Mundo Operário

PRIVATIZAÇÃO LINHA 5

Coletiva de imprensa do Sindicato dos Metroviários debate prejuízos da privatização anunciada por Geraldo Alckmin

sexta-feira 24 de julho de 2015| Edição do dia

Na manhã desta quarta-feira, 22, foi realizado no Sindicato dos Metroviários de São Paulo uma coletiva de imprensa, chamada pela direção do sindicato para colocar sua opinião contrária as declarações de Geraldo Alckimin sobre a abertura de licitação para a privatização da Linha 5 – Lilás, que atende a região de Santo Amaro e Capão Redondo, através do projeto de PPP (Parceria Público-Privada), que foi anunciado ontem em matéria no Esquerda Diário. Estavam presentes na coletiva repórteres da Rede Globo de televisão, portal G1 e a equipe do Esquerda Diário, e representando o sindicato estavam os diretores do sindicato Narciso Soares, Operador de Trem da Linha 5 e Rodrigo Armando, Técnico de Manutenção da Linha 5, além da presença de outros integrantes da direção do metrô e parte dos metroviários demitidos na greve do ano passado.

Segundo Narciso, “o plano do governo desde muito tempo está sendo de privatizar, tanto que as novas linhas ele vem fazendo todas privatizadas, ele só não vinha fazendo nas linhas do monotrilho por não conseguir a privatização, e agora ele está tentando fazer um novo processo de privatização dando mais garantias aos empresários. Então ele tenta fazer um processo em que o empresário entra em um negócio quase sem risco, entra sem dinheiro porque o estado entra com quase todo o financiamento e na prática fica só a empresa privada com o lucro, operando [o sistema] pior do que a gente opera”. Exemplo como essa pode ser encontrado hoje na Linha 4 – Amarela, em que as empresas responsáveis pela construção e administração da obra receberão cerca de R$ 1,8 Bi de reais para concluírem cerca de 3,8 km de malha metroviária e construírem 4 estações, um investimento de quase R$ 500 mil reais por estação e um atraso de quase 3 anos (se entregues nos novos prazos) com relação ao plano original. Além disso, é visível a drástica diminuição do quadro de funcionários desta linha, que possui cerca de 4 vezes menos funcionários por estação que a média de funcionários nas demais estações de metrô (quantidade esta insuficiente hoje para atender os cerca de 5 Milhões de usuários que utilizam a linha diariamente), o que diretamente acarretaria em demissões.

Para os representantes do sindicato, essa medida deixa claro que o compromisso do Governador é com os empresários que serão beneficiados por esta licitação e não com a população, uma vez que muitas destas empresas já foram processadas por esquemas de corrupção e cartel, envolvendo a reforma de trens do metrô. Para Rodrigo Armando, “Não se tem intenção por parte do governo em melhorar ou ampliar a Linha 5, no projeto que hoje está colocado. Foram comprados novos trens, porém com um sistema diferente do que existe atualmente, o sistema CBTC [funcionamento do trem por rádio e sem operador], mas a linha não possui isso [compatibilidade com este sistema] e os trens estão parados nos pátios, sendo que na Linha 5 existem hoje cerca de 28, sendo que 8 funcionam desde a inauguração da linha e cerca de 20 trens estão hoje sem funcionar”. Isso mostra como o Governo Alckimin não possui interesse nas melhorias, mas em quem irá se beneficiar deste processo.

Uma das demitidas do metrô de São Paulo na greve do ano passado, Marília Rocha esteve presente na coletiva de imprensa e falou sobre este processo de privatização, “Devemos lutar para barrar os ataques que os governos, tanto federal como estadual, tem feito aos serviços públicos e que apenas visam garantir a lucratividade dos empresários, enquanto os trabalhadores e a população sofrem com um transporte precário, superlotado e que não chega às regiões mais precárias da cidade. Além disso, esta situação expõe diariamente as mulheres que utilizam o sistema, vide os recentes casos de abuso sexual que foram noticiados dentro das estações e dezenas de outros que se encontram fora da estatística. A resposta deve ser outra: a estatização dos transportes, mas sob controle dos trabalhadores e da população que o utiliza, pois apenas estes podem dar uma real saída para o problema da mobilidade urbana hoje”.

O sindicato dos metroviários irá organizar uma reunião com outras categorias da área de transporte que também estão sofrendo processo de privatização, como os metroviários de Belo Horizonte e Porto Alegre, suas centrais sindicais e com os movimentos sociais para que haja uma frente contra as privatizações, além de propor aos parlamentares dos partidos de esquerda que encabecem uma campanha por um plebiscito que coloque a população para colocar a sua opinião sobre este tema.




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