Internacional

ATO INTERNACIONAL - BOLÍVIA

Bolívia: "O imperialismo que assassinou George Floyd no EUA é o mesmo que impulsionou golpe na Bolívia”

Carlos Cornejo, diretamente da Bolívia e representando a LOR-CI, organização irmã do MRT no país andino e que constrói a Fração Trotskista pela Quarta Internacional, enviou uma saudação ao ato internacionalista da FT, contra o racismo e a violência policial.

Zuca Falcão

Professora da rede pública de MG

sábado 11 de julho| Edição do dia

O país que em novembro do ano passado sofreu um Golpe de Estado arquitetado entre a direita reacionária, igrejas e o empresariado agroindustrial, com forte cunho racista, que entre outras manifestações foi selado com a queima da Wiphala, a bandeira de luta dos povos indígenas andinos, enfrenta agora uma situação de caos socioeconômico, diante da crise do coronavírus, onde o sistema de saúde já defasado entrou em colapso, hospitais fecham pela contaminação de equipes inteiras, as pessoas começam a velar seus mortos nas ruas ou guardá-los em casa durante dias pela falta de assistência do governo, e a população indígena que há séculos vive em sua maioria marginalizada, ocupando os piores postos de empregos ou em trabalhos informais, sem acesso a saúde, educação e condições básicas de vida, sai às ruas em plena quarentena para protestar por saúde, renda digna para sobreviver na quarentena e pela insatisfação com o governo golpista de Jeanine Áñez.

Áñez, desde que se autoproclamou presidente da Bolívia, toma medidas que atingem duramente aos povos indígenas do país, e promoveu um massacre contra os grupos que saíram às ruas se colocando contra o golpe, como foi no assassinato de dezenas de pessoas em Sencaba e El Alto. Mas o MAS, partido de Evo Morales que ocupou a presidência por 14 anos com um discurso pró-indígena, não tomou nenhuma medida para atacar o racismo gritante da Bolívia de forma estrutural, como exposto na saudação:

“Os indígenas nos sentimos orgulhosos de ser indígenas, entretanto, nossa condição de ser os trabalhadores mais precarizados, em cargos de limpeza, de construção, de dois e três jornadas de trabalho, não mudou apesar das políticas culturalistas que o MAS de Evo Morales impulsionou em seus 14 anos de governo. Acreditavam que pactuando com os capitalistas poderiam erradicar a violência racial e alcançar o socialismo. Esta estratégia se demonstrou inviável no 10 de novembro.”

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Apesar de se intitular socialistas e de muitas vezes serem vistos como tal, Evo e seu partido MAS agem beneficiando a burguesia boliviana e deixando os trabalhadores que são de maioria indígena à própria sorte. Por este motivo, a solução para os povos indígenas da Bolívia une raça e classe, e não se resolve com alianças com a burguesia nacional, mas como afirma a LOR-CI:

“Os socialistas consideramos que o racismo não se extingue pactuando com os racistas, mas sim nas ruas como milhões vem demonstrando nos EUA e em todo mundo.”

E como socialistas, entendem, assim como todas as seções da FT que hoje se somam a este ato, que se o racismo se estende por todo o globo, nos mesmos moldes subjugando aos povos negros e originários e servindo à manutenção do capitalismo, “precisamos construir um grande organização internacional dos trabalhadores para enfrentar aos capitalistas e seus Estados que alimentam toda forma de exploração e opressão. Viva a Quarta Internacional!”

Assista a saudação de Carlos Cornejo no ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial:

Assista na íntegra:




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