Educação

RUMO AO 19J

Contra o racismo de Bolsonaro e Mourão e em defesa das cotas: tomar as ruas no dia 19!

Como se não bastasse os cortes bilionários de Bolsonaro, mas também de todo o Congresso Nacional nas federais; na última semana, mais de 195 estudantes tiveram suas matrículas desligadas da UFRGS. A expulsão dos cotistas na UFRGS é parte do projeto autoritário, elitista e racista de Bolsonaro de ataques às cotas e às universidades, endossado pelas Reitorias. No caso da UFRGS, pelo interventor de Bolsonaro, Carlos Bulhões. Rumo ao dia 19J, os estudantes precisam tomar as ruas ao lado dos trabalhadores, também contra o racismo de Bolsonaro e Mourão e em defesa das cotas.

Luiza Eineck

Estudante de Serviço Social na UnB

terça-feira 8 de junho| Edição do dia

Foto: 29M em Porto Alegre

Na semana passada, ocorreu o brutal ataque na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde mais de 195 estudantes tiveram um processo aberto que ameaçava o desligamento de suas matrículas de forma completamente autoritária pela Reitoria interventora de Bolsonaro, com Carlos Bulhões. Em um ano e meio de crise e pandemia, mas também de um Ensino Remoto massacrante e produtivista, os setores mais precarizados da universidade foram os que mais pagaram pela crise, como são os estudantes cotistas - negros, de baixa renda e filhos da classe trabahadora.

Ontem, 7, foi o veredito da expulsão dos cotistas na UFRGS. Expressão do projeto autoritário, elitista e racista de Bolsonaro e dos golpistas de 2016(que permanecem no poder) sobre as universidades. Não à toa, o último período foi marcado pelos cortes bilionários à educação que estrangularam os orçamentos das universidades federais. Mais de 30 das 69 universidades federais brasileiras provavelmente não terão orçamentos para os próximos períodos.

Leia mais: Contra a expulsão dos 195! Lutemos em defesa das cotas e por uma UFRGS a serviço dos trabalhadores

No último ano, vimos também aplicação do Ensino Remoto de forma completamente autoritária, sem o mínimo de diálogo com os estudantes, em várias universidades; sem contar com as condições extremamente precárias e insalubres nas Casas dos Estudantes das universidades como foi o caso da UnB, onde esses estudantes ficaram meses sem receber a assistência estudantil e recebendo marmitas com larvas, insetos, cabelo, etc.

Esse é o futuro das universidades e da juventude: maior sucateamento e precarização. A educação não vale nada para Bolsonaro, os golpistas e militares, e as Reitorias são árduas colaboradoras desse projeto, das que se pintam de progressistas às interventoras (resquícios da ditadura militar). São elas que aplicam esses ataques diretamente nas universidades.

O caso dos estudantes cotistas da UFRGS, constantemente ameaçados de terem suas matrículas canceladas, não é um caso isolado, é a expressão da condição que está reservada para os filhos da classe trabalhadora nas universidades. Já é extremamente difícil furar o filtro social e elitista que é o vestibular, e quando uma pequena parcela da juventude consegue, fazem de tudo para não nos oferecer os mínimos subsídios para se manter dentro dela e se formar.

As grandes manifestações nacionais do dia 29M protagonizadas por estudantes de diversas federais pelo país, mas também por secundaristas e trabalhadores, mostram a força que podemos ter nas ruas e que ela deve ser só o começo da nossa luta. A juventude foi a faísca dessas mobilizações frente aos cortes, que se estenderam com mobilizações de rechaço à Bolsonaro e sua gestão catastrófica da pandemia. Precisamos ter em mente que todos esses ataques, cortes, reformas são aplicados pelo conjunto desse regime político podre, de Bolsonaro, Mourão, militares e golpistas que se unem quando lhes convém para nos atacar em nome dos lucros capitalistas. Nossa resposta precisa ser contra todos eles.

Somente com a nossa organização independente nas ruas poderemos dar uma a altura desses ataques, batalhando pela permanência estudantil para que nenhum estudante seja expulso e questionando profundamente a estrutura de poder das universidades. Será que os estudantes, professores e trabalhadores, proporcionalmente, não deveriam gerir a universidade e decidir sobre seu funcionamento, ao invés de uma REItoria? Isso, inclusive, abriria maiores possibilidades de que todo o contingente de ensino, pesquisa e extensão se ligue às reais demandas da sociedade e não às dos lucros capitalistas...

A luta contra o racismo de Bolsonaro e Mourão, em defesa das cotas e pela permanência estudantil, devem sem sombra de dúvidas ser parte das bandeiras levantadas pelo movimento estudantil aliado ao movimento operário no dia 19 de junho. Precisamos massificar esse dia para que ele seja a continuação do dia 29M e um pontapé para um plano de lutas unificado aos trabalhadores. Por isso, é extremamente necessário que se realizassem assembleias de base com direito à voz e voto para todos os estudantes em cada local de estudo, para sermos protagonistas ativos da organização e construção do dia 19J. Além disso, rumo ao 19J, é necessário darmos mais um passo na auto-organização do movimento, defendendo conjuntamente das assembleias de base, a eleição de um comando nacional com representantes votados em cada universidade para articular e expressar as demandas e a luta nacionalmente. E, nesse sentido, à luta contra a expulsão dos estudantes da UFRGS.

Saiba mais: Por que uma paralisação nacional fortaleceria as ações de rua depois do 29M?

A UNE, dirigida pelo PT, PCdoB e Levante Popular deveria levar a frente essa demanda democrática e não propor assembleias, que na realidade são lives e com limites de participantes. Assim, a Oposição de Esquerda da UNE composta pelo PSOL, PCB, UP, etc, que estão em DCEs e CAs pelo país, deveriam dar exemplo e convocar tais assembleias com direito a voz e voto, e exigir da UNE para que leva a frente essa política.

Só assim, poderemos avançar em uma luta por fora das saídas institucionais que tanto nos impõe como é o impeachment, que levaria o reacionário e racista Mourão ao poder; a CPI, que na realidade é um teatro protagonizados por golpistas que atacam a juventude; ou a espera passiva das eleições de 2022, fazendo campanha para Lula, o mesmo que perdoou os golpistas, os ataques a juventude e trabalhadores, ele e o PT administraram o capitalismo por 13 anos e que no governo Dilma cortou 13 bilhões da educação.

Entenda mais sobre nossa proposta: É preciso mudar as regras do jogo: por uma nova assembleia constituinte imposta pela luta

Não podemos ficar na miséria do possível. Que os capitalistas paguem pela crise e não a educação! Fora Bolsonaro, Mourão e militares.




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