir de telefones celulares, cujo número cresceu 4,9% no período. O IBGE estima que 136,6 milhões de brasileiros de dez anos ou mais tenham um celular nas mãos, o que significa 77,9% da população, ante 75,2% em 2013.

Em 56,3% de domicílios, o telefone fixo foi desligado e o celular já é o único telefone disponível, um aumento de 2,3 pontos porcentuais em relação ao ano anterior. Isso se verificou notadamente no Norte e no Nordeste. Em todo o País, só 2,4% das residências contam apenas com o fixo; em 2013, eram 2,7%.

O microcomputador, seja desktop ou notebook, também está menos presente nos domicílios, na esteira da popularização dos smartphones. Em 2013, estava em 48,9% das residências; em 2014, em 48,5%.

Acesso à eletrodomésticos

De acordo com a Pnad do IBGE, fogão, geladeira e televisão estão em quase a totalidade dos lares brasileiros - em 98,8%, 97,6% e 97,1%, respectivamente, do total de domicílios. Já a máquina de lavar roupa é o eletrodoméstico que apresentou crescimento de 5,1% no número de domicílios que possuem o equipamento de 2013 para 2014: 39,3 milhões de domicílios, ou 58,7% do total, possuem uma.

A Pnad 2014 mostrou que os domicílios brasileiros têm menos freezers, aparelhos de rádio e de DVD do que no passado. Já carros e motocicletas foram mais encontrados nas residências do que em 2013: o número absoluto dos imóveis com ao menos um automóvel cresceu 6,7%, com maior aumento no Norte e no Nordeste. As motocicletas tiveram crescimento semelhante, de 6,4%. A proporção de domicílios com carro é de 45,3%; com moto é de 21,2%.


Análise

Os dados da PNAD do IBGE revelam um perfil, pela perspectiva do governo, da população brasileira em 2014, porém, os dados não escondem, que estruturalmente a vida dos trabalhadores, apesar do aumento do acesso a bens de consumo (eletrodomésticos e celulares) na última década com o aumento do crédito e do salário mínimo, continua a ter a marcas de um país economicamente dependente do capital estrangeiro e atrasado, a "década petista" não foi capaz de dar conta da questões estruturais do país, como a universalização do acesso a serviços básicos de rede de esgoto, o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade para todas as idades, além de erradicar o trabalho infantil, especialmente nas regiões do norte e nordeste do país.

Os dados também mostraram um Brasil de maioria negra e também cada vez mais velho, e com mais jovens e idosos, o que coloca em questão a luta pelo direito a aposentadoria, o acesso à saúde pública de qualidade e o direito ao emprego e ao ensino superior para os jovens, são todas questões que estão sendo colocadas sob ataques pelos governos, sejam do PT ou PSDB, em nome do ajuste fiscal que está golpeando direitos dos trabalhadores e reduzindo na carne os gastos sociais, que já são baixos, frente às necessidades da população.

Agência Estado/Esquerda Diário




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