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Chile: O governo apela à “unidade nacional” para que os custos da pandemia sejam pagos pelo povo trabalhador

O governo vem buscando tomar iniciativas com diferentes medidas, logo após uma semana catastrófica para o oficialismo, que se viu golpeado por todos os lados. Evidentemente, o ajudam os partidos da antiga Concentração, mas também a própria Frente Ampla, que se junta a campanha de “unidade nacional”. De fundo, Piñera segue com sua linha de manter a todo custo a ganância dos empresários e arriscando a vida e a saúde das e dos trabalhadores.

domingo 29 de março| Edição do dia

Uma das medidas mais comentadas ontem pelo governo foi a decisão de que o sistema de saúde privado passe para o controle do ministério da saúde para afrontar a crise. Agora, quem decide isso? Principalmente, que se funcionará com “apenas uma rede”, e as clínicas responderam a autoridade sanitária central, enquanto que os recintos dependeram dos sistemas de saúde correspondentes à sua zona geográfica.

Haverá cooperação entre os dois sistemas, mas claro, cada ambiente do sistema privado de saúde manterá total autonomia no que se refere a finanças, ou seja, o governo pagará as clínicas privadas as prestações de serviço que realizarem, com vem sendo seu histórico de negócios, baseado, entre outras coisas, em um desfalque permanentemente anual de transferência de cerca de 1,3 milhões de dólares por parte do Estado à saúde privada pelos seus serviços. Obviamente, o Estado de encarregará de pagar os serviços

Um segundo ponto é que, ao início desta semana, um dos principais debate ocorridos a necessidade de #LicenciasLaboralesMasivas - campanha promovido pelo Izquierda Diario - impulsionado logo após as multidões aglomeradas nas estações de metrô e no transantiago produto absurdo de toque de recolher do governo, e por bloqueio dos feitos do MINSAL diante da entrega de licenças médicas em casos de não se poder reconhecer “rastreabilidade” que confirme que o contágio tenha ocorrido no lugar de trabalho.

Duas imagens das decisões deste governo criminoso: os trabalhadores arriscam suas vidas e famílias ao mesmo tempo que mantém os negócios lucrativos de clínicas particulares.

Diante disso, o Ministério da Saúde respondeu a possibilidade de entregar as licenças médicas em caso de suspeita de contato ou proximidade com infectados.

Evidentemente, nem Mañaliche nem Piñera falam das centenas de milhares, milhões, de trabalhadores e trabalhadoras que são forçados a assistir seus postos de trabalho que são setores essenciais para a economia para enfrentar a pandemia (leia fast food, serviços de varejo, call center, mineração, etc.), e como não existe medidas básicas de higiene nem em suas empresas nem no transporte público, dia a dia vem sendo expostos ao contágio. Muito menos se assegura, a nível nacional, que pessoas do grupo de risco ganhem licença do seu trabalho, com pleno gozo do seu salário.

Finalmente, na segunda sessão da mesa social, composta pelo governo, prefeitos, Colégio Médico, reitores de universidades e outra atores da saúde, definiram 4 medidas: um relatório diário das autoridades sanitárias, criação de uma mesa de dados com acesso a informação para fins de informações, construção de uma submesa com os prefeitos e estabelecer um sistema de coordenação regional.

Vale ressaltar o fato que a Mesa Social foi lançada com um forte discurso de “unidade nacional”, na qual se integrou a própria presidência do Colégio Médico e aos prefeitos, buscando “suavizar atritos” e unificar “critérios”. O governo busca dessa maneira evitando maiores “críticas e crises”. Mas claro, sob sua linha programática; mantendo os negócios da saúde privada (agora os testes nessas instalações custarão apenas 25 mil pesos!), com um projeto de reativação econômica onde significa entrar quase 12 milhões de dólares a rentabilidade das empresas - onde não se assegura a proibição de demissões e onde a “suspensão da jornada de trabalho” serão com corte de salários e este compensado através do Seguro Desemprego, ou seja, retirando parte dos recursos dos trabalhadores - , quer dizer, um plano de garantia de emprego que nada mais é do que novas garantias para suspender contratos de trabalho com piores condições salariais e pressionar milhões a continuar produzindo produtos que não são essenciais nem necessários para enfrentar a pandemia, enquanto arriscam suas vidas.

Para tomar maior iniciativa, sendo que os políticos, evidentemente, não são favoráveis ao povo trabalhador, o governo se apoia nos partidos tradicionais, na Frente Ampla e também nas burocracias sindicais como a CUT que mantém uma vergonhosa trégua e simplesmente tem se dedicado a ficar em quarentena, de onde até elogiam as medidas de Piñera, enquanto milhões arriscam suas vidas diariamente.

Essas medidas e a tentativa de esconder sérios problemas de saúde pública apelando a uma hipócrita “unidade nacional” para evitar questionamentos, não podem tapar a realidade do Chile: enquantos os ricos e os chefes estão de férias, em festa e fazendo casamentos, os militares reprimem nas noites quando simplesmente não há aglomeração e o povo se arrisca sua saúde e as suas famílias indo aos seus locais de trabalho, obrigados a seguir trabalhando para não perder seu salário, produzindo produtos e serviços não essenciais para afrontar a crise sanitária e a pandemia.

Para avançar a conquista de uma saída favorável ao povo ao trabalhador, teremos que conquistar a paralisação de todas as empresas e indústrias que não são essenciais para combater a pandemia, exigindo licenças trabalhistas massivamente e aplicação imediata para todos os trabalhadores, para aqueles que estão população em risco e para aqueles em risco de contágio por contato com alguém infectado, com remuneração integral.

Por sua vez, é criminoso que o número de testes acumulados seja próximo dos 7.000, considerando que, ao longo de 20 dias, pouco mais de 3.400 foram realizados, e a alguns dias foram anunciados a realização de outros 3.500 ou pouco mais! É totalmente criminal. Necessita-se de testes massivos gratuitos para avançar um plano de quarentena racional e efetivo , sem repressão.

É necessário a reconversão da produção de todas as empresas indústrias que podem ser úteis para criação de insumos médicos, infraestrutura hospitalar ou elementos de higiene para combater a pandemia, sob o controle dos trabalhadores.

Vamos a uma saída a esta pandemia favorável a grande maioria e não aos capitalistas que não há dúvidas em por em risco a vida e saúde de milhões de pessoas a custa de seguir enchendo seus bolsos.




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