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RIO DE JANEIRO | SUS

Com respiradores superfaturados, Estado do RJ bate 70% da ocupação das UTIs pelo COVID-19

Sem atingirmos pico da pandemia no Brasil, e com governo estadual comprando respiradores superfaturados, Estado do RJ já tem 70% dos leitos de UTI e quase 50% dos leitos de enfermagem ocupados por pacientes no novo coronavírus

segunda-feira 13 de abril| Edição do dia

O sistema público de saúde do país caminha dia-após-dia a beira de um colapso evidente, e enfrenta ainda a falta de medidas efetivas dos governos contra essa realidade. Os casos cresces e já passam os 20 mil no Brasil, acompanhados por mais de 1 mil mortos, e a cada dia aumenta a necessidade de leitos de internação, tanto normais quanto de UTI, nos hospitais brasileiros

Já mostramos aqui no Esquerda Diário o como a relação leitos/população no Brasil é muito menor no sistema público, do que a relação leitos/assegurados no sistema privado, E a cada dia que se passa, aumenta a necessidade de se colocar na mesa a estatização do sistema privado de saúde, para que todos os leitos, respiradores, e insumos disponíveis, estejam a disposição do SUS, sob controle dos profissionais da saúde.

No Rio de Janeiro, a situação na rede estadual já se agrava bastante. Hoje, disponíveis, existem apenas 217 leitos de UTI, e 2.499 leitos de enfermaria. Isso significa que 70% dos leitos de UTI no estado do Rio estão ocupados por pacientes do novo coronavírus, enquanto 49,2% dos leitos de enfermaria também já estão ocupados.

O sistema público vai se abarrotando de casos, e sobrecarregando os profissionais da saúde que atuam bravamente no campo de batalha, sendo obrigados pela falta de quadro de funcionários - fruto de anos de precarização do SUS por diversos governos, inclusive os do PT, que tanto se gaba do SUS - a trabalhar em turnos de 12, 14h horas, sendo privados pelas chefias de beber água e até usar o banheiro. E enquanto isso, os governos protegem os grandes monopolistas da saúde privada, e deixam “intocados” pelo estado seus hospitais, fazendo demagogia com a criação de hospitais de campanha - que serão, sim, necessários, mais ainda sim insuficientes - enquanto deixam o sistema de saúde pública caminhar ao colapso.

Sabemos quem serão os principais prejudicados por isso. Afinal quem depende exclusivamente do SUS, e não só exclusivamente mas prioritariamente, é a classe trabalhadora e a população pobre, que não tem plano de saúde e qualquer acesso a saúde privada. 67% dos que podem usar apenas o SUS, e dependem dele, são negros e negras. E são estes que os governos querem rifar as vidas deixando o SUS caminhar para o desfiladeiro.

Não bastasse isso, frente a evidente falta que temos (em alguns lugares) e teremos (em todo o país, em breve) de respiradores e outros equipamentos, Witzel comprou respiradores absurdamente superfaturados, pagando R$ 198 mil reais por cada, um preço muito acima da média comercial. Os valores são quase o dobro do preço normal.

A irracionalidade do capitalismo nos trouxe ao caos frente a um vírus, mas não precisava ser assim, não hoje com toda a tecnologia disponível. Poderíamos estar fazendo uma quarentena racional se houvesse testes massivos para a população, isolando os infectados e concentrando quem está saudável para trabalhar e produzir bens e serviços necessários pra encarar a crise, desde alimentação de qualidade até respiradores.

Por isso é necessário exigir dos governos a estatização de todo o aparato dos hospitais privados, seus leitos, equipamentos e estrutura, os colocando a disposição do SUS, para que toda a população que necessite possa contar com eles. Mesmo assim, a falta de leitos frente a demanda que se avizinha pela pandemia, não seria suficiente. Por isso o governo poderia estar colocando a estrutura de diversos hotéis, hoje totalmente desocupados, na mão do SUS também, para criação de novos leitos, tanto de enfermagem quanto de UTI, estatizando estes hotéis para garantir a necessidade da população.

Nem o negacionismo suicida de Bolsonaro, que esbraveja contra o isolamento, nem a “falsa preocupação” de governadores como Witzel e Doria, que apostam somente no isolamento como política, respondem as necessidades que a pandemia coloca para a população. Vivemos no país um dos maiores índices de subnotificação de casos do mundo, e até agora, testar massivamente a população é só uma promessa jogada aos ares pelos governos.

Testagem massiva, a estatização da rede privada de saúde, e estatização de hotéis sob controle do SUS e dos profissionais da saúde, são apenas algumas medidas pra atender de forma veloz e imediata a crise sanitária que passamos agora e que se agrava a cada dia. Medidas que os governadores que tentam se pintar de “razoáveis” e “moderados” frente a loucura de Bolsonaro, não tomam, pois assim como o presidente, e Paulo Guedes, querem que os que se salvem da crise sejam os empresários, os bancos e as empresas, e não a classe trabalhadora. Com suas disputas e diferenças em jogo, nisso Bolsonaro e os governadores estão em pé de sintonia: rifar a vida dos trabalhadores e da população pobre em nome de salvar empresários e capitalistas.




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