Internacional

CÚPULA DO MERCOSUL

Cúpula do Mercosul: entreguismo e dependência

A cúpula foi realizada neste dia 17 de junho na cidade argentina de Santa Fé. O bloco respaldou unanimemente o acordo UE-Mercosul e existiram desacordos sobre a Venezuela.

quinta-feira 18 de julho| Edição do dia

Nesta quarta-feira, 17 de julho, foi realizada a 54ª Cúpula dos chefes de Estado do Mercosul em Santa Fé. Participaram Mauricio Macri pela Argentina, Jair Bolsonaro pelo Brasil, Abdo Benítez pelo Paraguay e Tabaré Vázquez pelo Uruguay. Evo Morales da Bolivia participou como membro associado e Sebastián Piñera de Chile como membro observador. A reunião girou ao redor do recentemente assinado acordo entre o Mercosul e a UE, festejado por todos os países-membros. Não existiu concordância na declaração sobre a Venezuela.

Mauricio Macri encabeçou a cúpula e destacou em seu discurso que “O acordo com a UE é fruto de um trabalho coletivo, no qual demonstramos vocação e compromisso do mais alto nível, e devemos sentir orgulho de ter buscado este objetivo com perseverança. Isso vai impactar positivamente na qualidade de vida das pessoas”. Jair Bolsonaro, que assumiu a presidência temporária do bloco afirmou “Daremos continuidade, prosseguiremos nas negociações de acordos externos e negociações de reduções tarifárias”. Ambos mandatários se referiram também à aproximação com a Aliança do Pacífico, integrada pelo Chile, Peru, Colômbia e México. Ademais, impulsionaram a busca de acordos com outros blocos como o EFTA, Canadá, Corea do Sul ou Singapura.

As glórias cantadas ao acordo Mercosul-UE são parte do programa de governo dos principais países da região, que buscam a subordinação completa ao capital estrangeiro. O acordo, quando entre em vigor, beneficiará desmedidamente o bloco imperialista e aprofundará a dependência econômica dos países do Mercosul. A assinatura do acordo é a forma que encontrou a UE, com Alemanha à frente, de ganhar algum terreno na América Latina, no marco das disputas entre os Estados Unidos e a China na região.

Ademais, os presidentes relembraram o atentado à entidade mutualista judia AMIA e firmaram acordos que visam promover e proteger as línguas indígenas da região.

Mas foi até aí que chegaram as concordâncias. Na hora de assinar o documento em comum, Uruguai se negou a assinar uma declaração contra o regime de Maduro e a ameaça de ruptura com o bloco fez com que tanto Maduro quanto Bolsonaro moderassem sua mensagem. O documento, que teria sido uma defesa cerrada do autoproclamado presidente e a tentativa de golpe de estado orquestrada pelos Estados Unidos, finalmente ressalta a “importância de trabalhar pela consolidação de uma região politicamente estável, próspera e integrada, baseada nos ideais da democracia e defesa dos direitos humanos”. Parece inacreditável que Bolsonaro, que chegou à presidência em eleições fraudulentas e manipuladas, que foram a continuidade do golpe institucional contra Dilma Roussef, fale de democracia. O que Macri, que colocou em dúvida o número de desaparecidos da última ditadura militar, fale de direitos humanos. Ambos presidentes foram a ponta de lança do reconhecimento de Guaidó e da tentativa de golpe contra a Venezuela. Isso não é mais que outra mostra da profundidade da subordinação de Macri e Bolsonaro ao imperialismo ianque e europeu.




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