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Burocratismo | Com manobra burocrática, Sindicato de Municipais de Campinas impõe comissão eleitoral

Nessa tarde de quinta (22), o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) dirigido pela Central de Trabalhadores do Brasil (CTB) convocou para às 16:30 o que deveria ser uma assembleia de sindicalizados na sua sede a fim de compor a comissão eleitoral que irá organizar as eleições sindicais.

Guilherme ZanniProfessor da rede municipal de Campinas.

sexta-feira 23 de julho | Edição do dia

Longe de acontecer um espaço minimamente democrático, em que as bases das categorias como educação, saúde, assistência social, pudessem se manifestar e organizar as suas batalhas frente à crise sanitária, política e social e votar uma comissão eleitoral, o que aconteceu foi uma amostra do que a burocracia sindical é capaz para manter seus cargos e continuar de costas para os trabalhadores.

A assembleia além de ter sido convocada para às 16:30, horário que a maioria dos trabalhadores ainda estão em seus postos, foi chamada para dentro da sede, em local fechado, ignorando inclusive, a segurança sanitária.

A direção atual do sindicato junto a servidores comissionados liberados para a assembleia lotaram durante a manhã e começo da tarde a sede do sindicato e os trabalhadores do município, assim como representantes da oposição, ficaram do lado de fora, sem poder participar do que deveria ter sido uma assembleia.

Para garantir apenas seus interesses, a diretoria sindical iniciou a assembleia às 16:30 e às 16:35 ela já havia acabado, definindo a comissão entre seus pares.

Infelizmente essas práticas não são uma novidade no mundo sindical, onde burocracias fazem todo tipo de manobra para manter seus privilégios, enquanto vendem os direitos dos trabalhadores para as prefeituras, governos e patronal. Há diversos relatos em distintas categorias de centrais sindicais país afora que agem dessa mesma forma, não só da CTB, mas também UGT, Força Sindical, e a própria CUT.

A atual direção do sindicato, encastelada há anos, é formada com integrantes do PSB e foi braço direito da gestão do ex-prefeito Jonas Donizete, que aprovou a reforma da previdência municipal e ainda congelou o salário dos servidores da saúde durante a pandemia.

Com Dário Saadi na prefeitura, ex-secretário do governo Jonas, a burocracia do STMC mantém sua paralisia assistindo o retorno inseguro das aulas que causou surtos de covid nas escolas da cidade, vendo trabalhadoras da saúde se contaminarem e trabalharem até à exaustão, sem sequer chamar uma assembleia durante o primeiro ano de pandemia para organizar as categorias.

Frente ao aumento dos alimentos, do gás e dos combustíveis, aluguel e conta de luz, os trabalhadores amargaram mais um ano sem reajuste salarial, aumentando a precarização da vida sem poderem mostrar a força da nossa classe.

Esses métodos burocráticos combinam perfeitamente com a política de venda dos nossos direitos que praticam e têm que ser fortemente repudiados por todos os trabalhadores do munícipio de Campinas.

Chamamos à esquerda da cidade a repudiar as ações burocráticas da atual diretoria, e agir de forma consequente nessa batalha. É necessário que centrais como as Intersindicais e a CSP Conlutas deem exemplos de organização das categorias onde estão e atuem com independência de classe nas mobilizações e nesse processo eleitoral sindical. Essas centrais poderiam, por exemplo, convocar assembleias de base para exigir que a CUT e a CTB rompam com a paralisia e conformar um Comitê Nacional por uma Greve Geral. As eleições sindicais não devem ser encaradas de forma separada da organização da luta imediata do Fora Bolsonaro, Mourão e os militares.

Isso não é possível conformando chapa junto ao PT que segue desviando nossa força para as eleições nacionais de 2022, fechando acordos com a direita e atacando direitos dos trabalhadores nas cidades e estados que governam. A CUT, que dirige também a Apeoesp, não só reproduz os métodos burocráticos em distintos sindicatos, como é uma das principais forças que se nega a construir uma greve geral no país, rifando a possibilidade de auto-organização da classe trabalhadora, nos deixando refém desse governo ultra reacionário e seus ataques.

As batalhas são muitas no combate à pandemia, na reabertura insegura das escolas, no enfrentamento ao governo Bolsonaro-Mourão, às reformas, privatizações, e também à fome e ao desemprego que assola cada vez mais trabalhadores no país.

Precisamos tomar o sindicato nas nossas mãos, recuperando nosso instrumento para a nossa luta e organização, realizando assembleias em cada lugar de trabalho, unificando as categorias, onde o direito à voz e voto seja respeitado, garantido o debate de ideias, expressando por exemplo, a força contida nas trabalhadoras linha de frente do combate à pandemia.




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