Política

BOLSONARO CAPACHO

Bolsonaro novamente se curva a Trump em sua absurda minimização do coronavírus

Mostrando mais uma vez sua disposição de ser capacho, Bolsonaro se subordinou a Trump no seu pronunciamento de ontem.

quarta-feira 25 de março| Edição do dia

Desde a eleição de Bolsonaro em 2018, ficou evidente a todos a total subordinação do presidente ao mandatário americano, Donald Trump. Como não lembrar da ridícula cena de Bolsonaro fazendo uma live para assistir ao discurso do mandatário americano na crise que o país teve com o Irã no início do ano, e das juras de amor a bandeira dos Estados Unidos. Na atual crise do coronavírus não tem sido diferente. Depois de alegar que seria tudo histeria, seu filho 03 aderiu ao discurso de “vírus chinês”. Ridiculamente, Bolsonaro reafirmou em 25 de março que está fazendo como Trump que anunciou o “retorno à normalidade da economia”. Mas justamente os Estados Unidos tornou-se tema de um escândalo, ao demonstrar como o país mais rico do mundo é o terceiro mais afetado pelo coronavírus, graças à falência absoluta de seu sistema de saúde pela ganância dos capitalistas, que salvam os mercados injetando trilhões enquanto trabalhadores, idosos e pobres morrem. Trump foi aplaudido pelos mesmos capitalistas que afundaram o mundo em 2008, como o ex-CEO da Goldman Sachs, Llyod Blankflein, representante dos que se acostumaram a jamais ceder um centavo da sua margem de lucro, às custas do sangue da classe trabalhadora. Aqui tornou-se célebre pelo asco gerado, a declaração do dono do restaurante Madero de que alguns milhares morreriam, mas isso era melhor que a “economia colapsar”.

Ver também: Bolsonaro defende fim das quarentenas e que COVID é “resfriadinho”. Panelaços em todo o país em revolta

No escandaloso discurso de ontem não foi diferente, Bolsonaro gerou revolta falando que o vírus é só um resfriadinho, e sugeriu acabar com as medidas de restrição que estão sendo impostas pelos estados, dizendo que seria um vírus que “só mataria velhos” e que a Itália estaria nessa situação devido a alta proporção de idosos na população. No final, ainda disse que não teria grandes problemas caso tivesse contraído o vírus, devido ao seu histórico de atleta, que fica evidente no vídeo abaixo.

Esse discurso de Bolsonaro é uma imitação do que foi dito por Trump horas antes. Trump havia igualmente defendido que os trabalhadores deveriam sair da quarentena, e que o país deveria estar aberto até a páscoa. Ambos os discursos não se baseiam em nenhuma norma de saúde, mas em uma exigência cada vez maior dos capitalistas que começam a ver seu lucro ameaçado. Mostram assim que as vidas dos trabalhadores, idosos, e da população com algum tipo de risco pouco importam frente às cifras dos capitalistas, já que a defesa da manutenção do “funcionamento da economia” não vem acompanhada de medidas como testes massivos, condições de segurança, ou planificação da produção para que seja readequada e posta a produzir todos os insumos necessários para lidar com a crise. Na segunda, o Wall Street Journal, já tinha feito um editorial sugerindo “repensar a quarentena”-> https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/repensando-o-isolamento-do-coronavirus.shtml]. No Brasil essa linha foi seguida por alguns empresários do Brasil, como o dono da Madero, que afirmou que não podemos [parar] por conta de 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer.

Mesmo após os panelaços em revolta que foram ouvidos, Bolsonaro ratificou sua linha e ainda remarcou seu capachismo, dizendo que era a mesma linha seguida por Trump. Ainda disse que se manter esse fechamento, aqui será “pior que o Chile”, em referências aos protestos lá, mostrando como a luta de classes é seu principal temor.

Isso só mostra que a luta contra Bolsonaro é indissociável da luta contra o imperialismo estadunidense, e a unidade internacional dirigida contra os trabalhadores, pobres e idosos do mundo. Mostra também a urgência de uma saída dos trabalhadores para a crise, com a produção e concessão de testes massivos imediatamente, que deve se aliar ao controle dos trabalhadores sobre a produção, para que assim não sejamos nós os que paguemos com nossas vidas por essa crise, apenas para satisfazer a ganância capitalista.




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