Política

COVID-19 E AS FAVELAS

Bolsonaro não paga os 600 reais e usa a fome de faxineira negra para atacar o isolamento social

Bolsonaro publicou recentemente um vídeo em sua conta do twitter onde o repórter bolsonarista Tomé Abduch da CNN Brasil e empresário do ramo da construção civil, entrevistou uma empregada doméstica negra que trabalha com faxina e mora na favela Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. Na conversa, Abduch utiliza o depoimento dela que escancara a miséria que se abriu com a crise do coronavírus para reforçar a linha de Bolsonaro pelo fim do isolamento social.

segunda-feira 6 de abril| Edição do dia

A faxineira assim como tanto outros trabalhadores autônomos, maioria dos trabalhadores nas favelas 47%, não estão conseguindo emprego e se vêem como de mão atadas, tendo apenas duas escolhas ou morrem de fome ou infectadas pelo novo coronavírus. A medida que o tempo vai passando e o governo federal não garante nem ao menos os 600 reais que havia prometido aos trabalhadores autônomos e não garante testes massivos que possam garantir quarentenas eficientes para que diminua o risco de contágio e o número de mortos, trabalhadores, em especial negros e moradores de favela como essa empregada doméstica são largadas à própria sorte.

Tomé Abduch enfatiza que já não tem mais dinheiro para comprar comida porque estão sem trabalhar, o gás está sendo vendido a mais de 120 reais e critica às condições sanitária e a falta de saneamento básico da favelas. Tudo isso é verdade é claro, mas ele segue a risca a política de Bolsonaro que ao invés de garantir o emprego e uma remuneração de 2.000 reais para os trabalhadores autônomos, uma quantia em dinheiro que garanta o mínimo para sobrevivência de um trabalhador, Bolsonaro destinou 94% de todo o dinheiro destinado ao combate da pandemia aos bancos e apenas 6% ao povo brasileiro.

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Garantir a renda e o emprego no combate a pandemia

Medidas como essa deixam claro que Bolsonaro um antigo inimigo dos negros pouco se importa com a vida dessa empregada doméstica, uma mulher negra, batalhadora e que só quer sobreviver e alimentar sua família no meio da pandemia do coronavírus. Não só Bolsonaro, mas também os governadores Witzel e Doriai que tem suas mãos manchadas com sangue de crianças inocentes como o de Ágatha e de jovens negros de Paraisópolis e que defendem um isolamento social totalmente irracional, sem testes massivos e é claro, eles apoiam as medidas crise nas costas dos trabalhadores e salvar os lucros dos capitalistas.

Para Bolsonaro é muito mais fácil deixar que morram milhares de trabalhadores expostos ao vírus, principalmente negros e moradores de favelas e periferias e assim “salvar” a economia com o fim do isolamento social. Há uma base social bastante feliz com essa linha principalmente empresários do comércio e setores da burguesia industrial, mas que assim como Bolsonaro aprofundam ainda mais a estrutura racista da sociedade capitalista para garantir seus lucros. Para os capitalistas a vida negras não valem ainda preferem dar de bandeja as riquezas que os trabalhadores produzem diretamente aos imperialistas através da dívida pública. Por isso, não estabelecem uma produção de guerra voltada a dar conta da demanda de máscaras, leitos e respeitadores de UTI, álcool e por esse mesmo motivo não abaixam imediatamente os preços dos alimentos e gás e isenção das cobranças de luz, água, aluguel, etc.

Bolsonaro não se importa com a vida dessa mulher negra trabalhadora, porque ele é um racista assim como os golpistas que estão no congresso e os militares que exaltaram recentemente o golpe de 1964 que foi sem sombra de dúvida um golpe também contra os negros. Nenhum deles está a altura de responder essa crise sem que coloque a vida de milhões de trabalhadores em risco, por isso que defendemos que ao invés desse setores do regime que possa vir a governar o país numa eventual saída de Bolsonaro, um gabinete de emergência composto por trabalhadores da saúde, especialistas sanitários, sindicatos e organizações operárias e populares que defendam os trabalhadores, que possa convocar uma nova Assembleia Constituinte, essa sim livre e soberana onde possamos construir um regime que defenda a vida e os direitos dos trabalhadores.




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