Política

OPINIÃO

‘’Cirão das Massas’’ ou mais um político a serviço dos ricos? Quem é Ciro Gomes afinal?

quinta-feira 23 de junho de 2016| Edição do dia

A atual crise política e econômica que o país está vivendo, está fazendo com que setores de massas tenham cada vez mais rechaço aos tradicionais partidos burgueses. A burguesia percebendo esta situação está forjando candidatos "outsiders", representantes burgueses que passam uma imagem de serem independentes do atual regime. Um destes candidatos é Ciro Gomes, quadro da burguesia que está canalizando o sentimento honesto de milhares de jovens que estão se colocando contra o reacionário golpe institucional.

Ciro Ferreira Gomes é um político burguês brasileiro, nascido no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, filho de um advogado de sobral Ceará. Formado em direito pela Universidade Federal do Ceará, ingressou na vida política em 1982, filiando-se ao PDS (partido que é desmembramento da Arena, partido que foi sustentação da ditadura militar). Eleito deputado federal em 1983, Ciro Gomes trocou o PDS pelo o PMDB, reelegendo-se em 1986, quando novamente muda de sigla e ingressa no PSDB (partido que é conhecido por seus escândalos de corrupções, mas também por ser linha de frente quando se trata de ataque contra os trabalhadores).

Em 1988 Ciro Gomes é eleito prefeito de Fortaleza com o apoio de Tasso Jereissati que hoje é filiado ao PSDB. Lembrando que Jereissati esteve na linha de frente na campanha de Aécio Neves em 2014 no Ceará e faz parte do PSDB que através de José Serra e Geraldo Alckmin procuram ser beneficiados com o golpe institucional. Numa entrevista a um programa de televisão, Ciro Gomes define o impeachment como uma quadrilha de bandidos que usurparam uma jovem democracia, mas ele não falou que anteriormente foi aliado desta mesma quadrilha.

Já como Governador do Ceará, Ciro Gomes foi entrevistado no programa Roda Viva e quando foi perguntado sobre uma greve dos trabalhadores da Seproce (Serviço de processamento de Dados) ele falou: "Isso foi o que eu ouvi falar. Liguei para o presidente do Seproce, que é um técnico conhecido no meio, perguntei a ele o que estava acontecendo e ele me disse que não, que estava tudo sob controle, que estava agindo de maneira a garantir. E eu disse a ele que agisse com mão de ferro - isso é o que eu penso que deve ser feito. Eu não aceito... Eu não disse que era anarquista, até porque não vi nada demais; o que eu acho é que instalar anarquia no Ceará ninguém vai fazer. Isso é o que eu estou dizendo. O que eu considero anarquia? É quebrar a possibilidade, por uma razão corporativa... Podem lá desejar melhores salários, isso é justo, é honesto, é procedente, mas usar para essa razão um poder que não é deles, de paralisar o estado inteiro porque controlam as máquinas de informática e impedir que todos os seus colegas recebam seus salários, isso não vou admitir absolutamente nunca’’

Um pouco antes, na mesma entrevista concedida ao programa Roda Viva, Ciro Gomes afirma ter feito um programa de recurso hídrico e desenvolvimento Urbano junto ao Banco Mundial. Na época em que foi prefeito de fortaleza, ele emprestou 505 milhões de dólares para o mesmo para poder desenvolver este mesmo programa. Já como governador do Ceará, este afirma que o Estado tinha um investimento privado de 500 milhões de dólares. Esta postura fez com que Ciro Gomes quando foi candidato para presidência em 2002, falasse na época que o Estado tem que atuar junto com a "iniciativa privada" e que era favorável às privatizações.

Em toda sua carreira política, não se viu nenhum projeto de Ciro Gomes que questionasse o salário dos políticos e dos funcionários de alto escalão. Todo mundo sabe que materialmente falando, qualquer um que viva com um salário de um político burguês vai enriquecer e vai ter uma condição de vida mais elevada do que a classe trabalhadora e demais setores populares da sociedade. E o supersalários e os privilégios que os políticos e os funcionários de alto escalão recebem são uma a política de cooptação burguesa, pra fazer com que os mesmos atuem servindo o seus interesses.

Lembrando que um ano antes de ser governador do Ceará, o Ciro Gomes apoiou Mario Covas como candidato para a presidência da república, o mesmo ex-candidato que viria ser mais tarde governador do Estado de São Paulo pelo PSDB, partido que está governando São Paulo por mais de 20 anos e tem uma política sistemática de sucateamento do transporte, saúde e educação pública no Estado e que está envolvido no caso de corrupção do metro de São Paulo, onde o próprio Mario Covas era um dos envolvidos.

Em 1996, abandona o PSDB e filia-se ao PPS pelo qual concorre à presidência da república em 1998 e 2002. No segundo tuno de 2002, apoia a candidatura de Lula. Sabemos que em 2002, Lula escreve a "Carta aos Brasileiros" com o objetivo de convencer a burguesia que ele era digno de confiança da classe burguesa. Um ano depois, já estando no PSB, assume o Ministério de Integração Nacional, renunciando ao cargo em 2006.

Ciro Gomes é irmão de Cid Gomes, que ficou conhecido por afirmar que "Professor deve trabalhar por amor, não por salário". Cid Gomes ao fazer esta afirmação defendeu o sucateamento da educação pública causado pelas políticas neoliberais. O que vimos por parte de Ciro Gomes perante a declaração do irmão foi um profundo silêncio.

Antes do golpe institucional, Ciro Gomes era presidente da Transnordestina, empresa subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em abril de 2016, com o argumento de não ter dinheiro para dar continuidade nas obras que envolvem o trecho Simplício Mendes, sul do Piauí, a empresa Transnordestina demitiu cerca de 400 funcionários.

Caso a operação Lava Jato consiga avançar e prender Lula, impedindo que dispute as eleições presidenciais de 2018, a pré-candidatura de Ciro Gomes é um nome forte pra preencher este vazio. Frente a este fato, as declarações do pré-candidato Ciro Gomes contra o golpe institucional visam canalizar o sentimento de milhares de jovens que estão dispostos a se enfrentar contra a direita para poder se projetar eleitoralmente.

Ciro Gomes não pode ser uma resposta à crise econômica e política que o país vive, pois ele faz parte deste sistema de suborno e exploração que causou este caos no Brasil. Ele é apenas mais um político burguês, que tenta passar uma imagem de progressista, mas durante a sua carreira sempre esteve colado com os políticos de direita. E como todo político a serviço da burguesia, procura atuar em seus partidos.

A única saída pra por abaixo este governo golpista, não é apoiar uma possível candidatura de Ciro Gomes e muito menos apoiar o "Volta Dilma" da CUT, MST, CTB, MTST e UNE, mas sim lutar por uma assembleia constituinte livre e soberana imposta pela mobilização dos trabalhadores e demais setores populares da sociedade. Impor esta assembleia constituinte só é possível se nos organizarmos desde a base para solidarizar com as lutas que estão ocorrendo nas universidades estaduais paulistas, dos professores e estudantes do Rio de Janeiro e dos estudantes secundaristas do Rio Grande do Sul.




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