Política

TRIBUNA DO NORTE

Colunista do Tribuna do Norte é bolsonarista que defende atirar em comunistas

Alex Medeiros é jornalista e passou a escrever para o jornal Tribuna do Norte em meados de 2020. Ao acessar as suas redes sociais é possível suspeitar se não se trata de um daqueles robôs bolsonaristas que passam o dia defendendo todo tipo de aberração autoritária, saudosista da ditadura, negacionista, ideologicamente moldada no olavismo.

Ítalo Dias

Sociólogo

quinta-feira 18 de fevereiro| Edição do dia

Nessa quarta-feira, 18, publicou uma foto de uma pistola Glock 9mm com o texto: “Aponte para assaltantes e comunistas, não necessariamente nessa ordem”. Um escândalo de reacionarismo diretamente incitando a perseguição e assassinato oposicionistas. No cérebro de estrume desse tipo de comentador, comunista é qualquer coisa que critique Bolsonaro, cabendo até a Globo ou ministros do STF ex-defensores da Lava-Jato. É intolerável esse tipo de declaração. É ainda mais intolerável que a Tribuna do Norte esteja dando espaço para gente que pensa desse jeito.

O escândalo deste tweet acompanhou os debates em torno da prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), após gravar um vídeo defendendo o fechamento do STF e “descer a porrada” no ministro Edson Fachin. Nos colocamos lado a lado de todos aqueles que querem se enfrentar com o projeto reacionário e golpista dessas figuras desprezíveis. Elas são expressão desse regime político do golpe institucional de 2016, que abriu espaço para que setores de extrema-direita saíssem dos bueiros.

Um golpe que teve como objetivo aprofundar a política de descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores, das mulheres, negros e LGBTs, com suas reformas todas, aprofundando ataques iniciados ainda no governo Dilma. Um golpe que teve como plano de fundo a Lava-Jato e uma série de medidas antidemocráticas, como a prisão de Lula e sua proscrição, que denunciamos incansavelmente nesse portal.

Todas essas iniciativas foram acompanhadas e apoiadas pelo Tribuna do Norte, que apoiou cada reforma de Temer, Bolsonaro, mas também daqueles vindos de governos do Rio Grande do Norte, a serviço dos membros da Fiern, da Fecomércio e dos reacionários oligarcas regionais, como o Plano Diretor e a reforma da previdência de Álvaro Dias (PSDB) em Natal, mas também, não esqueçamos, a reforma da previdência estadual de Fátima Bezerra (PT). Abrir espaço para um bolsonarista escrever nas suas páginas diz muito do reacionarismo desses capitalistas regionais e suas relações com o governo Bolsonaro através dos ministros Rogério Marinho e Fábio Farias.

A declaração e Daniel Silveira expressou as divisões ainda latentes dentre os atores golpistas desse regime. O ex-comandante do exército, General Villas Boas, admitiu que a alta cúpula das Forças Armadas interviram na discussão sobre o direito de Lula ao Habeas Corpus, com declarações golpistas durante julgamento do STF, colaborando com os fins políticos da Lava-Jato. Mas também o STF de Fachin, que se disse “indignado” com a declaração de Villas Boas, tem plena responsabilidade pelas arbitrariedades da Lava-Jato. Todos estavam juntos na garantia de condições políticas mais favoráveis para avançar o projeto econômico do golpe e são responsáveis por Bolsonaro.

Veja também: Indignação hipócrita: STF e Forças Armadas atuaram com a Lava Jato em prol do golpe

Diante dessa divisão entre duas forças autoritárias desse regime, é necessário a construção de uma força independente de massas que combata o bolsonarismo, sem confiar nas ações de uma ou outra parte, como a prisão de Daniel Silveira, que o STF deliberou com base na Lei de Segurança Nacional, herdeira da ditadura. Legitimar esse tipo de ação do STF, que hoje aponta contra o bolsonarista, corrobora com métodos autoritários que mais cedo ou mais tarde se voltarão com muito mais força contra os trabalhadores, seus partidos e organizações. Não é possível aplaudir tais medidas, como tem feito o PT, setores do PSOL e da UP.

Frente ao caso do colunista do Tribuna do Norte, o PCdoB, PSOL, PT e UP, anunciaram que vão entrar no Ministério Público contra o colunista por incitar a violência, enquanto deputado Sandro Pimental e o vereador Robério Paulino, pedem que suas câmaras rompam contratos com o Tribuna do Norte. Essas medidas colocam nas mãos do judiciário e da câmara o arbítrio de punir e censurar o jornalista, que não podem derrotar o bolsonarismo. Legitimam métodos que podem se voltar contra a própria esquerda e os trabalhadores, cuja organização independente é a única via de barrar a extrema-direita, mas também todos os golpistas desse regime, junto com os capitalistas que eles representam.

Como expresso no editorial do Esquerda Diário de hoje: “Diante de todos os ataques, portanto, essas divisões nas alturas poderiam abrir caminho para os setores de massas lutarem. Seria um ponto de apoio para exigir das direções dos movimentos de massas que rompam com sua passividade e lutem contra cada um dos ataques. Isso porque essas disputas entre STF, o parlamento e Forças Armadas é um salto de qualidade na divisão entre os de cima e isso significa que é ainda mais criminosa a política de passividade das centrais sindicais dirigidas pela CUT e pela CTB, da política de "Frente Ampla" com governadores golpistas e burgueses e da docilidade com o STF como "oposição responsável" contra Bolsonaro”

EDITORIAL: As disputas entre o STF e as Forças Armadas reatualizam a luta contra o regime do golpe institucional

É fundamental que ao invés de depositarem confiança nas ações do STF, organizações de esquerda como o PSOL e seus parlamentares e figuras públicas, o PSTU, a CSP-Conlutas, Intersindical e todas as organizações classistas e combativas assumirem pra si a batalha contra a passividade das centrais sindicais colocando de pé um forte polo antiburocrático da esquerda que exija medidas concretas de luta a partir de assembleias, reuniões de base e ações como manifestações de rua e greves.

Nesse caminho, é necessário o debate sobre qual a saída política para esse regime, diante do fato de que o impeachment é também uma política do golpismo para salvar o regime frente a um aprofundamento das disputas internas do regime e a crescentes processos da luta de classes. Somente a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que pudesse destroçar todas essas instituições e colocar na mão da população a decisão sobre os rumos do país poderia dar uma resposta a essa situação que exigiria a auto-organização das massas para defender a soberania popular da repressão do estado mas também abriria espaço para que os trabalhadores avançassem num sentido de ruptura com o sistema capitalista.




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