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EDITORIAL INTERNACIONAL

Continuidade com mudanças à la democrata

terça-feira 14 de abril de 2015| Edição do dia

Hoje o New York Times publicou um editorial sobre a ofensiva dos republicanos contra Obama no último ano de seu mandato, "Uma nova fase de ataques anti-Obama":

"Os legisladores republicanos em Washington e em todo o país têm se centrado no bloqueio da agenda de Obama e em denegri-lo pessoalmente desde o dia em que assumiu o cargo à presidência em 2009. Mas, mesmo dentro desse contexto e até mesmo para os pobres padrões do discurso político de hoje, o tom dos atuais ataques é preocupante. A intenção é evidente: não apenas minar a política de Obama, mas também sua legitimidade como presidente (...) Talvez o exemplo mais escandaloso do ataque à sua legitimidade seja uma carta assinada por 47 senadores republicanos dirigida aos líderes do Irã, dizendo que Obama não teria autoridade para concluir as negociações sobre o programa nuclear do país.

Tentem imaginar a indignação dos republicanos se um número similar de democratas tivessem escrito ao Kremlin em 1986 dizendo a Mijail Gorbachov que o presidente Ronald Regan não teria autoridade para negociar um acordo de armas nucleares na reunião de cúpula de Reykjavick, neste mesmo inverno."

Por outro lado, no último sábado, o Times publicou outro editorial sobre a intervenção de Obama na Cúpula das Américas, onde também participa Cuba, depois de décadas.

Enquanto o presidente Obama chegava ao Panamá para a Cúpula, no último final de semana, os participantes observavam atentos como se daria seu encontro com o presidente Raul Castro de Cuba e se seria um encontro insuportavelmente incômodo, cara a cara, com o presidente Nicolás Maduro da Venezuela. O jornal detalha as intenções de Obama para voltar a ter as relações que tinha mantido por décadas na região. Entre outras, as possíveis negociações com nações do Caribe e América Central para diminuir a dependência do petróleo venezuelano e em vez disso poder depender de outras fontes energéticas como a importação de gás natural. Os Estados Unidos deveriam levantar as restrições, no sentido legal, que se "justificariam" em nome da utilização de recursos com menos emissões de gases que afetam a atmosfera.

Também destaca que a recomposição de relações com o Brasil será mais fácil, apesar do escândalo que revelou que a Agência de Segurança Nacional norteamericana espiava a presidente Dilma Rousseff, mas que as negociações com o venezuelano Maduro seriam mais difíceis.

"O Sr. Maduro, um líder temperamental e populista, tem justificado o crescente autoritarismo do seu governo com o argumento infundado de que Washington estaria se preparando para uma intervenção militar. No período anterior à cúpula, reuniu assinaturas de apoio em um documento e se comprometeu a entregá-lo pessoalmente ao Sr. Obama. A decisão do governo Obama de impor sanções a sete funcionários venezuelanos no mês passado, contribuiu para inflamar a retórica do Sr. Maduro, em vez de frear a conduta despótica de seu governo."

Como colocamos aqui, não obstante há uma intenção de diminuir a tensão com a Venezuela para retroceder a elevação anterior.

O editorial do The Guardian/The Observer de Londres também se ocupa dos Estados Unidos, no caso de anunciar Hillary Clinton como pré candidata à presidência.

A perspectiva mais substancial de uma administração de Hillary Clinton é mais difícil de analisar, e em um grau notável, dado que ela é, de longe, a mais destacada e mais claramente previsível dos candidatos democratas para o próximo ano. Na economia, enfatiza a importância dos salários da classe média; preocupação que, de toda forma, nenhum político que queira ganhar vai deixar de lado. É menos seguro do que se pensa sobre como reverter quatro décadas de estagnação do salário médio dos Estados Unidos, e no caso particular da senhora Clinton, há poucos indícios de que ela está disposta a repensar a terceira via de impulso ao livre mercado típica de seu marido.

Na política exterior seu mandato como secretária de Estado deixa registrado algo mais claro, associado com um enfoque muito mais intervencionista que o do senhor Obama. Seus admiradores a descrevem como uma mistura feliz de inteligência e força; os céticos recordarão seu voto a favor da infeliz invasão americana ao Iraque em 2003, e preferem o juramento a Obama de que primeiro não vai fazer mal. Pelo lado mais positivo, ela traz um estilo de fazer política que poderia ser adequado para o momento. Depois da elevada retórica de Obama contra a obstinação imóvel de um Congresso de maioria republicana, os Estados Unidos poderia estar pronto para uma liderança mais prosaica e menos poética.




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