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Cresce em 72% a inadimplência nas faculdades privadas: anistia das dívidas e estatização já

Taxa de inadimplência tem aumento de 72% nas universidades privadas, uma demonstração de que são os estudantes pobres os mais atingidos pela precarização do trabalho durante a pandemia, levando a uma restrição ainda maior ao acesso ao ensino superior.

terça-feira 26 de maio| Edição do dia

Neste momento da agravamento da Pandemia, que aprofunda a crise econômica que já vinha em curso, taxas de inadimplência e evasão nas universidade privadas cresce significativamente, fruto da precarização do trabalho e das demissões em massa que atingem os estudantes de baixa renda.

Segundo dados divulgados pelo Semesp, órgão que representa instituições privadas de ensino superior, com a Covid-19, a taxa de atraso de pagamento da mensalidade das instituições privadas aumentou em 72% em relação à taxa do mesmo mês, de abril, do ano passado, indo de 15,3% para 26,3%. Esse aumento da taxa de inadimplência expressa como a pandemia atinge os setores mais precarizados na classe trabalhadora, que vêm sendo demitidos durante a crise e não têm condições de bancar o ensino privado, ao mesmo tempo em que querem continuar estudando.

Esse ataque aos estudantes mais pobres é cada vez mais aprofundado pelos discursos de Weintraub que já disse que "O Enem não foi feito para corrigir injustiças" e tentou até o último minuto manter o calendário do ENEM em meio a Pandemia, se apoiando nos cursinhos e escolas particulares que seguem preparando jovens para os vestibulares, enquanto a maioria dos jovens, que estão no ensino particular, não tem sequer condições de acompanhar as aulas à distância.

O EaD expressa, mais do que nunca, a precarização do ensino superior e a busca por privatizar o ensino público. A forma de ensino à distância já vinha ganhando força nos últimos anos, atingindo uma porcentagem de 40% das matrículas em ensino superior em 2018. Com a qualidade de ensino claramente diminuída, esse método atinge principalmente as classes mais baixas, uma vez que apresenta um valor inferior do que o de cursos presenciais.

Com a pandemia, no entanto, os cursos presenciais também foram convertidos para o sistema em EaD. Os dados apresentados pelo Semesp expressam como os alunos das universidades privadas veem sentido as consequências da crise em suas costas. Com alunos de baixa renda, que ficam por fora das universidades públicas devido ao filtro social - elitista, racista e meritocrático - que é o vestibular, e que agora são atingidos duramente pelo desemprego e descaso de Bolsonaro e governadores para com a classe trabalhadora, a inadimplência cresce de forma brutal.

Essas universidades, ao invés de atenderem as necessidades sociais agravantes no momento, produzindo máscaras, álcool em gel e aparelhos de respiração, os grandes monopólios privados da educação escancaram sua sede de lucro avançando com o ensino a distância. Essa medida já vinha sendo imposta por Bolsonaro pra rebaixar os salários dos professores e aprendizagem dos alunos.

A taxa de evasão expressa essa crise da mesma forma: aumento de 47% em relação ao mês de abril de 2019. Entretanto, a diferença significativa entre o aumento da inadimplência e o aumento da taxa de evasão demonstra que os estudantes querem e precisam continuar estudando, mas não têm condições para isso.

Segundo o diretor executivo da Semesp, Rodrigo Campelato, se o crescimento da inadimplência continuar nos próximos meses, 21% das universidades privadas não vão conseguir pagar a folha de pagamento em julho. Um dado curioso, uma vez que já em 2015, a antiga Kroton lucrava 455 milhões em apenas três meses daquele ano. Esses dados evidenciam como a educação não pode mais ser tida como mercadoria e ser exclusiva às classes mais altas.

Empresas como a Uber, Embraer, Madero, Alicerce (de Luciano Hulk), entre muitas outras, anunciaram demissões em massa nas últimas semanas, é mais do que urgente a proibição de demissões. Além disso, os dados sobre a inadimplência nas universidades privadas escancaram a decadência do sistema de ensino brasileiro, que vem sendo ministrado e aprofundado com Weintraub. Programas como Fies e Prouni só enchem os bolsos dos monopolistas da educação, enquanto endividam cada vez mais a juventude pobre.

Por isso é fundamental que o movimento estudantil tanto das universidade privadas quanto das públicas levante com força o lema da defesa de um ensino superior público, gratuito e de qualidade que esteja a serviço da classe trabalhadora e do povo pobre. O que pra isso precisa começar por exigir a anistia total da dívida por todos os estudantes, que por anos, vem enchendo o bolso dos tubarões da educação. Que todas as vagas de universidade privadas sejam revertidas em vagas públicas, através da estatização sem indenização das universidades privadas. E que os prédios e todos os recursos destes monopólios sejam convertidos em ampliação das universidade públicas e o fim do vestibular, para que o acesso seja de fato irrestrito. Somente com um projeto de educação que ataque o coração dos monopólios da educação, que buscam avançar com o EaD e são uma grande parte dos detentores da dívida pública, é que podemos lutar efetivamente por uma educação que responda aos interesses da maioria da população.




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