Educação

Convênio com Unibanco é barrado novamente na Faculdade de Educação da Unicamp

Nesta quarta-feira (21), na Congregação da Faculdade de Educação da Unicamp, ocorreu a votação do convênio com o Instituto Unibanco e a Faculdade. Após longo debate, a congregação negou o convênio, sendo quinze votos contrários e nove favoráveis, com apenas uma abstenção.

quinta-feira 22 de outubro| Edição do dia

Antecedido pela organização de estudantes e professores contra o projeto, o convênio foi debatido na Congregação com amplo rechaço, como estudantes que se manifestavam no chat da transmissão da reunião com #ForaInstitutoUnibanco, além de ter sido organizado anteriormente por estudantes do GT de privatizações (Grupo de Trabalho tirado em assembleia) um manifesto contrário de mais de 700 assinaturas e outro manifesto dos professores do Estado do Espírito Santo (organizado também pelo GT), onde o projeto já foi implementado, no qual também criticam o projeto.

O projeto de convênio com o Instituto Unibanco não é novo, formulado por duas professoras da Faculdade, foi apresentado pela segunda vez com nova redação, sendo que no ano passado foi barrado com dois terços dos votos.

Não é em qualquer momento que esta votação ocorreu, o mundo passa por uma pandemia, com mais de 150 mil mortes só no Brasil, fruto da política negacionista de Bolsonaro, e que foi usada para um pacto entre Bolsonaro, militares, judiciário, congresso, governadores, a mídia burguesa e o conjunto do regime golpista que atuou em 2016, para aprofundar reformas e precarizar o trabalho.

Durante os anos de governo petista, os tubarões da educação construíram-se através de programas como PROUNI e FIES, que prometiam o acesso da classe trabalhadora ao ensino superior, e o fizeram, no entanto foram para o ensino superior privado sob condições precárias de ensino e submetendo essas pessoas à dívidas altíssimas. Programas como esses, ajudarão a escoar bilhões dos cofres públicos para o bolso dos grandes empresários da educação, sendo que poderiam ter sido direcionados para a educação pública.

A crise que vinha desde 2008 se aprofundou, e as grandes empresas e bancos olham para esse momento para oferecer para a educação mais parcerias público-privadas para, a partir disso, tentar adequar a educação ao projeto que querem para o conjunto da vida e do trabalho, da juventude e da classe trabalhadora, composto de maior exploração e garantia de seus lucros.

O Instituto Unibanco, criado em 1982, é uma instituição pertencente ao conglomerado Itaú-Unibanco, fruto da fusão dos dois bancos formando o maior conglomerado financeiro do hemisfério Sul, tendo hoje o Pedro Moreira Salles como Presidente do Conselho de Administração do Instituto Unibanco e do Conselho de Administração do Itaú Unibanco Holding.

A iniciativa do Instituto Unibanco por meio do Projeto Jovem do Futuro (PJF), que já atua em algumas escolas públicas, se baseia em servir como uma melhoria na educação, ao atuar para convivência ética e democrática em escolas públicas de periferia. E de fato, as escolas públicas sofrem com diversos problemas sociais, muitos deles aprofundados por questões materiais dos quais a questão financeira é parte, mas não só.

A escola pública que temos hoje é fruto de uma divisão de classes imposta pelo capitalismo, do qual garante desde a infância dos e das filhas dos trabalhadores a precarização da formação e a modernização das velhas formas de exploração capitalista. Frente a isso, embora o Projeto Jovem do Futuro tente resolver problemas escolares, mas sem questionar os reais motivos destes, visto justamente que empresas e bancos são parte da criação desses problemas, sua motivação de avançar em adaptar a juventude para um futuro miserável de precarização do trabalho e de vida impostos pelo capitalismo fica explícita. Sendo parte deste mesmo projeto empresarial a própria Reforma do Ensino Médio, do qual o próprio Instituto Unibanco foi apoiador.

Por outro lado, o fato do projeto se encaixar legalmente nas normas da Unicamp pouco diz sobre sobre seu mérito, mas, sim, diz muito sobre os caminhos que esta universidade caminha.

No último período, o Conselho Universitário (Consu) antidemocrático, que tem minoria estudantil, e a reitoria de Knobel foram atuantes na aprovação dos Fundos Patrimoniais e na aprovação da Pós Graduação Latu Senso paga na Unicamp, caminhando para um projeto de universidade mais atrelado a empresas e privatizante, que agora avança sobre as bolsas de permanência estudantil, buscando restringi-las ainda mais por critérios meritocráticos, mostrando que esse o projeto também avança em maior exclusão dos filhos e filhas de trabalhadores, negros e indígenas da universidade.

Por isso, ao deixar os futuros alunos da rede pública nas mãos dessas instituições e grupos dirigidos por bancos e empresas sabe-se que o futuro que querem lhes garantir é de um jovem entregador negro com uma bag nas costas carregando comida e com fome, sem nenhum direito trabalhista.

O coletivo de juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária é parte da Representação Discente com a estudante de pedagogia Júlia Silva (Sagüi) e defendendo uma posição contrária ao convênio com o Instituto.

"Creio que nesse momento temos que nos questionar profundamente e se colocar contra o que é essa tentativa de convênio, visto que eles não tem nada a oferecer para nossa educação e para o nosso projeto, e que na verdade eles tem os seus interesses por trás, estes dos quais são inconciliáveis com os nossos. E por isso, o conjunto da Faculdade de Educação, assim como se expressou em um setor importante de estudantes desta faculdade, deveria se colocar totalmente contra esse convênio e esse projeto que eles têm para a educação."

Veja intervenção completa de Julia Silva (Sagüi) na Congregação

Além disso, o Itaú Unibanco, financiador e gestor do Instituto, é parte dos que lucram com a dívida pública brasileira, ilegal, ilegítima e fraudulenta, que além de servir como mecanismo de saque do nosso pais pelo imperialismo, também pressiona para reformas e cortes, como faz parte a Lei de Teto de Gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal que estrangula o orçamento público destinado à serviços sociais, como saúde e educação.

Por fim, a posição majoritária da Congregação da Faculdade de Educação, assim como a importante mobilização de estudantes e professores desta que construíram debates de rodas de conversa sobre o convênio, expressou que existe um importante setor que não abre mão de seus princípios por uma educação pública, gratuita, de qualidade e critica, e que é esta base que se formou em meio a esse conflito que pode se colocar a frente de defender a permanência estudantil e a universidade pública para os trabalhadores e a sociedade.




Tópicos relacionados

Bancos   /    Unicamp   /    Educação   /    Campinas

Comentários

Comentar