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Movimento Estudantil | Congresso da UEE-SP, às pressas e sem construção, só serve pra dividir cargos e não pra luta da juventude

Congresso da União Estadual dos Estudantes, entidade representativa dos estudantes universitários do estado de São Paulo, assim como o CONUNE que aconteceu no mês de julho, está sendo convocado às pressas, com divulgação rotineira e na véspera. O conjunto dos estudantes sequer sabem do evento e assim, não puderam se organizar para participar e ser parte de pensar os caminhos da luta contra Bolsonaro, Mourão e todos os ataques que estão postos para a educação. Este é um exemplo claro de que a direção dessa entidade, composta pela juventude do PCdoB, PT e Levante Popular não estão interessados em organizar a luta, mas sim em dividir cargos e manter seus privilégios.

Juliane SantosEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 30 de julho | Edição do dia

Nos dias 31 de julho e 01 de agosto ocorrerá o Congresso Extraordinário da União Estadual dos Estudantes, que representa todos os estudantes universitários do Estado de São Paulo, de forma virtual e convocados às pressas sem construção entre a base dos estudantes, sob o tema: "Educação Salva Vidas".

Em um momento de profundos cortes na educação, com ataques econômicos e aos direitos democráticos, com mais de 500 mil mortes no país fruto do negacionismo do governo Bolsonaro-Mourão e da política dos governos estaduais, a necessidade dos estudantes de cada universidade se organizarem para a luta se coloca para ontem, e um espaço como esse congresso deveria estar a serviço dessa mobilização, sendo um espaço onde os estudantes pudessem debater sobre a necessidade de um plano de luta, de como nos unificarmos com os estudantes de outras universidades e com os trabalhadores para compor uma força que possa verdadeiramente derrotar Bolsonaro, os militares e todos os ataques.

O cenário, porém, que se coloca às vésperas desse congresso é outro. Não vemos os setores que hoje dirigem essa entidade, a UJS, juventude do PCdoB, PT e Levante Popular da Juventude divulgarem amplamente esse espaço, nem muito menos envolverem os estudantes a participarem, ao contrário disso os estudantes não estão sabendo que esse congresso ocorrerá, assim como não está havendo votação de delegados, o que explicita ainda mais o caráter burocrático desse congresso.

As semelhanças não são meras coincidências quando lembramos do CONUNE, o Congresso Nacional da UNE, entidade que representa todos os estudantes do país e é também dirigida pela UJS, PT e Levante Popular. Ele ocorreu nos dias 15 a 18 de julho e não contou com a ampla participação dos estudantes, que mal ficaram sabendo da existência desse espaço e também não ocorreu votação de delegados.

Todos esses elementos expressam a concepção burocrática dos setores que hoje estão à frente de importantes entidades estudantis, e que no último período vem contando com o apoio da Oposição de Esquerda, que ao invés de atuarem como oposição, cobrando da direção que cumpra seu papel de organizar a luta dos estudantes, fecha os olhos à traição em troca de garantir seus cargos nas entidades. No fim das contas o que se expressa é que utilizam espaços que deveriam servir para a organização da luta de todos os estudantes de forma democrática para dividir cargos e realizar debates formais que não levam ao avanço do movimento, já que não chegam amplamente nos estudantes.

Leia mais: CONUNE: Não compactuamos com uma plenária final onde os estudantes não têm voz e voto

Esses mesmos partidos também dirigem os principais sindicatos do país e deixam bem clara a sua estratégia: desgastar Bolsonaro rumo a 2022. Diante disso, esses setores estão conscientemente não construindo amplamente congressos e espaços que deveriam servir para a autoorganização dos estudantes, se utilizando para isso de métodos burocráticos. Fazem isso porque seguem a estratégia de conciliação de classes e seu interesse é que a disposição de luta da população não ultrapasse um certo limite que não atente profundamente contra os interesses dos grandes empresários e governos.

A necessidade de luta se coloca agora, e é urgente que os estudantes possam se autoorganizar e batalhar por um verdadeiro plano de lutas. Para isso é fundamental que ocorram assembleias em cada Universidade, com os estudantes tendo espaço para colocar suas opiniões e direito de voto, além de haver uma articulação a nível nacional das universidades por meio de um Comando Nacional, onde possamos refletir sob qual estratégia vamos dedicar nossas energias, pensando medidas de unificação com os trabalhadores e batalhar para que ocorra uma forte Greve Geral, que golpeie esse sistema em seu coração: no lucro, e possamos assim impor as nossas demandas.

Nós da Faísca acreditamos na força da unidade da classe trabalhadora com a juventude e não colocamos expectativa de que a saída para toda a crise seja um novo governo do PT com o Lula, que em 13 anos já expressou sua estratégia de conciliação fazendo alianças com setores de direita que foram parte de implementar o golpe institucional em nosso país e que hoje se unem para aplicar todo tipo de ataques. Também não confiamos que um processo como o impeachment será a saída, pois significa colocar o general Mourão, um racista reacionário no poder e confiar nas instituições que sempre atacam os nossos direitos, como a Câmara e o Senado. Para termos nossas demandas atendidas e não serem os trabalhadores e o povo pobre a pagar pela crise temos que confiar nas nossas forças, e não em uma frente ampla com setores inimigos que se colocam contra Bolsonaro mas se unem quando o assunto é passar ataques e reformas.

Todo esse debate fazemos com os partidos de esquerda como PSOL, PCB, UP (que são parte da oposição de esquerda na UNE e na UEE) e PSTU, que hoje têm uma política adaptada a lógica institucional e a estratégia das direções burocráticas que dirigem as principais entidades estudantis e sindicatos, e defendem que alianças com a direita será o caminho, como vimos com a entrega do “superpedido” de impeachment que unificou setores da extrema direita como Joice Hasselman até esses partidos da esquerda. O que precisamos fazer é lutar pela construção de um polo antiburocrático que batalhe pela necessidade de haver um verdadeiro plano de lutas, levantando a construção de uma forte Greve Geral, e denuncie a política que levam estes partidos que estão à frente das importantes entidades e que deveriam estar a serviço de construir a nossa luta.

A confiança nas nossas forças é a única que pode derrotar todos os ataques e cortes, e revogar todas as reformas que atacam o nosso presente e o nosso futuro. Por isso é fundamental a luta contra o regime de conjunto por meio de uma mobilização que leve a imposição de um processo Constituinte, que seja soberano e imposto pela luta, e possamos com uma nova Constituinte, livre e soberana, defender as nossas demandas, que não são as mesmas dos grandes patrões e empresários, e a partir disso escancarar ainda mais para todos que ainda tem ilusão no capitalismo a necessidade de colocarmos nossa energia para construir um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

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