Juventude

DESEMPREGO JUVENTUDE

Cresce o desemprego entre os jovens: como novos ataques de Temer pioram essa situação?

Os altos índices de desemprego na juventude se tornam ainda mais alarmantes quando combinados a série de ataques que o governo golpista vem tentando implementar. A juventude que vem se levantando no Brasil e no mundo pode dar uma resposta de fundo a crise capitalista?

Odete Cristina

estudante de ciências sociais na USP

quarta-feira 8 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Uma pesquisa do IBGE divulgada no final do ano passado mostrou que a taxa desemprego no país bateu recorde, chegando ao maior percentual já contabilizado, 25,7% dos jovens brasileiros estão sem emprego. As regiões brasileiras com maior taxa de desocupação registrada são o Nordeste (29,5%), seguido pelo Sudeste (27,4%) e o Norte (25,2%). A taxa de desemprego total no país chega a 11,9%, que equivale a 12,3 milhões de brasileiros. Somente em 2016, 1,9 milhões de pessoas perderam seu emprego.

Os jovens foram os mais castigados com a crise econômica. De 2012 para cá, o nível de desemprego nessa faixa etária foi o que mais aumentou. Naquele ano, quando teve início a Pnad trimestral, o percentual de brasileiros de 18 a 24 anos ocupados era de 57,9%. Agora, é de 50,5%. No grupo de 25 a 39 anos, a queda foi menos intensa: de 74,2% para 72,8%.

Mas afinal, como o aprofundamento dos ataques de Temer só pioram a situação dos jovens?

Em muitos jornais e mídias burguesas vem sendo construída uma operação demagógica buscando justificar a necessidade que o governo adote medidas duras contra a população – desde as altas das taxas de juros, cortes de direitos, privatização de patrimônio público, demissão de funcionários públicos até a PEC do teto dos gastos públicos, as reformas na previdência e trabalhista – como se esse método fosse a forma mais eficaz de combater os efeitos da crise e do desemprego.

Enquanto desfruta das regalias do poder o governo golpista de Temer vem sendo responsável pelo maior índice da série histórica de desemprego que só tende a se aprofundar com a agenda de ataques e retiradas de direitos que ele pretende aprovar no próximo período.

A reforma da previdência pretende estabelecer que para se aposentar recebendo o benefício integral ao atingir a idade mínima proposta pelo governo de 65 anos, o trabalhador precisaria contribuir desde os 16 anos de idade, sem interrupção. Mas como conseguir isso se hoje ¼ dos jovens estão sem emprego? O congelamento por 20 anos, dos investimentos em necessidades básicas da população, como saúde e educação, os cortes na educação, a reforma do ensino médio, e o aumento da repressão – expresso tanto na crise carcerária e tentativa de criminalização dos movimentos sociais, como na nomeação de Alexandre de Moraes para ministro do STF – constituem a principal arma do governo golpista de Temer para tentar calar a voz da juventude que vem se levantando em todo país desde junho de 2013.

A reforma trabalhista: um capitulo a parte na lista de ataques do governo golpista

A reforma trabalhista, visa permitir a contratação do trabalhador por hora e por produtividade, sem os direitos da CLT, a realização de contratos temporários de 180 dias; e tornar mais baratas as demissões, reduzindo a multa do FGTS, que já começou a ser atacado no governo de Dilma Rousseff. O grande número de desempregados se tornam um argumento a mais na justificativa de tamanha precarização dos direitos trabalhistas, é aqui que a burguesia tenta impor que os trabalhadores, principalmente os jovens que nunca conseguiram um emprego, aceitem condições extremamente precárias de trabalho para conseguir sobreviver em um sistema tão irracional como o capitalismo.

O contrato por horas de trabalho permite que os patrões façam dos trabalhadores o que bem entender, sem garantias de que ao fim do mês conseguirá receber um salário que pague suas contas, o trabalhador se vê obrigado a aceitar as condições impostas pelo patrão e trabalhar por muito mais tempo, ganhando muito menos, chegando ao absurdo de 12 horas semanais. Esse processo de “uberização” do trabalho se torna ainda mais absurdo quando pensamos que o tempo para conseguir o seguro desemprego também aumentou.

Todas essas medidas afetam diretamente o futuro dos jovens que hoje sofrem com o desemprego, mas também aqueles que são obrigados a aceitar empregos extremamente precários, seja no telemarketing ou nas grandes redes fast foods. Mas o exemplo de luta e resistência vem da juventude francesa que ano passado saiu às ruas contra a reforma trabalhista de Hollande, e que posteriormente se uniu com os grandes batalhões da classe operária desse país. Essa luta ainda que não conseguiu barrar de conjunto os ataques da reforma trabalhista, abriu uma nova etapa na luta de classe da França, impactando o conjunto do proletariado e da juventude europeias.

Organizar a nossa luta em defesa do nosso futuro

Junho de 2013 abriu uma nova etapa na luta de classes do país, a juventude saiu às ruas demonstrando sua indignação com o regime e os partidos da ordem, abrindo espaço para o maior ascenso operário dos últimos anos. No fim de 2015, foi a vez dos secundarista de São Paulo sacudir o país ocupando suas escolas contra a reorganização escolar e impondo uma derrota ao governador tucano Geraldo Alckmin. O avanço do golpe institucional fez com que essa nova geração de jovens também não se calasse diante dos discursos machistas, racistas, LGBTfóbicos e reacionários vindos da direita, que se viu fortalecida pelas políticas conciliatórias que o PT vinha implementando. Assim que o golpista Temer anunciou a sua PEC do Fim do Mundo e a reforma do ensino médio, mais de 1000 escolas e universidades foram ocupadas em todo país. A falta de uma coordenação e articulação nacional das lutas em curso fez com que o movimento fosse se desgastando pelo isolamento das ocupações e repressão do governo. Que combinadas a política de resistência sem incendiar o país imposta pelas direções das grandes entidades estudantis, como UNE e Ubes acabaram levando a que esse fortíssimo movimento não conseguisse a força necessária para barrar esse grande ataque.

Todo esse processo deixou claro que indignação e revolta com esse sistema só tende aumentar entre os jovens brasileiros. Como diria Marx, a juventude é a caixa de ressonância da classe trabalhadora, e se hoje são os jovens aqueles que vem protagonizando as maiores resistências, amanhã será a vez da classe trabalhadora entrar em cena, para que juntos possamos dar uma resposta de fundo a crise capitalista. A juventude pode tomar às ruas num novo junho contra Temer se aliando aos trabalhadores para vencer, combatendo o desemprego e todas as políticas de ataques da direita, sendo parte do grande movimento de juventude em todo o mundo, como os milhares que se colocaram contra Trump, a juventude francesa que sacudiu o país, as milhares de mulheres que gritaram por nenhuma a menos na América Latina, os jovens negros que lutaram contra a violência policial nos EUA e a luta dos sul-africanos contra o racismo. Batalhando pela construção de uma alternativa radical contra esse sistema capitalista, que a cada dia dá provas de como não merece mais existir. É desde essa perspectiva que nós da Faísca – Anticapitalista e Revolucionária nos propomos a discutir com cada jovem que se levanta em todo país sobre como podemos construir uma alternativa que vá muito além da miséria do possível que os capitalistas querem nos impor.




Tópicos relacionados

Educação   /    Desemprego   /    Juventude

Comentários

Comentar