Política

#VAZAJATO

Conversa de Moro e Dallagnol comprova: orientação era não melindrar tucanos para ajudar golpismo

Novos diálogos divulgados comprovam o que já estava claríssimo: Lava Jato atuava com interesses políticos explícitos, mostrando e escondendo o que era mais conveniente a cada momento para a continuidade de sua atuação golpista. Nesta revelação mostram a preocupação com "melindrar FHC".

terça-feira 18 de junho| Edição do dia

Novos diálogos revelados pelo The Intercept Brasil fornecem renovadas provas da atuação absolutamente golpista da Lava Jato – e de todo judiciário – que revela e esconde denúncias conforme um interesse fundamental: dar continuidade a seu projeto golpista de intervir na política nacional.

Os diálogos (citados abaixo) comprovam: atacaram ou pouparam tucanos conforme e da maneira que era conveniente para esse projeto. Esse acobertamento e uso seletivo de denúncias para “mostrar imparcialidade” são parte de um projeto que incluía o impeachment, a prisão de Lula, a intervenção na eleição de 2018 mas também partes muito menos reveladas pela mídia petista e também pelo Intercept, um favorecimento do imperialismo e suas empresas.

Não melindar FHC e quem for útil ao golpismo

Moro diz com todas as letras que deveriam ter cuidado com denúncias contra FHC para não melindrá-lo porque ele é útil. Em uma pequena frase Moro escancara como atuava como chefe de Dallagnol por um lado, e como tentou conduzir a operação conforme interesses políticos específicos passo a passo. Dallagnol não fica atrás do agora ministro e vê utilidade naquela denúncia meramente para melhorar a imagem da operação e não para efetiva apuração do caso.

Veja o diálogo:

Como é sabido por cada rocha no país o tucanato foi parte importante do apoio não somente a Lava Jato como ao golpismo todo, destoando dos tons reacionários de Bolsonaro ou de um anti-petismo mais estridente de Moro e Dallagnol com seus powerpoints cumpriam junto da mídia um papel crucial de expansão do discurso, dando-lhe alguns vernizes de centro.

O diálogo evidencia uma atuação que também ficou evidente com tantos afagos de Moro com Aécio e que só foi redundar em alguma operação quando já não havia efetiva necessidade de Aécio para condução do golpe.

O mesmo vale para Cunha, rigorosamente poupado de ações do judiciário (e não somente da Lava Jato) até a aprovação do impeachment na Câmara. Temer também esteve poupado enquanto teve utilidade. Cabe uma interrogação se veremos logo comprovação da mesma lógica de atuação do judiciário quanto as denúncias envolvendo a família Bolsonaro e as mílicias.

Provas para que? As convicções variam conforme a mesmíssima utilidade golpista

Se já está comprovado por outros diálogos que Dallagnol havia montado o famoso powerpoint das “tenho convicções mas não tenho provas” sem ter nenhuma convicção, agora também fica explicito como o MPF atuou para blindar o Instituto FHC de ações por temor de que a defesa tucano fortaleceria a defesa petista.

As provas e convicções variam conforme a utilidade momentânea em um projeto que em primeiro lugar significou abrir caminho ao imperialismo, retirar o PT e depois foi, mesmo que não como "primeira escolha" de ajudar Bolsonaro a se eleger.

Muito além da blindagem de FHC e muito além de Moro e Dallagnol o judiciário como ator golpista e pró-imperialista

Moro e Dallagnol foram pegos em mensagens indecorosas e até mesmo criminosas dizem alguns juristas. Nas conversas se evidencia como sua atuação era absolutamente partidária. Cada milímetro pensado para ajudar a promover forças políticas que pudessem levar a frente projetos de ataques aos direitos trabalhistas e privatizações em intensidade e rapidez que o PT não podia fazer (mas tentava, só lembrar Dilma2).

Nesta atuação contaram com todas alas do STF. Não somente os campeões da Lava Jato como Barroso e o “In Fux we Trust” mas até mesmo com Gilmar Mendes. Não foi o atual inimigo do lava-jatismo quem expediu uma liminar completamente inconstitucional impedindo Lula de se tornar ministro após os áudios ilegais do golpista Moro?

O STF e todo poder judiciário, de suas alas armadas da PF, passando pelas diferentes alas do MPF e do STF atuou todo acelerando, escolhendo, ocultando, o que queria conforme havia utilidade para o golpismo.

Não é à toa que o TSE, presidido naquele momento por Rosa Weber arquivou denúncias contra as fraudes eleitorais de Bolsonaro. Mas não param de surgir novas provas, as mais variadas, de como o judiciário ajudou Bolsonaro. Fazendo vistas grossas com o uso criminoso do whatsapp por empresários, como comprovado hoje e, mais especialmente por impedir a população de votar em quem ela quisesse arbitrariamente retirando a candidatura de Lula, a quem nunca apoiamos mas defendemos sua libertação imediata.

Para além dos atores políticos quem é realmente blindado pelo judiciário é o imperialismo

Ocasionalmente, conforme mudam os lugares das peças no tabuleiro do jogo político nacional, um Botafogo pode ganhar atenção e ações policiais, ou não, um Cunha, um Pezão, ou até mesmo um tucano. Mas o que nunca ganha atenção é o imperialismo.

Não importa se delações mostrem participação de empresas estrangeiras, se não houver interesse de afeta-las nem investigação ocorre. Só assim se entende como a Lava Jato conseguiu a proeza lógica de conduzir operações em todas diretorias da Petrobras, menos na que tem quase 80% dos recursos da estatal, a de Exploração&Produção. E porque não? Porque ali os esquemas seguramente envolvem parceiras como Shell, Bp, Chevron, Total, Halliburton que não podem em hipótese alguma ser “melindradas” como diz Moro. Elas são as empresas que sairão ganhando com a privatização da Petrobras, precisam, ainda mais que a Lava Jato preservar sua cara de limpas.

Conheça o estudo recente do Esquerda Diário mostrando o que já está comprovado da relação da Lava Jato com o imperialismo

Um programa para acabar com os privilégios e enfrentar o golpismo do judiciário

A corrupção é intrínseca ao capitalismo. Em sua época de decadência não consegue forjar maiorias que não pela repressão e mais variados mecanismos de fraude, envolvendo ou não enriquecimento ílicito diretamente. Fica evidenciado pela atuação de todo judiciário – e não somente da Lava Jato – como não será das mãos de juízes e procuradores, eleitos por ninguém que se enfrentará essa mazela que causa a repulsa de cada trabalhador.

Nas mãos dos privilegiados juízes e procuradores sequer se conhece a verdade, muito menos garante-se julgamentos justos e expropriação dos bens de corruptos e corruptores.

Diante da crise aberta com a Lava Jato pró-imperialista, é preciso dizer: contra essa democracia manipulada por juízes politicamente interessados, exigimos que os juízes e procuradores sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares. Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares e as empresas expropriadas sem indenização e colocadas sob administração dos trabalhadores, única maneira de preservar empregos e garantir que os recursos não sirvam nem para a roubalheira imperialista a que tanto serve a Lava Jato nem para a corrupção.




Tópicos relacionados

Operação Lava-Jato   /    Deltan Dallagnol   /    Sérgio Moro   /    Política

Comentários

Comentar