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Catástrofe da microcefalia continua em 2016

sábado 26 de dezembro de 2015| Edição do dia

Abaixo, temos a tabela de dados atualizados dos casos de microcefalia por estado do Brasil publicada no último dia 15 pelo Ministério da Saúde, fato que nós, do Esquerda Diário, mais uma vez identificamos como uma subnotificação dos casos reais da doença.

Reforçamos este ponto em nossas matérias em função dos casos de microcefalia que ocorrem majoritariamente nas regiões periféricas e pauperizadas, e que não são diagnosticadas ou identificadas pela precarização, ainda maior nessas regiões, dos serviços de saúde públicos. Portanto, o número cada vez maior de casos registrados de microcefalia ainda são pequenos em relação a catástrofe que está sendo para a saúde pública nacional de epidemia de microcefalia. A falência do sistema de saúde pública brasileiro é escancarada nesse período de calamidade pública.

O Esquerda Diário também publicou áudio em que Gilson Dantas relata essa catástrofe que é a epidemia de microcefalia

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Epidemia de microcefalia no país

Esse tema vem sendo discutido no país e no mundo justamente pela gravidade dessa tragédia, que torna o Brasil um dos primeiros países do mundo a ter uma epidemia de microcefalia. Não obstante, o quadro dessa epidemia não aponta para uma melhora, pelo contrário, tende a piorar neste verão, época de calor e chuvas, que é a época do ano com maior proliferação do mosquito Aedes Aegypti, vetor do Zika vírus (assim como de dengue e chikungunya), este que vem sendo atrelado ao aumento gritante de casos de microcefalia no país.

Em entrevista, publicada neste sábado, 26, pelo jornal O Estado de São Paulo, o vice-presidente da Fiocruz e coordenador adjunto do Gabinete para Enfrentamento da Emergência em Saúde Pública, Valcler Rangel, declarou que “A epidemia de microcefalia, além de singular, é das mais graves situações que a gente tem na história da saúde pública". A questão que precisamos responder é: quais as melhores formas de enfrentar esse problema?

Como resolver problema o problema da epidemia

Na mesma entrevista, Valcler Rangel defende que: “A grande prioridade é o desenvolvimento de tecnologia diagnóstica para ficar disponível nos laboratórios centrais brasileiros. Precisamos desenvolver kit diagnóstico que atenda dengue, chikungunya e zika ao mesmo tempo para facilitar o processo diagnóstico. Essa é uma carência que a gente tem hoje.” Tal afirmação vai de encontro com o que vínhamos defendendo aqui no Esquerda Diário, principalmente através das elaborações de Gilson Dantas, porém, é necessário que haja um mecanismo de diagnóstico massivo, gratuito e rápido dessas doenças, e não apenas exames caros que só a elite tem acesso.

Valcler também afirma que: “As medidas de proteção são conhecidas, mas até o momento não são eficazes, que é o controle do vetor [...] Mas eu acho que, com muita mobilização social, a gente tem condição de vencer esse desafio”, e em outra parte: “temos de eliminar o Aedes. Seja no desenvolvimento de larvicidas ou na possibilidade de usar técnicas novas e mobilizar a população. Defendemos que sejam criados comitês populares para o controle do mosquito, que mobilizem o setor público a fazer ações de combate que tenham permanência. Não teremos resultado nessa situação se não houver maneiras de a sociedade se organizar em torno do controle do vetor”.

Porém, o que o vice-presidente da Fiocruz não destaca, é que o combate ao mosquito não é a principal saída definitiva para a tragédia médica e social da microcefalia no país. Como viemos denunciando no Esquerda Diário, é preciso lutar por uma política clara de prevenção da doença, que envolve o direito a uma gravidez saudável e segura garantida pelo Estado de forma gratuita e de qualidade. Também passa por melhores condições de infraestrutura social de saúde pública de qualidade, de saneamento básico e de moradia, e ainda, pelo efetivação sem concurso de todos os agentes de saúde pública terceirizados e que sejam realizadas por novas contratações de agentes e médicos pelos governos.

É através da criação de mecanismos populares de controle das doenças, como a mobilização popular através de comitês de combate ao mosquito, junto aos sindicatos e organizações de bairro, assim como com o movimento estudantil, principalmente o universitário médico, que organizem campanhas de esclarecimento sobre a doença, distribuição gratuita de telas e mosquiteiros, repelentes orgânicos, para as famílias. São estas comissões independentes que devem atuar nos bairros populares para desinfetar e sanear as áreas foco de mosquito; diferentemente do insuficiente e burocrático "combate ao mosquito" que vem sendo realizado pelos governos com a ajuda do Exército.




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