"QUE TODO POLÍTICO GANHE IGUAL A UMA PROFESSORA"

Campanha se inspira na atuação de deputados argentinos

O projeto teve uma enorme repercussão em outros estados da Argentina e inclusive internacionalmente. Contribui fortemente para ganhar maior projeção o La Izquierda Diario, impulsionado pelo PTS, que lá já chega a um milhão de acessos em um mês.

Daniel Matos

São Paulo | @DanielMatos1917

segunda-feira 4 de maio de 2015| Edição do dia

Foto: Raul Godoy (PTS), La Izquierda Diario

Em 2013, frente a uma duríssima greve de professores que ocorreu no estado de Neuquén na Argentina, o deputado estadual do PTS, Raul Godoy, juntamente com sindicatos de professores dirigidos pelos partidos de esquerda e ligado a um amplo debate em assembleias da categoria, colocou em tramitação um projeto de lei para que todo político receba o salário equivalente ao de uma professora de 20 anos de antiguidade na função. O projeto teve uma enorme repercussão em outros estados da Argentina e inclusive internacionalmente. Contribui fortemente para ganhar maior projeção o La Izquierda Diario, impulsionado pelo PTS, que lá já chega a um milhão de acessos em um mês.

Nas palavras de Raul Godoy em meio à greve: “A iniciativa causou muito impacto e está sendo tomada como própria por muita gente. Foi muito bem recebida no Encontro de Trabalhadores da Educação e em seguida nas assembleias onde foi apresentada. Já estão sendo impulsionados abaixo-assinados com adesões massivas, não só nas escolas, mas também entre as famílias e na universidade. Será de grande ajuda para a luta das trabalhadoras e os trabalhadores da educação, mas também será de grande ajuda para colocar em evidência o cinismo desta democracia para ricos, que ataca a os trabalhadores por quererem ganhar um salário digno. Que a referência seja o salário de uma professora não é casual, pois são elas que estão hoje em luta e sendo atacadas pelos governos os deputados!”

Ao apresentar o projeto de lei, Raul Godoy, que depois de encerrado o mandato voltou a trabalhar no chão da fábrica (recentemente foi eleito novamente), explicou que “este projeto está ligado à luta que temos dado a partir da bancada parlamentar da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores. Nós dissemos em nossa campanha que íamos ganhar o mesmo que na fábrica e temos cumprido com isso, destinando o restante dos salários e benefícios às lutas sociais”.

Seguindo esse exemplo, em 2014, quando o deputado federal pelo PTS Nicolás Del Caño assumiu sua bancada, negou o aumento salarial parlamentar e anunciou que receberia o mesmo que uma professora, doando o restante às lutas populares e levou ao Congresso Nacional o mesmo projeto de lei que já havia sido proposto por Godoy em Neuquén.

Essa política é levada adiante por todos os deputados do PTS, organização irmã do MRT na Argentina. Consequentes em colocar suas bancadas a serviço das lutas dos trabalhadores, no ano passado Nicolás Del Caño se fez conhecido por estar ombro a ombro com os trabalhadores em suas lutas, inclusive estando na linha de frente contra a repressão quando estas ocorriam. O caso mais noticiado foi quando recebeu vários tiros de balas de borracha na Panamericana (uma rodovia vital de Buenos Aires), enquanto participava de um piquete de centenas de operários que haviam sido demitidos por uma grande multinacional.

Essa atuação dos parlamentares do PTS expressa uma concepção revolucionária de como encarar a atuação no parlamento, sempre vinculada a fortalecer a luta dos trabalhadores e construir uma corrente militante operária que avance na sua consciência a partir não somente das lutas econômicas, mas também políticas, como essa de que os políticos ganhem o mesmo salário que uma professora. Essa combinação entre a atuação revolucionária no parlamento, peso orgânico no movimento operário voltado para a luta de classes e o La Izquierda Diario é o que tem feito o PTS se fortalecer como referência.




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