Aulas suspensas na rede municipal de SP, mas Covas mantém trabalho burocrático em escolas

Em coletiva de imprensa nessa sexta-feira 12/03 o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anunciou que as aulas presenciais da rede municipal e particular na cidade serão suspensas entre 17/03 e 01/04. Porém, as trabalhadoras terceirizadas da limpeza, as trabalhadoras POT, apoio e gestores seguirão se expondo para fazer trabalho burocrático presencial.

sexta-feira 12 de março| Edição do dia

Imagem: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Em coletiva de imprensa nessa sexta-feira 12/03 o prefeito de São Paulo Bruno Covas anunciou, junto com seu secretário de Educação Fernado Padula, que as aulas presenciais da rede municipal e particular na cidade serão suspensas entre 17/03 e 01/04. Na rede municipal o recesso escolar programado para julho será antecipado, já a rede particular poderá decidir se seguirá com o ensino remoto, ou também antecipar férias. Porém, as trabalhadoras terceirizadas da limpeza, as trabalhadoras POT, apoio e gestores seguirão trabalhando presencialmente para fazer trabalho burocrático. Ontem Doria e Rossieli já haviam antecipado os recessos de abril e outubro na rede publica estadual, mas mantendo as escolas abertas para distribuição de merenda, materiais e chips. Porém não irão garantir condições de segurança sanitária para esses trabalhadores que deverão realizar essa função.

Antes da reabertura das escolas os educadores já denunciavam o absurdo que isso significaria já que nunca foram garantidas condições seguras para o retorno, nem no que se refere ao controle da pandemia tampouco da estrutura das escolas. De lá para cá a pandemia apenas se agravou. Semana a semana os números de casos nas escolas aumentaram, junto com as mortes de trabalhadores e alunos. Como da trabalhadora da limpeza Luciene Rodrigues e da aluna de Campinas de apenas 13 anos. A despeito disso, Doria e Covas mantiveram as escolas abertas. E o odioso secretário de educação Rossieli Soares ainda vinha a público mentir todos as semanas dizendo que as escolas são seguras.

Doria e Covas levaram mais de um mês para suspender o ensino presencial nas escolas. A grande mídia fala em mais de 4000 casos confirmados e 21 mortes desde a reabertura, porém esses números nem incluem os da rede municipal de SP. Além disso, como o Esquerda Diário veio cobrindo, desde a reabertura das escolas chovem denuncias de ordens para omissão de casos. Portante a realidade é ainda mais grave. Na coletiva de imprensa da prefeitura, Covas e seus secretários foram obrigados a admitir que houve uma explosão de casos nas escolas nas últimas semanas. O que os educadores no município, que estão em greve desde o dia 10/02, já diziam que aconteceria. Eles são responsáveis por esses números absurdos de contaminações e mortes de educadores e alunos. Mortes que poderiam ser totalmente evitadas.

Mas a antecipação do recesso não basta e não responde às demandas dos trabalhadores da educação que estão em luta. Não temos ilusões que, de acordo com o andar da carruagem, a pandemia estará controlada daqui duas semanas. Os educadores reivindicam que enquanto não houver condições sanitárias seguras para o retorno presencial seja adotado, excepcionalmente, o ensino remoto. E que para isso os governos garantam condições para que todos os alunos tenham acesso à equipamentos e internet. O que o demagogo do Covas disse que garantiria, mas que até o momento nada fez!

Covas ainda seguirá obrigando as trabalhadoras terceirizadas da limpeza, as trabalhadoras POT, apoio e gestores a exporem suas vidas. Indo para as escolas durante esse recesso para fazer apenas trabalho administrativo e burocrático, que não haveria necessidade de ser feito presencialmente. Essas trabalhadoras também deveriam poder ficar em suas casas nesse momento com a garantia de seus salários. Manter as escolas abertas para esse tipo de trabalho burocrático é absurdo. Algo totalmente diferente do papel que as escolas poderiam cumprir servindo de polos para ajudar no controle da pandemia, com trabalhadores da saúde e educação (que não façam parte da população de risco) que se voluntariassem para distribuição de alimentos, máscaras, álcool gel, local para vacinação, entre outras ações importantes para o combate à pandemia

A demora em suspender as aulas presenciais nas escolas, ignorando as contaminações e mortes, mesmo quando todos já sabiam que esse é o pior momento da pandemia, deixa ainda mais evidente que Doria e Covas não se importam com nossas vidas. São também responsáveis pela política desastrosa incapaz de controlar a pandemia. Se realmente estivessem preocupados com a educação dos alunos teriam garantido que tivessem tido acesso ao ensino remoto desde o ano passado, teriam garantido reformas e contratação de trabalhadores para suprir os insuficientes quadros de apoio, limpeza e professores das escolas para garantir o mínimo de condições para um eventual retorno presencial. Preocupam-se apenas com os interesses dos empresários e não são alternativa ao negacionismo de Bolsonaro.




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