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DENÚNCIA

Colégio Marista em BH demite trabalhadores em meio ao retorno inseguro das aulas

O Colégio Marista Dom Silvério, uma das escolas mais tradicionais e das mensalidades mais caras de Belo Horizonte, demitiu dezenas de trabalhadores.

terça-feira 25 de maio| Edição do dia

Porteiros, faxineiros, educadores contratados pelo quadro administrativo da escola, receberam entre quinta-feira (20) e segunda-feira (24) ligações da escola informando sobre o desligamento. Essa redução de quadro acontece em meio à pandemia, em que famílias terão que lidar da noite para o dia com a realidade do desemprego.

O nível de covardia da patronal do Marista se acentua quando demitem no meio do ano e antes das férias, quando esses trabalhadores terão ainda menores chances de encontrar um trabalho na educação em outras escolas, que costumam abrir seus processos de contratação no final do ano.

Enquanto isso, as matrículas na educação infantil na escola batem recorde de novos alunos. E no final do ano passado o Marista comprou o Colégio Padre Eustáquio. Ou seja, mesmo com aumento de matrículas e expandindo seus negócios, a patronal passa o facão e mostra que descarrega a crise nas costas de trabalhadores. É um absurdo que essas demissões aconteçam. Por isso defendemos uma lei municipal que proíba as demissões ao longo da pandemia.

As demissões afetam a maioria de trabalhadores negros e mulheres, e acontecem em meio ao retorno inseguro das aulas pela prefeitura de Alexandre Kalil, cedendo a esses mesmos donos das escolas particulares. Empresários que além de lucrar com o retorno inseguro, ainda demitem trabalhadores. Isso quando deveria ser a comunidade escolar a definir quando e como retornar ao trabalho.

O medo da demissão é sentido no cotidiano por todos os trabalhadores da educação das redes particulares, que vivem a realidade do medo da contaminação com o retorno inseguro, o medo do desemprego e a sobrecarga de trabalho pelo ensino remoto que as patronais aproveitam pra super explorar ainda mais os trabalhadores.
O sindicato de professores das redes particulares, SINPRO-MG (dirigido pela CTB/PCdoB), e o SAAE-MG (sindicato dos auxiliares de administração escolar, que também divulga orientações da CTB em suas redes, apesar de não informar qual central sindical é filiado) tem que romper sua paralisia e enfrentar os ataques das patronais.

É urgente a unidade entre os trabalhadores da educação das escolas particulares, unificando professores e auxiliares escolares com um só punho contra as demissões, contra o assédio moral nas escolas e contra o retorno inseguro das aulas imposto por Kalil.

Os sindicatos que atuam nas categorias de trabalhadores na rede particular deveriam estar a serviço dessa batalha para barrar essas demissões, convocando urgentemente assembleias e votando ações para auto-organizar trabalhadores, considerando todas as medidas preventivas contra perseguição e invasões de reuniões virtuais da categoria pelo sindicato patronal (o Sinep), que além de tudo atua com agentes infiltrados em espaços virtuais.

Basta de deixar nossas vidas nas mãos de empresários milionários e de Kalil que serve a esses interesses. É urgente a organização de trabalhadores nas escolas particulares contra as demissões.




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