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Com milhares de queixas de estudantes, TRF-3 suspende resultado do SISU e cobra o MEC

segunda-feira 27 de janeiro| Edição do dia

Com milhares de estudantes expondo os erros do Ministério da Educação e do INEP nas redes sociais, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) negou o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para liberar a divulgação dos resultados do Sistema de Seleção Unificada (SISU), utilizado pelos estudantes que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio para concorrer a vagas públicas nas universidades federais.

Milhares de estudantes queixaram-se da correção das notas à partir do momento em que o SISU às liberou para a consulta. Weintraub e Alexandre Lopes (Presidente do INEP) apresentaram dados divergentes acerca dos afetados, e em seguida deram um prazo relâmpago para o pedido de revisão da correção da prova e deram prosseguimento às inscrições, que terminaram neste domingo. Na terça-feira, seriam divulgados os resultados para as diferentes universidades e cursos disponíveis através do sistema do SISU, e esta divulgação foi suspensa pela decisão da justiça.

A AGU, representando os interesses de Bolsonaro e Weintraub, queria que este Tribunal desfizesse a decisão da justiça de São Paulo, que impedia a divulgação dos resultados. Na decisão, a desembargadora Therezinha Cazerta - presidente do Tribunal - exigiu que fosse comprovado que o erro na correção das provas do Enem 2019 estivesse totalmente solucionado.

A justiça responde a milhares de estudantes que veem o descaso do Ministro da Educação Abraham Weintraub com a própria educação. Ao invés de solucionar o problema, o MEC quer varrê-lo para baixo do tapete. Tudo isto na realidade responde ao projeto de Weintraub e Bolsonaro, que tem um ódio muito concentrado contra as instituições de ensino público, praticando a perseguição ao pensamento científico e a qualquer produção que tenha um olhar mais realista acerca dos problemas da grande maioria do povo.

Weintraub e Bolsonaro querem uma educação que discipline e coloque o arreio no povo. Ambos tem o rabo preso com grupos privados que lucram com a venda de apostilas, de cursos e projetos de educação totalmente precarizados. Seu projeto é privatizar as Universidades públicas - começando por atacá-la cortando seu orçamento, bolsas de pesquisa, e boicotando até mesmo seu ingresso, que hoje é feito pelo filtro social do vestibular. Este projeto, aliás, veio sendo aplicado a conta-gotas pelos governos anteriores. Bolsonaro e Weintraub são a radicalização sem freios deste processo de desmonte.

Os estudantes prejudicados no ENEM pelos resultado deste projeto merecem toda a solidariedade e apoio. As entidades estudantis como a UNE, DCEs e CAs deveriam convocar atos e manifestações para expor para a população os ataques deste governo e organizar o movimento estudantil para derrotá-los definitivamente e - no marco desta luta - questionar também a Universidade de classe, que deixa outros milhões do lado de fora, centenas de milhares que prestam os exames e não passam, ou nem sonham com o acesso ao ensino superior por causa do elitismo das universidades, estes sim são os que verdadeiramente podem revolucionar as universidades, exigindo que o conhecimento seja aplicado para as necessidades da classe trabalhadora e da maioria do povo.

Leia a declaração da juventude Faísca sobre os erros no ENEM

Frente aos erros no ENEM, defendemos a necessidade de uma investigação independente com a participação das entidades estudantis, sindicais, professores e representantes dos movimentos sociais para assegurar que de fato se busque resolver o drama de milhares de estudantes e a garantia da lisura do processo o mais rápido possível. Até que isso ocorra os prazos de inscrição no SISU e nas universidades que utilizam a nota do ENEM para seleção deveriam ser revistos para que nenhum estudante seja prejudicado ainda mais. Sendo também absurdo que esse ministro, que já demonstrou diversas vezes como não se importa com os estudantes, continue a frente do Ministério da Educação, por isso defendemos o Fora Weintraub! Leia mais aqui




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