DESEMPREGO

Com apenas 46,8% da população em idade de trabalhar ocupada, Brasil bate recorde

Em apenas um ano o Brasil teve queda absurda de 12 milhões de postos de trabalho, segundo dados mais recentes da Pnad, do trimestre encerrado em agosto, dado este que contempla os mercados formal e informal, considerando empregados, empregadores e trabalhadores que atuam por conta própria.

terça-feira 24 de novembro de 2020| Edição do dia

Foto: Alina Souza/Correio do Povo

A pandemia da Covid-19 têm terminado de aniquilar o mercado de trabalho brasileiro em 2020: menos da metade da população em idade de trabalhar está ocupada. A taxa de ocupação (que calcula a proporção de pessoas ocupadas dentro da população em idade de trabalhar) é a pior desde 1992, atingindo, assim, o menor patamar em 28 anos (o nível de ocupação chegou em 46,8%, quando em 1992 era de 60,1%). Ou seja, de cada 100 brasileiros em idade de trabalhar (a partir dos 14 anos, pela metodologia do IBGE), somente cerca de 47 estão de fato trabalhando. Pretos, pardos e mulheres são os mais prejudicados.

Rodolpho Tobler, do FGV-Ibre, lembrou à Folha de SP que antes da pandemia chegar o país ainda sequer havia recuperado as perdas causadas pela recessão de 2015/16, sendo que em dezembro de 2014, antes da crise econômica, o Brasil tinha nível de ocupação de 56,9%, chegando a 53,1% em março de 2017, o mínimo até então. Com a alta da informalidade e empregos precários nesse momento o país diminuiu esta taxa, e em novembro de 2019 atingiu o maior patamar de ocupação pós-recessão, de 55,1%. Em maio deste ano, pela primeira vez na história, o nível de ocupação ficou abaixo dos 50%.

A redução inédita nesta pesquisa foi puxada principalmente pelos trabalhadores informais. Foram de 5,8 milhões para 7,8 milhões de trabalhadores brasileiros que perderam o emprego no trimestre encerrado em maio. Com isso, a taxa de informalidade despencou de 40,6% para 37,6%, a menor taxa desde 2016. São as mulheres (com queda de 45,9% para 39,4%), pessoas pretas ou pardas as proporcionalmente mais afetadas.

Otto Nogami, economista do Insper, comentou à Folha que, além disso, a pandemia "alterou nossa percepção de ambiente de trabalho", aniquilando empregos, e com o possível aumento do serviço de home office após a pandemia se planeja fechar muitos lugares físicos de trabalho, o que reduzirá mais.

Frente a grande incerteza colocada hoje com os índices da pandemia voltando a crescer e com a ausência de uma vacina, a situação pode se agravar mais. Já no ano passado, foram registradas na América Latina a cifra assustadora de 42,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, ou seja, que não sabem se terão acesso a próxima refeição. Durante a pandemia, 14 milhões de pessoas entraram nessa condição.

Mesmo frente a todos estes dados escandalosos colocados, mostrando que tendo só a aumentar ainda mais a fome no Brasil, Paulo Guedes afirmou no dia de ontem, 24, que "Não haverá prorrogação do auxílio emergencial", afirmando cinicamente que a pandemia está "cedendo" e a economia "está voltando forte" (!). Com os dados de altíssimo índice de desemprego é evidente que as consequências da pandemia perdurarão por muito mais tempo, ainda mais porque a retração da economia e a crise internacional diminuem as perspectivas ainda mais para uma retomada econômica, como cinicamente Guedes quer convencer. Mas Guedes prefere garantir o pagamento da ilegal e fraudulenta dívida pública, mantendo seus compromissos com os especuladores internacionais que saqueiam o país e as suas riquezas com suor dos trabalhadores, do que garantir o auxílio para a população.

Essa situação apenas escancara em números a realidade que já é vivida pela maioria da população, que o machismo e o racismo são ferramentas utilizadas pela burguesia para manter os lucros capitalistas, uma vez que os mais afetados são as mulheres e negros com histórico índice de desemprego, exploração e miséria. É nas costas da população trabalhadora, que seus efeitos são lançados de forma mais devastadora, assim como são justamente esses setores os mais afetados pela pandemia.

Combater a crise econômica para os trabalhadores, em países como o Brasil, significa não só diminuir o desemprego, é necessário defender os principais setores produtivos da indústria, que os trabalhadores assumam o combate à pandemia para que o melhor da tecnologia e da capacidade produtiva estejam a favor de garantir que mais nenhum brasileiro morra desse vírus. Para combater a pandemia, a crise ambiental e social é necessária uma articulação dos trabalhadores para um plano coordenado que envolva obras públicas, serviços de saúde, recuperação ambiental e maquinário, com trabalho digno para todos e revogação de todas legislações anti-operárias que contribuíram para aumentar ainda mais a precarização do trabalho.

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