RACISMO

“Cadê o celular seu negro?" Quilombo Vermelho diz a verdade sobre ação racista que levou a morte de idosa negra em hospital no RS!

“Cadê o celular seu negro?” Era o que diziam os seguranças enquanto espancavam meu tio. Relata Tassia fonseca, sobrinha de Everaldo Fonseca, idoso acusado de roubo de celular em um hospital no RS"

terça-feira 21 de abril de 2020| Edição do dia

Na madrugada de sexta para sábado dos dias 18 e 19 de abril, as 3:00 da manhã no hospital Dom João Becker na cidade de Gravataí no Rio grande do Sul, acontecia um ato de extrema barbárie e racismo contra um idoso negro, Everaldo Fonseca que estava acompanhando sua esposa Maria Gonçalvez de 55 anos durante sua internação.

Em relato exclusivo para o Quilombo Vermelho, Tassia Fonseca de 33 anos, sobrinha de Everaldo Fonseca de 62 anos, conta como os acontecimentos se deram.

“Minha tia deu entrada no hospital pela manhã da sexta feira com problemas de glicose baixa. Então solicitaram um acompanhante pra ficar com ela, pois ela estava usando fraldas e não poderia ficar sozinha, então meu tio Everaldo quis acompanhar ela durante a noite. Ao decorrer da noite uma enfermeira não estava conseguindo encontrar seu celular e acionou os seguranças do hospital.

Continua ela

“Uma pessoa sugeriu que alguém ligasse pro celular da enfermeira porque esse iria tocar. Coincidentemente o do meu tio tocou na hora, e os seguranças começaram a revista-lo e acharam apenas o seu celular que era um celular pra idosos. Insatisfeitos, pegaram todos os pertences da mochila e jogaram no chão. Eles não acharam nada e então retiraram as fraldas da minha tia para procurar o celular e também não encontraram nada. Ele foi a única pessoa a ser revistada no hospital todo.

Eles começaram a bater no meu tio enquanto todo o hospital parava para assistir e foram levando-o para o pátio do hospital enquanto gritavam “Cadê o celular seu negro?”. Espancaram ele durante algum tempo no pátio e não deixaram meu tio ver minha tia novamente até as 9:00 da manhã quando ela já estava falecida, pois ao assistir toda a cena ela sofreu uma parada cardíaca por estar desesperada e veio a óbito.

Durante a manhã quando permitiram a entrada do meu tio no hospital, após ele ter ficado a noite toda do lado de fora, Os seguranças relataram a ele que o celular foi encontrado em uma outra sala de atendimento e então pediram desculpas oferecendo um suco de laranja e uma fruta. Minha tia já estava desfalecida desde às três e pouca da manhã e os médicos do hospital colocaram no atestado de óbito que ela faleceu às 8:45 da manhã vítima de desnutrição. É um crime de racismo e o hospital nega toda a acusação dizendo que não houve espancamento. Estamos na luta para conseguirmos dinheiro e realizar um exame para abrir o caixão e provar que minha tia faleceu durante o acontecimento. Nós estamos muito abalados com tudo isso e meu tio está completamente abatido”

O Rio Grande do Sul é comprovadamente o estado com maior número de casos de injúria racial do Brasil, com uma herança escravocrata reivindicada em diversos nichos culturais e até mesmo em seu hino estadual. Não somente nas universidades e locais públicos negros são perseguidos, mas também é comum que perseguições raciais sejam naturalizadas e promovidas em todos os âmbitos, incluindo hospitais públicos como foi o caso do senhor Everaldo Fonseca e de sua falecida esposa Maria Golçalves.

O capitalismo é o modo de produção parteiro do racismo e se utiliza desse para manter negras e negros como a mão de obra mais barata para enriquecer os grandes capitalistas. Para isso necessita de um viés ideológico perpetuado por todas as instituições do estado, e por isso o racismo é a ferramenta mais refinada que o sistema capitalista se utiliza para promover barbáries em cima dos nossos corpos e famílias como aconteceu o Sr. Everaldo Fonseca.

Nós do Quilombo Vermelho cercamos de total solidariedade e apoio a família de Everaldo Fonseca e reproduzimos nesta nota o relato de Tassia Fonseca e repudiamos totalmente a versão do hospital que nega a agressão física e as causas da morte da dona Maria Golçalves e toda a humilhação sofrida por Everaldo.




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