Internacional

DECLARAÇÃO PÚBLICA

Chile: Repudiamos o covarde ataque aos comuneiros Mapuche. Mobilização e paralisação nacional em solidariedade!

Repudiamos o ataque à luta mapuche. É hora da solidariedade e da mobilização. Liberdade dos presos políticos!

segunda-feira 3 de agosto| Edição do dia

O ataque realizado por um setor da população civil, instigados por setores latifundiários e amparados por aparatos repressivos, no contexto das ocupações das prefeituras de Curacautín, Victoria, Traiguén y Collipulli por comunidades mapuche, em apoio à extensa greve de fome dos presos políticos mapuche; demonstrou a estratégia política implementada hoje pelo governo de Sebastián Piñera, instalando um Ministro do Interior e Segurança como Pérez Varela, que anula a existência de presos políticos mapuche, deslegitimando a greve de fome que levam adiante, alguns dias após sua visita a Araucanía na posição de Ministro do Interior.

Não existe dúvida que a visita de Pérez na região de Araucanía, que nega a existência dos presos políticos, veio para preparar um cenário de muita polarização que desembocou na atuação racista liderada por grupos de colonos, latifundiários e agricultores, alguns deles organizados na Associação pela Paz e a Reconciliação na Araucanía (APRA), que mantém profundos vínculos com a oligarquia chilena assentada no governo e com as grandes florestais, assim como o sindicato de caminhoneiros, que constantemente faz campanhas contra um suposto “terrorismo”, enquanto endossa a militarização e a opressão histórica contra o povo mapuche.

Responsabilizamos não apenas o governo de Piñera neste cenário, mas cada governo da vez que aprofundou a militarização do território mapuche, criminalizando sua luta com montagens e ataques às comunidades; ao mesmo tempo que com leis amparadas na constituição de Pinochet, favorecem as grandes transnacionais do ramo florestal e energético, explorando não só territórios, mas também sua força de trabalho, muitos deles trabalhadores explorados nas próprias comunidades Mapuche. Hoje, a região da Araucanía, é uma das zonas mais pobres do país, baseada no atraso para manter assim suas condições de exploração e opressão.

Mas, somos milhares que estamos junto ao povo mapuche. Sua bandeira foi símbolo da nossa rebelião onde gritamos pela liberdade dos presos, contra o racismo e a opressão, pela derrogação da lei anti-terrorista, e pelo direito à auto-determinação frente à opressão histórica do Povo Mapuche. Sabemos que tanto os anseios da rebelião de Outubro que buscam derrubar este modelo neoliberal e capitalista, como a luta ancestral pelas reivindicações históricas do povo mapuche, terão uma dura resposta por parte do Estado, os aparatos repressivos e os grupos de choque organizados por grandes empresários, latifundiários, assim como demonstrou o que ocorreu na noite de sábado. A este fascismo institucional e colonial é necessário dizer um forte: Não passarão!

Por isso precisamos ser claros. Esse ataque não pode passar. Se os deixamos passar, a direita e os grupos de choque ficarão encorajados para novas ações, não só contra as comunidades e suas lutas, mas também contra a classe operária, contra o povo pobre, mulheres e jovens que se organizam pelos seus direitos e contra o regime herdado da ditadura. Se deixamos passar esse ataque, seremos mais débeis e a repressão estatal será fortalecida.

É momento de colocar em ação uma enorme solidariedade e mobilização repudiando este ataque e em solidariedade com a causa mapuche, pela liberdade dos presos. Uma enorme solidariedade é a única forma de frear isso.

Por isso o chamado aos sindicatos e organismos de trabalhadores como a CUT, Mesa de Unidade Social, União Portuária, guardas florestais, comunidades e organizações como Assembleias Territoriais e populares, estudantis como a Confech, ACES e CONES, de Direitos Humanos e da esquerda, devemos convocar assembleias imediatamente, rumo a mobilizações em defesa e uma ampla campanha pela liberdade dos presos mapuche, e pena queda da lei anti-protesto e anti-terrorista.

Esta luta deve ser agora. As organizações de massa não podem mais virar a cara, seria criminoso. Na região de La Araucanía, a partir da Assembléia Popular de Temuco devemos convocar à ação com um chamado unitário, e além de chamar todas as organizações, também convocar para essa luta os guardas florestais que são uma grande fortaleza na região, capaz de equilibrar a nossa favor esta e outras lutas

Neste sentido, temos convicção da importância da aliança estratégica do povo mapuche com a classe trabalhadora, já que será através desta unidade operária e popular que se abre a possibilidade de uma expropriação das grandes indústrias, sob controle das trabalhadoras e dos trabalhadores, tomando nas suas mãos o direito de decidir o futuro destas indústrias, em seu direito à auto-determinação nacional e território mapuche; batalha que vai ligada à luta por uma verdadeira Assembleia Constituinte Livre e Soberana e mobilização do conjunto do povo trabalhador junto às comunidades mapuche.




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