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COPA AMÉRICA | "Cepa América": governadores do centro-oeste mostram serviço para Bolsonaro, aceitando sediar o torneio

Bolsonaro resolveu apostar tudo na provocação de impor o país como sede da Copa América, contra a vontade da população que rechaça esse evento de morte, em meio às milhares de vítimas diárias da pandemia. Sorte do presidente que pode contar com o socorro oportuno de aliados regionais que querem acenar para a base bolsonarista.

terça-feira 8 de junho | Edição do dia

Rechaçada nas ruas na Colômbia e também recusada pela Argentina, a CONMEBOL encontrou no Brasil negacionista de Bolsonaro a sede óbvia para manter vivo seu torneio e também a ganância de cartolas e empresários que não querem arcar com o custo de seu cancelamento. Bolsonaro atendeu prontamente a solicitação da Conmebol, prontidão não vista até o momento para fornecer vacinas à população, respeitando mais do que tudo as patentes dessas, mostrando ser um belo capacho do imperialismo. O que gerou uma revolta imensa da população diante dessa provocação, sendo que seguimos em meio a grave crise sanitária, submetidos a um patamar de mais de 2 mil mortes diárias e com risco de uma terceira onda.

A Copa América, ou Cepa América como foi apelidada, ganha cada vez mais contornos bolsonaristas, do apoio entusiasmado de Bolsonaro, passando pelo negacionismo da realização do torneio em meio a crise sanitária, pelas manobras das reacionárias CBF e Conmebol para satisfazer a ganância de seus cartolas e patrocinadores, ao engajamento de militares, como o general Ramos a frente das negociações entre governo e Conmebol através da Casa Civil, ou o novo chefe temporário da CBF, coronel Nunes. Até o caso de assédio sexual, que levou ao afastamento do presidente da entidade Rogério Caboclo, é mais um ingrediente bolsonarista no torneio. Até os jogadores da seleção afoitos a posicionamentos políticos ensaiaram um motim contra a copa, prometendo se posicionarem após a partida de hoje 08/06, mas ao que tudo indica já se resignaram a disputar o torneio.

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Todos esses elementos deveriam bastar para qualquer político fugir do ônus de sediar essa competição da morte, como foi o caso de alguns estados que se negaram a permitir a realização do evento em seu território. Bolsonaro contou então com o apoio de aliados regionais que correram em seu resgate. Ibaneis Rocha (MDB-DF), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Mauro Mendes (DEM-MT) e Claudio Castro (PSC-RJ) foram os nomes que se colocaram à disposição de Bolsonaro e da Conmebol. À exceção de Cláudio Castro, que vem se notabilizando como o mais bolsonarista dos governadores e disposto a todos os préstimos como já foram os casos da privatização da Cedae e da chacina de Jacarezinho, os demais governadores, todos do centro-oeste, viram na concessão de seus territórios e estádios uma oportunidade de dialogar com Bolsonaro e sua base que possui peso em suas regiões. O caso do Mato Grosso, governado por Mendes, é o mais absurdo, sendo que o estado tem lotação de 100% dos leitos desde março e ainda assim se colocou à disposição.

Por isso, sediá-la tornou-se um capital político, uma moeda de troca para acenar a base bolsonarista já projetando o desejado apoio dessa parcela reacionária nas eleições. Na última pesquisa Datafolha, o centro-oeste e norte juntos foram as regiões onde Bolsonaro teve a melhor aprovação com 31%. Além disso, a região é o coração do agronegócio, que moveu todas as suas bases para dar mostras de apoio ao presidente, promovendo um ato em Brasília no dia 15/05, ainda que uma demonstração bastante aquém do esperado. Esses governadores, em maior ou menor grau, fruto das pressões internas em seus estados, oscilaram entre a linha negacionista de Bolsonaro ou a oposição demagógica dos demais atores institucionais, ambas negligentes em relação às milhares de vidas perdidas.

Ibaneis (MDB-DF) talvez seja o maior exemplo dessa política de zigue-zagues. O governador do DF foi o primeiro a decretar lockdown, uma política demagógica que não assegurava aos trabalhadores condições práticas para um isolamento racional, porém, assim como outros governadores, logo passou a defender a reabertura das escolas, mesmo no pico dos casos e sem tomar providências para que as instituições estivessem aptas para receber alunos e professores. Coincidentemente, a mudança do discurso veio após o recebimento de dinheiro no esquema do Bolsolão. Agora em relação a Copa América, Ibaneis adota de vez o discurso de Bolsonaro declarando que “Não vi nada demais em relação a essa competição...Nós temos de tomar o mínimo de normalidade nas nossas vidas, não tem mais condições de ter isolamento social”.

Da mesma forma, Ronaldo Caiado (DEM-GO), outro apoiador de primeira ordem, chegou a divergir publicamente da linha negacionista de Bolsonaro para em seguida afrouxar o isolamento permitindo cultos e o comércio atendendo às cúpulas evangélicas e a sede do lucro dos capitalistas.

Longe de contraditórios, os zigue-zagues desses políticos, entre a linha negacionista e a linha da dita “oposição racional”, revelam as proximidades das duas estratégias que não tem como interesse assegurar a vida da população, ou os empregos, mas sim, em última instância, preservar o lucro dos capitalistas - motivação por trás da realização da Copa América. Caso o interesse fosse a proteção à vida das pessoas, por que Caiado manteve um hospital fechado por mais de 23 dias? Ou Ibaneis liberou o retorno das aulas para as escolas particulares? Ou mais importante, por que se recusaram a centralizar os leitos privados, a contratar profissionais de saúde, realizar testes massivos, proibir as demissões, assegurar o afastamento para pessoas do grupo de risco, além do auxílio emergencial para informais e desempregados?

Que governadores coloquem seus estados e estádios a disposição dessa competição, à revelia do desejo da população, mostra como eles não são alternativas a Bolsonaro. Tampouco o judiciário, em que o STF deve lavar as mãos submetendo a prefeitos e governadores a decisão de sediar ou não os jogos. Precisamos seguir o exemplo da Colômbia que fez da mobilização nas ruas a resposta contra a copa mas também contra as reformas e o governo tirano de Ivan Duque. Por isso, é preciso batalhar para massificar o dia 13 e o dia 19, exigindo que as centrais sindicais, CUT e CTB, deixem de isolar as lutas e convoquem os atos, inclusive organizando em cada local de trabalho uma paralisação nacional para dar uma enorme mostra de força pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, movendo suas bases para lutar agora e não aguardar até 2022.




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