Mundo Operário

DENÚNCIA

Call center não paga os benefícios dos trabalhadores mas quer que sigam trabalhando na pandemia

Frente à pandemia do COVID-19, temos acompanhado o descaso da patronal com os trabalhadores em especial os do telemarketing, que se enfrentam com patrões que seguem uma linha genocida apoiada em Jair Bolsonaro. O empresariado continua mantendo os trabalhadores em seus postos em condições insalubres de trabalho, nesse marco, recebemos mais uma denúncia de uma trabalhadora de telemarketing que sofre cotidianamente o descaso do empresariado com relação à saúde e segurança do trabalhador.

terça-feira 7 de abril| Edição do dia

A indignação toma conta da trabalhadora que ao chegar em seu posto de trabalho encontra estampado em cada parede o descaso dos empresários para com a classe trabalhadora. A empresa em questão é a Amorim Promotora, presente há vários anos no Brasil, obtendo a extração dos seus lucros no ramo de venda de empréstimos para consignado.

Já antes da pandemia, a empresa vinha expressando de fundo o descaso para com o trabalhador em suas artimanhas empresariais voltadas à precarizar os benefícios dos trabalhadores, como por exemplo, com o básico que é o vale transporte e vale refeição. Tais artimanhas consistem em pagar 30% do benefício antes do final do mês, pagando o restante depois, em alguns casos, a patronal simplesmente não paga o benefício pedindo para os trabalhadores pagarem do próprio bolso, o que é praticamente impossível, já que o salário de qualquer trabalhador que esteja atuando de telemarketing é usado praticamente na íntegra para que o trabalhador possa sobreviver. Com todos os descontos, resta para alguns, menos que um salário mínimo, o que inviabiliza que tenham condições de tirar qualquer quantia a mais de seus cálculos mensais. A patronal, por sua vez, sabe disso, mas insiste em levar o trabalhador ao limite da precarização.

Em atraso com vale transporte, automaticamente, muitos trabalhadores não conseguem ir ao trabalho, e muitos tiveram que se ausentar por cerca de 10 dias do posto de trabalho e, chegado o dia de pagamento, tiveram os dez dias descontados em folha, expressando nas entrelinhas a estratégia capitalista de jogar em nossas costas problemas que não criamos e exigir que banquemos toda e qualquer dívida, como por exemplo a dívida pública enfiada garganta abaixo do trabalhador. Vale uma ressalva de que a empresa contribui financeiramente para instituições religiosas, levando um “testemunho” hipócrita de que toda contribuição financeira é devido aos erros do passado, o que faz gritar uma grande contradição: se tem dinheiro para “doar” a instituições religiosas, por que não tem para pagar o salário e os benefícios dos trabalhadores? Porque para o empresariado os lucros deles valem mais que nossas vidas, unicamente.

Frente à pandemia do COVID-19, onde não possuímos um sistema de saúde eficaz que responda à classe trabalhadora frente a qualquer precisão médica, a empresa mantém 24 trabalhadores em três equipes, em condições precárias de trabalho, tendo ausência de papeis higiênicos nos banheiros, sabão, álcool em gel e refeitório para que os trabalhadores possam de forma segura se alimentar em seus míseros 20 minutos de almoço. Tais ausências por parte da patronal expressa a linha covarde que o empresariado apoiados em Jair Bolsonaro tem seguido, deslegitimando a urgência de medidas eficazes para combater o COVID-19, colocando trabalhadores em risco dia após dia, convocando por exemplo, reuniões onde são colocadas de forma bem ilusórias de que “medidas” serão tomadas no ambiente de trabalho, quando na verdade, estão promovendo treinamentos com pessoas aglomeradas em salas, sem ter nenhuma informação concreta se os presentes ali estão contaminados ou não. Um caso que expressa esse problema se deu em meio a um treinamento, quando uma das mulheres presentes tossia muito e no outro dia ligou para a empresa alegando estar com sintomas de COVID-19. Esse fato foi o que impulsionou a denúncia que fazemos aqui, já que outros trabalhadores apresentaram sintomas depois desse fato e tiveram que permanecer em casa, juntamente com os familiares por 14 dias, cumprindo a quarentena e sem testes para saber se estavam doentes.

Ressaltamos que a mulher que tossia em treinamento e que informou estar com sintomas, testou positivo o COVID-19, levando ainda mais tensão aos trabalhadores. Agora a empresa contratou mais 15 pessoas em meio à atmosfera pandêmica, sem nenhum método de seleção, ou seja, trabalhadores serão contratados para atuar em ambiente insalubre sem nenhuma prevenção individual e coletiva, para que o empresariado siga lucrando, deixando de lado a importância de nossas vidas e, de suas casas, em isolamento social, despejar seu ódio nas costas dos trabalhadores.
Nossas vidas valem mais que os lucros deles!




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