Sociedade

ATOS DO DIA 13/3

Brasília: 13 de março foi “o maior protesto já realizado na capital”?

“Protesto contra o governo Dilma e o PT foi o maior já realizado em Brasília”: com este subtítulo, o principal jornal da cidade [o direitista Correio Braziliense] procurou caracterizar a principal manifestação aqui em Brasília ontem, dia 13 de março. A manchete era igualmente ambivalente: “Ato reúne 100 mil na Esplanada, diz PM; organização fala em 200 mil”.

Gilson Dantas

Brasília

segunda-feira 14 de março de 2016| Edição do dia

A ambivalência, de classe no caso, está em tentar mostrar que esta mobilização [na verdade uma marcha, bastante dispersa ao longo da Esplanada dos ministérios] foi “a maior já realizado em Brasília”. Claramente não foi. O que mostra o quanto a grande mídia está alugada por um setor da patronal que tenta se legitimar para impor um governo mais à direita do que o de Dilma e atacar mais profundamente os direitos da classe trabalhadora. Comentarista da Folha de São Paulo [Um dia que valerá por anos] fala no 13/3 no Brasil como a “maior manifestação política e social da humanidade”, com “ricos e pobres” e “sem uma única vitrine quebrada”.

Evidentemente temos mais ideologia golpista do que relato de um fato político.

Em Brasília, claramente junho de 2013 superou em número e em combatividade esta marcha de ontem. E, certamente, com outra composição social. À semelhança do resto do país, ontem, em Brasília, tivemos uma manifestação de classe média, branca, afluente e bem articulada. De acordo com a própria polícia declarou ao Correio, “os atos contra Dilma foram marcados pelos movimentos "Vem Pra Rua", "Brasil Livre", "Brasil Futuro", "Ocupa Brasília" e "Limpa Brasil".

O ato teve a presença também do raivoso e fascista do deputado/militar Jair Bolsonaro, chamando a dar um “presente” para os movimentos sociais rurais, que, na sua proposta, seria “um fuzil” na cara.

Veja o vídeo do discurso de Bolsonaro:

Em que pese havia alguns seguidores desse reacionário ovacionando essa figura execrável, o tom da marcha não pôde ser dado por Bolsonaro, em todo caso; olhando de perto, e em grande escala, tinha mais o perfil de uma grande marcha de domingo, pela direita, totalmente contra o PT, Lula [pediam sua prisão] e .com uma fúria anticorrupção bem seletiva. E sem a presença de qualquer membro da cúpula “anticorrupção” do regime, nada de tucanos, nada de peemedebistas.

Não temos os números reais, mas uma vista de olhos na Esplanada por parte dos construtores do Esquerda Diário que estiveram presentes permitiu constatar que foi um ato com mais gente do que o anterior de março do ano passado [também organizado pela direita] com composição quase que total de pequeno burguesia; uma prova disso foi a quantidade imensa de carros estacionados em qualquer direção que se olhasse a partir da zona da marcha. Todas as pistas estavam coalhadas de automóveis e carros de luxo como jamais se viu – isso sim – em qualquer outra marcha. Foi a maior marcha da classe média motorizada, branca e afluente. Nem sombra de juventude pobre/parda de periferia.

Um dos manifestantes, entrevistado pelo Correio, declarou que protestava porque não aguentava mais esse governo petista, mas que achava que “as classes D e C poderiam estar bem melhor se não fosse a corrupção". Outro manifestante acrescentou que para ele, a saída para a crise política é Temer assumir a Presidência, pois passa "mais credibilidade" ao setor privado a ao Congresso. Outros clamavam por Sérgio Moro, outros por Bolsonaro, chamado de “mito” e assim ia o espectro político, todo ele na linha do artigo do companheiro Marcelo Tupinambá ver.

Curiosamente, nenhuma consigna e nem cartaz em favor das “classes D e C”, portanto nenhuma preocupação com relação aos ataques que o governo Dilma desfecha contra a classe trabalhadora e também o tucanato e os demais partidos patronais, incluindo, seguramente, o PMDB. Portanto foi um ato político de classe, seletivo com a denúncia contra a corrupção [Cunha, Renan, o tucanato, nenhum era citado e todos integram o mesmo lamaçal político do regime].




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