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MULHERES NEGRAS E MARXISMO | Com Letícia Parks, Pão e Rosas DF/Centro-Oeste inicia grupo de estudos regional

O Pão e Rosas DF/Centro-Oeste realizou no último sábado, 10 de abril, a primeira reunião do Grupo de Estudos do curso: Mulheres Negras & Marxismo. O encontro contou com a presença da ministrante do novo curso do Campus Virtual do Esquerda Diário e co-organizadora do lançamento das Edições Iskra - Mulheres Negras e Marxismo -, Letícia Parks. Jovens, trabalhadores e estudantes se reuniram para aprofundar o tema “Opressão e Exploração” da 1ª aula que foi ao ar no dia 06/04. Confira abaixo e participe também!

Cris LibertadProfessora da rede estadual em Anápolis - GO.

Jéssica SchülerDoutoranda em Ecologia pela UnB

terça-feira 13 de abril | Edição do dia

Foto do grupo de estudos do DF e Centro-Oeste em apoio à greve das metalúrgicas terceirizadas e efetivas da LG e suas fornecedoras em SP

No último sábado, 10 de abril, o Grupo de Mulheres Pão & Rosas DF/Centro-Oeste promoveu a primeira reunião do Grupo de Estudos do Curso: Mulheres Negras e Marxismo que está oferecido pelo Campus Virtual Esquerda Diário com a condução da Professora Letícia Parks, que é uma das organizadoras do livro lançado em 26 de março pela Edições Iskra. Letícia Parks, que é dirigente do MRT, do Pão & Rosas e Quilombo Vermelho também esteve presente na reunião do Grupo de Estudos, que contou com a participação de trabalhadores e estudantes de Brasília e do DF em geral, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Com o tema “Opressão e Exploração”, os debates buscaram aprofundar questões como a teoria da exploração de Marx e como as diversas formas de opressão se dão dentro do capitalismo. Vários questionamentos foram pontuados. Desde as diferenças fundamentais dos conceitos de opressão e exploração à falácia da meritocracia, a questão da mais-valia e da apropriação dos capitalistas do excedente dos trabalhadores. A dupla jornada, até tripla jornada de trabalho das mulheres, que são exploradas duplamente em razão do trabalho doméstico e como o capitalismo se apropria de tal, se amparando no racismo e patriarcado para super explorar e oprimir sobretudo as mulheres principalmente as pobres e negras.

Para acessar as bibliografias se inscreva aqui.

Esse curso e debate acontecem em meio a uma crise capitalista de grandes proporções na qual Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe institucional de 2016 a descarregam nas costas dos trabalhadores. Um exemplo claro disso foi a reforma da previdência ou até mesmo a PEC 186, que congela os salários de professores - que em sua maioria são mulheres - e de trabalhadores da saúde - também formada massivamente por mulheres - até 2036. Ou seja, do Estado capitalista e seus representantes nada podemos esperar a não ser mais miséria, ataques e retiradas de direitos em meio ao pior momento da pandemia no Brasil.

O curso, livro e debates têm o poder de nos apresentar a ferramenta que é o marxismo revolucionário do nosso tempo para pensar a teoria ligada à política hoje, um verdadeiro guia para a ação, para podermos avançar em pensar estrategicamente, analisando a dinâmica, nessa 1ª aula, da opressão e exploração, o caminho de emancipação da classe trabalhadora, pois só ela, junto aos mais oprimidos, pode dar uma resposta à altura das mazelas do capitalismo e golpeá-lo de vez. Para isso, nossa luta precisa agora, só a nossa classe pode dar uma resposta para a crise. Assim, não podemos repetir os mesmos erros do PT, que administrou o capitalismo por 13 anos, e a nossa luta não pode esperar 2022 como alguns setores da esquerda propõem. Também debatemos o forte papel que cumprem as burocracias sindicais presentes nos sindicatos e nas Centrais, como a CUT e a CTB - dirigidas pelo PT e PCdoB - em não organizar a luta dos trabalhadores.

Outros importantes temas debatidos foram a representatividade e o feminismo interseccional, esse último que apesar de ter raízes em um confronto ao feminismo liberal e tentar abranger as complexidades das opressões vividas pelas mulheres negras e trabalhadoras, diverge do feminismo marxista socialista (perspectiva que Pão e Rosas luta), ao tratar a classe como mais uma forma de opressão e não como um elemento estruturante da sociedade capitalista. Por isso, debatemos que há uma diferença fundamental entre interseccionalidade e marxismo, muitos acham que são parte de uma mesma teoria, mas não são.

A classe atravessa de ponta a ponta as opressões e analisar o sistema de dominação capitalista que se configura entre duas classes, explorador e explorado - burguesia e proletariado - é determinante para entender os contornos que as diversas formas de opressão tomam, assim como a exploração. Entender isso nos ajuda a pensar justamente o que a interseccionalidade não pensa: o caminho de emancipação da mulher e qual o sujeito(revolucionário) que pode levar a frente a superação desse sistema baseado na exploração e opressão da maioria (trabalhadores). Partindo desse entendimento, a luta de superação das opressões toma um caráter revolucionário, colocando toda a classe trabalhadora que no Brasil é majoritariamente negra e feminina, mas que também é composta por homens, LGBTQI+, etc, como sujeitos revolucionários conscientes da superação das opressões antes, durante e depois da derrubada do capitalismo. E sua ferramenta? O marxismo revolucionário, presentes nos legados de Tróstki, Lênin, Rosa Luxemburgo, CLR James.

Demonstrando o caráter de união e apoio que o movimento de mulheres deve ter em relação às lutas dos trabalhadores, ao fim da reunião, os participantes tiraram fotos em solidariedade às trabalhadoras da LG contra as demissões destas tanto na planta principal, quanto das suas fornecedoras, indicando o caráter de unificação das lutas com os metroviários de SP - que votaram um indicativo de greve para o dia 20/04 - pela a proibição das demissões e por vacina para todos. Mande sua foto em apoio também!

A próxima reunião do Grupo de Estudos Mulheres Negras & Marxismo do Pão & Rosas DF/Centro-Oeste será no próximo sábado, dia 17 de abril, e contará com a presença de Flávia Telles, militante do Pão e Rosas e Quilombo Vermelho e autora de alguns artigos do livro MNeM.

Hoje, dia 13 de abril, se dará a segunda aula do curso online e gratuito, com o tema: “Luta Negra e Luta de Classes” às 20 horas no Campus Virtual do Esquerda Diário e no canal do YouTube do Esquerda Diário. Participem!

Cronograma do Grupo de Estudos regional:

1ª aula: 06/04 - Opressão e exploração / GE: 10/04 - 16h
2ª aula: 13/04 - Luta negra e luta de classes / GE: 17/04 - 16h
3ª aula: 27/04: Negras no topo? / GE: 02/05 às 16h
4ª aula: 04/05: Mulheres negras e estratégia / GE: 08/05 às 15h

Se você é do Distrito Federal ou região e quer participar, mande uma mensagem para (61)99903-2711 - Luiza




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