Juventude

ASSEMBLEIAS USP

Assembleias estudantis da USP se posicionam contra o golpe e os ataques a educação

Nessa semana aconteceram diversas assembleias estudantis na Universidade de São Paulo. O centro dos temas discutidos foi a política nacional na qual teve peso o posicionamento dos estudantes contra o golpe da direita e os ataques dos governos a educação, assim como o desmonte da universidade, expresso, dentre vários exemplos, pelo recente fechamento do pronto socorro infantil do HU, a falta de vagas nas creches e o descaso da reitoria em relação aos casos de violência contra as mulheres dentro da moradia estudantil, que motivou a ocupação da Superintendência de Assistência Social (SAS) e o ataque ao direito de liberdade sindical com o mandado de reintegração de posse do SINTUSP.

Odete Cristina

estudante de ciências sociais na USP

sábado 30 de abril de 2016| Edição do dia

Logo no início da semana os estudantes da História e da Geografia realizaram assembleias de curso onde debateram o processo de desmonte e precarização da universidade e aprovaram incorporação a paralisação do dia 5 de maio, junto aos trabalhadores da universidade. Em ambos os cursos os estudantes se posicionaram contra o golpe da direita e os ataques dos governos a educação apontando a necessidade de construir uma forte greve na USP.

No curso de letras, onde o centro acadêmico é dirigido por militantes do Faísca e independentes, também realizou-se fortes assembleias no período da manhã e da noite que tiraram um posicionamento claro contra o golpe em curso pelos setores mais reacionários da direita do país, e contra os cortes dos governos. Aprovando a construção de um bloco independente de estudantes no ato do dia 1 de Maio para junto a centenas de trabalhadores lutar contra o golpe e os ajustes. Além da incorporação a paralisação na USP no dia 5, foi aprovado também um indicativo de greve a partir do dia 12 de maio, que se coloque na perspectiva de barrar o desmonte e a precarização da educação dentro e fora da USP. Na letras o congelamento da contratação de professores vem afetando diretamente a rotina do curso, salas super lotadas e disciplinas que não são ofertadas a anos, são só alguns dos problemas enfrentados pelos estudantes.

Na última quinta-feira a assembléia geral dos estudantes realizada na ocupação da SAS, teve por volta de 150 estudantes, número muito reduzido para a quantidade de alunos da universidade, mas que se deve a falta de construção nas bases dos cursos por parte da atual gestão do DCE (Juntos, Rua, PCB e Vamos a Luta), sendo que Juntos e Rua já são parte da gestão a anos e a assembléia foi deliberada a mais de um mês atrás. Após muita luta política com a direção do DCE, consolidou-se a posição contra o golpe e os ajustes dos governos e a necessidade de se construir uma forte luta para barrar o desmonte na universidade.

"Defendemos que é preciso unificar as diversas lutas em curso na universidade numa forte greve que se coloque na perspectiva de barrar o desmonte da USP, se unificando com os secundaristas que acabaram de ocupar o Centro Paula Souza e que derrotaram Alckmin ano passado, e com os estudantes da Unicamp e Unesp que estão se mobilizando contra os cortes e os ataques das suas reitorias, numa forte greve estadual por educação. Mas também fazendo um chamado aqueles que estão em luta pelo país, como o estudantes e professores do Rio e os educadores de Contagem para construirmos uma greve nacional da educação, contra o golpe e os ataques dos governos" declarou Flávia Toledo, militante da Faísca - Juventude Anticapitalista e Revolucionária.

Apesar dos diretores da atual gestão do DCE terem defendido contra o indicativo de greve, dizendo que a greve precisaria ser construída, como se tivessem esquecido que o papel da entidade é justamente construir a mobilização em todos os campi da USP. Foi aprovado o indicativo de greve a ser referendado em uma assembléia geral no dia 12 de maio, buscando se unificar com os trabalhadores que assim como a gente vem sendo atacados pela reitoria e já tinham deliberado em assembléia anterior esse indicativo. Tiramos um calendário de mobilização a começar pela paralisação do dia 5, mas com ato de mulheres contra o machismo da USP no dia 11 e outro por cotas raciais, em frente a reunião da Comissão de Graduação que pautara acesso.

Os estudantes mostraram que não aceitaram ser massa de manobra dessa direita reacionária, nem do PT colocando-se "Contra o golpe da direita e os ataques de todos os governos a educação: construir uma forte greve na USP", defendido pelos militantes do Faísca Juventude Anticapitalista e Revolucionária. Confirmando na assembléia geral o posicionamento aprovado em diversas assembleias de cursos, contra o "Fora Todos" defendido pelo PSTU e Território Livre, que na prática só se confirma como o Fora Dilma por meio do impeachment se colando a direita ou a posição defendida pelo PSOL e PCB que não se colocava claramente contra o golpe institucional em curso e buscava uma abstrata saída pela esquerda.

É fundamental construirmos uma forte paralisação no dia 5, que seja o pontapé inicial da mobilização que aprove greve na assembléia geral do dia 12. Uma forte greve dos três setores da universidade que seja um fator no momento político que estamos vivendo e possa barrar todos os ataques da reitoria, arrancando cotas, permanência e contra a violência as mulheres. Se unificando com os secundas e os estudantes das outras estaduais paulistas chamando nacionalmente uma greve geral da educação que seja um fator na luta contra o golpe da direita e os ajustes de todos os governos.




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