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Romeu Zema | Com livro de misógino na mesa, Pânico entrevista Zema, que defende privatizações e Bolsonaro

A entrevista com o governador Romeu Zema foi na verdade uma conversa entre compadres e aconteceu nessa quarta-feira (2), no programa Pânico, da Jovem Pan. Com uma mesa decorada pelos apresentadores do programa com um livro do machista, racista e misógino jornalista Rodrigo Constantino, Zema voltou a fazer a defesa das privatizações e reformas, além de elogios a Bolsonaro e à empresa Vale.

Flavia ValleProfessora, Minas Gerais

sábado 5 de junho | Edição do dia

Nos cerca de quarenta minutos que teve no Programa Pânico, o governador Romeu Zema se apresentou como candidato para as eleições de 2022. Seguindo a corrida eleitoral antecipada para o governo de Minas Gerais, como também faz o prefeito Alexandre Kalil, enquanto a população sofre hoje com as mais de 40 mil mortes por Covid no estado, e o medo da população com o desemprego e a fome.

Na mesa, os apresentadores usaram como símbolo decorativo de seu reacionarismo nesta entrevista um livro do jornalista bolsonarista Rodrigo Constantino, machista misógino que defendeu o estupro de Mariana Ferrer em 2020. E uma estátua dourada de um pitbull, imagem canina usada por Bolsonaro para se referir a seus filhos e sua educação patriarcal, machista e misógina. Símbolos que de certo agradam Zema por seu ódio aos direitos de trabalhadores quanto por seu machismo típico das elites patriarcais.

Na entrevista do Pânico, Zmea, ao ser perguntado sobre quem vai apoiar para a eleição presidencial de 2022, se Bolsonaro ou João Amoedo (presidente do Partido Novo também anunciou sua pré-candidatura para 2022), Romeu Zema disse: “Olha eu admiro os dois, cada um a sua maneira (...) Eu vou ter que apoiar o candidato do Partido Novo, vale lembrar que o Partido Novo tem muitas pautas liberais que coincidem com as pautas do ministro Guedes, então muita coisa flui no mesmo sentido”. Zema, que veio buscando se afastar do seu prévio negacionismo, mantêm sua agenda de ataques e reacionarismo típicos do governo de Bolsonaro e Mourão e das reformas de Paulo Guedes.

Respondendo ao problema da crise fiscal do Estado, crise que é fruto das gestões privatizantes e tucanas dos governos de Aécio Neves e Anastasia, e depois da gestão petista de Fernando Pimentel que manteve as isenções fiscais a grandes empresários e ataques aos trabalhadores, Romeu Zema voltou a defender o programa liberal de Paulo Guedes de privatizações, como a da Eletrobrás, Petrobrás e seu projeto de privatização da Cemig. Programa que não difere da agenda clássica tucana e sua submissão ao imperialismo, e que já mostrou ser incapaz de responder até mesmo qualquer déficit fiscal, uma vez que serve apenas para atender à sede de lucro dos ricos e poderosos.

O atual governador também fez sua propaganda do acordo firmado pelo governo com a Vale após a tragédia de Brumadinho, empresa que lucrou em apenas três meses quase todo gasto acordado com Zema para reparar os crimes em Brumadinho, enquanto famílias seguem sem casa. Ou seja, um grande exemplo do que é a privatização que Zema defende e que quer expandir o modelo para os serviços energéticos para ser extremamente lucrativos para um punhado de capitalistas, enquanto piora ainda mais a vida da população que sofre com contas caras ou apagões devido a privatização de muitas subsidiárias.

E para trabalhadores dos serviços públicos que são os quem garantem direitos básicos da população como educação e saúde e são em sua maioria mulheres, Romeu Zema também destilou seu veneno, expressando que após a aprovação do ataque à reforma da previdência no estado no ano passado, é preciso ir por mais e ser aprovada a Reforma Administrativa em âmbito federal e também no estado, agenda comum a ele e a todo regime político que inclui o STF, o Congresso.

Além de elogiar Bolsonaro, Zema também elogiou a Polícia Militar mineira, corporação racista e assassina que, junto aos militares, são parte dos verdadeiros privilegiados que sequer são julgados pela justiça comum, além de receberem altos salários como juízes que nunca foram eleitos por ninguém e serem praticamente os únicos a receberem em dia em seu governo os salários. Enquanto as trabalhadoras da saúde tiveram descontos de salário em plena pandemia mesmo sendo as que realmente salvam vidas.

E como todo empresário, é contra os direitos de trabalhadores e dos serviços públicos que ele esbanja sua ojeriza, defendendo ataques a direitos históricos da estabilidade de trabalhadores dos serviços públicos. E como ele mesmo se gabou, disse na entrevista sempre ter estabelecido relações com os empresários industriais e bancos do setor privado. O que reafirma que como todo empresário, Zema defende seus interesses de classe e das elites do país, usando o estado como seu balcão de negócios.

Contra esse governo não é possível ter ilusão nas saídas institucionais que o PT aposta também em Minas Gerais, ao paralisar a ação das bases de trabalhadores mirando 2022 com a CPI dos fura fila na Assembleia Legislativa para desgastar e não derrotar o governo Zema, ou suas negociações com Kalil para as eleições de 2022 para governo do estado.

Enfim, mais um show de reacionarismo de Romeu Zema, desta vez organizado pelos apresentadores direitistas do programa Pânico, banhado com símbolos machistas e do ódio das elites contra os trabalhadores e o povo. Governo que, como o de Bolsonaro e Mourão, tem que ser combatido com a confiança na força da mobilização de trabalhadores, e da juventude que saiu às ruas no dia 29 de maio.




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