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2 de outubro | Construir blocos classistas unitários da esquerda contra Bolsonaro, Mourão e os ataques

A esquerda deve apresentar uma saída independente. Para as manifestações do próximo 2 de outubro, fazemos um chamado para construir blocos classistas unitários contra Bolsonaro, Mourão e os ataques, sem misturar nossas bandeiras com a direita que também é responsável pelas reformas, privatizações e pela catástrofe econômica, social, sanitária e ecológica.

quinta-feira 23 de setembro | Edição do dia

As mentiras de Bolsonaro na ONU são incapazes de esconder uma realidade nacional catastrófica de quase 600 mil mortes na pandemia, corrupção na compra de vacinas, avanço da miséria, desemprego, inflação, precarização do trabalho, ecocídio, reformas, privatizações e ataques aos povos indígenas. Uma situação que não surgiu do nada e que, ao contrário do que parece entender a oposição frente amplista, também tem como responsáveis Mourão, os militares, o reacionário Congresso nacional, o judiciário, a direita liberal e os governadores, todos protagonistas do golpe institucional de 2016, das eleições manipuladas de 2018 e de todos os ataques que sofremos ontem e hoje.

Por isso a esquerda deve apresentar uma política independente de todas as alas burguesas do regime, confiando somente na força da classe trabalhadora em aliança com a juventude, os povos indígenas e os movimentos sociais. Como escrevemos em nosso editorial, nós do Esquerda Diário e do MRT acreditamos que um importante primeiro passo para a organização da força política capaz de enfrentar a extrema-direita e os capitalistas poderia ser a construção de blocos classistas unitários da esquerda, defendendo Fora Bolsonaro e Mourão e um programa operário contra a crise, que inclua a anulação de todas as reformas e ataques contra os trabalhadores e o povo pobre, entendendo que nossos inimigos também são a direita tradicional e todas as instituições desse regime golpista, bem como os empresários e capitalistas que lucram com nosso suor e sangue.

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Porém, as direções da próxima manifestação, do dia 2 de outubro, buscam ampliar sua organização à setores burgueses e da direita para fortalecer o pedido de impeachment, privilegiando buscar esse tipo de unidade ao invés da necessária unidade da classe trabalhadora. Lamentavelmente essa é a política que boa parte da esquerda, incluindo PSOL, PSTU e os stalinistas do PCB e da UP, vêm levantando - de mãos dadas com a direita golpista do MBL, PSDB e outros que querem um espaço de terceira via eleitoral. Trata-se de um grande erro, não só porque o impeachment resulta em colocar o racista e adorador da ditadura do Mourão na presidência, mas também porque exige um nível de coesão alto entre distintos setores burgueses para se efetivar e preserva o conjunto do regime político, inclusive os ataques contra os trabalhadores. Nesse sentido, um impeachment trocaria uma peça por outra e preservaria o conjunto deste jogo onde quem vem perdendo são exclusivamente os trabalhadores e o povo pobre.

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Há diversos foco de resistência, ainda que minoritários, pelo país, como a exemplar luta dos povos indígenas, e greves em diversas categorias de trabalhadores que mostram que existe disposição para se enfrentar com o projeto de miséria que querem nos impor. No entanto, o principal freio para que essa disposição se efetive em um plano de lutas nacional, que unifique a força dos trabalhadores e coloque o governo e os ataques em xeque, é a paralisia traidora das centrais sindicais como a CUT e a CTB, que seguem em uma trégua com o governo, se negando a unificar e coordenar as lutas em curso. Se negam a isso porque suas direções, do PT e do PCdoB, têm uma estratégia eleitoreira que pretende garantir as melhores chances de Lula ser eleito em 2022 como uma alternativa viável para os empresários, o mercado financeiro e o agronegócio, administrando o regime, evitando revoltas e preservando ataques.

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É preciso que a esquerda e os sindicatos rompam com suas ilusões institucionalistas e com a linha de se diluir na direita e se submeter à política derrotista do petismo. Levantamos que é preciso atuar pela conformação de um pólo classista e antiburocrático para apresentar uma política de independência de classe e um programa operário para enfrentar a crise, algo até agora inexistente. Um programa operário poderia lutar por emprego para todos com a repartição das horas de trabalho entre empregados e desempregados, com a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, e em uma forte campanha nacional que contribuísse também para unificar os processos de luta que estão em curso e demonstrar que este programa é incompatível com a aliança com burgueses e partidos de direita que atuam permanentemente para aumentar a exploração contra a classe trabalhadora.

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Nesse sentido, é muito valioso o exemplo da Frente de Esquerda Unidade, da Argentina, que se alçou a terceira força política nacional nas últimas eleições primárias, expressando a conquista de um apoio significativo à esquerda classista e socialista, que atua unida e que esteve presente apoiando todos os processos de lutas operárias e sociais do último período no país vizinho, e propondo um programa para fornecer uma solução operária e anticapitalista para a crise que a Argentina atravessa.

Apesar dos eventuais atritos, como entre Bolsonaro e o STF, todos os setores do regime se unificam quando se trata de implementar novos ataques e autoritarismos contra nós. É preciso uma política que também enfrente o conjunto do regime, não só Bolsonaro, e que coloque nas mãos da maioria da população a possibilidade de decidir sobre as questões estruturais do país, como o emprego, a reforma agrária, a questão indígena, a crise energética e a revogação de todas as reformas e privatizações. Por isso levantamos a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, com deputados eleitos e revogáveis, capaz de minar a dominação da direita e abrir espaço para que as massas se convençam, no decorrer da experiência e da luta política, de que apenas um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo pode atender plenamente suas demandas mais urgentes.




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