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Carnaval de BH enfrenta censura e foliões protestam contra Zema e Bolsonaro

domingo 23 de fevereiro| Edição do dia

O Carnaval de BH começou mais uma vez como uma festa de resistência contra as arbitrariedades. Mais uma vez vídeos de protesto de cetenas de milhares entoando gritos contra Bolsonaro viralizam nas redes.

Há dez anos o carnaval nascia se erguendo contra as proibições do então prefeito Márcio Lacerda. Hoje, reconhecido nacionalmente como um dos principais carnavais do país também por seu caráter de resistência cultural, é mais uma vez palco de protestos contra Zema e Bolsonaro.

Alguns blocos deixaram de fazer seus cortejos por impedimento arbitrário da Polícia Militar de Zema. Uma censura por via da proibição do uso de carro de som por algumas exigências legais nunca antes cobradas ou mesmo notificadas. Alguns blocos sairão às ruas com carros de som da CUT, que foram cedidos, em solidariedade.

O Bloco Então Brilha, que tradicionalmente abre o carnaval belorizontino, contou com a presença de 500 mil pessoas conforme informações dos organizadores e teve a presença de vários artistas. Djonga, um dos convidados do bloco, subiu no carro de som e inflamou os foliões com o grito “fogo nos racistas”. O bloco também protestou contra a tentativa de demissão de mais de 1000 petroleiros na refinaria Replan, no Paraná, que aguarda decisão judicial após fortíssima greve dos petroleiros. O manifesto do bloco foi lido desde o carro de som, seguido de um intenso canto contra Zema e contra Bolsonaro. Leia na íntegra:

“Romeu Zema, governador das Gerais, viemos lhe mostrar o Carnaval que a gente faz. Veja essa cidade feliz, como você nunca quis. Zema, seu incompetente, não liberou os carros de som pra gente. Zema, sua burrice nos uniu: sindicato, blocos, gente que você nunca viu. Zema, seu cabeça dura, aqui está a força da cultura. Zema, inimigo do povo, partido velho pagando de novo. Zema dos bancos e da construção, e da desgraça da mineração. Zema, amigos dos empreiteiros, nós estamos com os petroleiros. Zema seu vacilão, paga o piso da educação Zema, amigo do Jair, não demora vocês vão cair. Zema, patrão da polícia, Carnaval é uma delícia. Fora Zema!”

O Bloco Volta Belchior saiu esse ano na Avenida Andradas, com uma bateria com mais de 100 integrantes e reuniu mais de 120 mil foliões, segundo os organizadores. Entre as lindas músicas de Belchior o bloco cantou uma marchinha, em protesto contra as medidas autoritárias de Zema:

“Zema, Zema, Zema zé mané. Tira o pé do freio deste caminhão. Se você não entende de alegria. Não venha estragar minha folia. Chega de veto, chega de corte. Se argumento é documento, então me explica aquele falso passaporte”.

O carnaval de Belô seguiu hoje (domingo). O bloco Alô Abacaxi, que chegou a desmarcar o cortejo devido às medidas arbitrárias contra o carnaval de BH, saiu nas ruas nesse domingo trazendo mensagens de protesto a favor da diversidade, cotra a LGBTfobia e contra o racismo. O cortejo do Angola Janga, um dos maiores blocos que marcam a resistência da luta negra e anti-racista, iniciou com um forte grito de resistência. O Esquerda Diário está recendo denúncias de violência policial nesse carnaval e também se soma às denúncias contra a violência racista da polícia, que tem o alvo em grande parte na juventude negra.




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