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ARGENTINA

Chubut: o povo saiu às ruas de toda a província por Jorgelina e María Cristina

Jorgelina Ruíz Días e María Cristina Aguilar faleceram nessa terça-feira, depois de um acidente na Rota 3 quando voltavam junto a mais três docentes da marcha em Rawson. Em Comodoro Rivadavia, Trelew, Puerto Madryn e Rawson, Esquel, entre outras cidades, dezenas de milhares saíram às ruas pelas professoras que perderam a vida.

quinta-feira 19 de setembro| Edição do dia

Nessa terça-feira a província de Chubut se comoveu. Primeiro foi a notícia do pedido do governador de duplicar seu salário em meio à reivindicação salarial de dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Por isso as marchas em Rawson e outras localidades. Mais tarde a triste notícia do acidente que cobraria a vida de Jorgelina e María Cristina. O povo de Chubut não suportou mais e, apesar da hora, saiu às ruas à noite.

Em Comodoro Rivadavia, Trelew, Porto Madryn e Rawson, Esquel, entre outras cidades, dezenas de milhares saíram às ruas pelas docentes que perderam a vida. Em Rawson, milhares de pessoas atearam fogo frente à Legislatura e nas portas da Casa de Governo. Esta quinta-feira haverá mobilizações em toda a província.

A filha de uma das professoras falecidas fez uma publicação emotiva: “Se foi minha mãe. Não vou ver minha mãe nunca mais. Me repito isso uma e outra vez para assimilar. Se foi para sempre. Se foi lutando, com essa garra que sempre a caracterizou, de onde tirava tantas pilhas? Desde 2005 na luta, exigindo o que corresponde. Queria ser professora e tinha que explicar que sua vocação não pagava as contas, queria estar nas salas de aula e viver dignamente, algo tão básico!. O que são esses tempos em que se há que defender o óbvio?! Minha mãe não volta às aulas nunca mais. Até isso lhe tiraram. E, a nós, nos tiraram nossa mãe. Sua luta segue viva para sempre. Te amo com tudo o que sou.”

Sentimos falta das duas companheiras de Chubut

A agrupação docente Marrón que impulsiona o PTS-Frente de Esquerda junto a centenas de trabalhadores e trabalhadoras da educação, difundiu um comunicado.

Recém descobrimos a terrível notícia de que duas companheiras docentes faleceram e outras duas estão em estado muito grave após um acidente quando voltaram da manifestação em Rawson pelos salários que o governador peronista Arcioni não paga, e no mesmo dia que anunciava o aumento do seu próprio salário. Falecerem como resultado de um acidente em seu regresso a Comodoro Rivadavia depois de 10 semanas sustentando a luta à qual se viram empurrados milhões de docentes e funcionários estatais pelo sustento de suas famílias.

Toda a nossa solidariedade e acompanhamento, ainda que não é suficiente neste momento, aos docentes e funcionários estatais de Chubut e às famílias das companheiras falecidas. Contem com todo o nosso apoio e disposição.

Força companheiras! Pelo triunfo de sua luta e pelo cumprimento imediato das demandas dos trabalhadores da província!

Gritamos bem forte FORA ARCIONI JÁ! Você é responsável!!

CTERA tem que chamar uma paralização nacional já. Seguimos exigindo de forma urgente uma paralização nacional de 36h às centrais sindicais para que triunfe a luta de Chubut.

Desde o MRT e o movimento Nossa Classe Educação no Brasil, enviamos a nossa solidariedade à luta do povo de Chubut:

Solidariedade à luta dos trabalhadores de Chubut

Na noite de ontem, duas professoras de Chubut / Argentina, Jorgelina Ruíz Díaz e María Cristina Aguilar, faleceram em um acidente ao voltarem de uma manifestação na cidade de Rawson. Trabalhadores estatais reagiram tentando ocupar e ateando fogo na Legislatura de Chubut, onde foram reprimidos pelas forças do governo.

Os professores de Chubut entraram na nona semana de greve, reivindicando o pagamento de salários, há 3 meses atrasados.

A crise nas contas públicas das províncias argentinas, endividadas em dólares, atingiu proporções colossais com a desvalorização do peso.

O imperialismo tem empenhado uma política de exportação da crise às semicolonias, através de reformas previdenciárias, trabalhistas e educativas, ajustes fiscais e políticas monetárias que descarregam nas costas dos trabalhadores os custos da crise. A austeridade imposta aos trabalhadores de Chubut é reflexo das políticas imperialistas levadas a cabo pelos governos lacaios das semicolônias latino americanas.

Contra os ataques imperialistas, é urgente a construção de laços internacionalistas de solidariedade e luta, recuperando nossos sindicatos das burocracias traidores e impondo uma saída operária à crise.

Nossa luta é a mesma! Toda nossa solidariedade aos professores e estatais de Chubut!

Oposição de Luta - Sinpeem
18/09/2019




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