Internacional

DÍVIDA GREGA

As concessões de Tsipras depois do NÃO

O pedido de uma terceira chamada de emergência e cortes nas pensões, são algumas das concessões que Tsipras se dispõe a fazer para conseguir um acordo com a Troika.

sexta-feira 10 de julho de 2015| Edição do dia

Depois do referendo do domingo em que a posição do NÃO ganhou por uma ampla maioria, o destino da Grécia e seus credores adentra por um novo capítulo de inescrupulosas negociações, que não compactuam com esse resultado.

Ontem, o primeiro ministro grego, Alexis Tsipras deu um novo sinal de aproximação depois da renúncia do Ministro de Finanças, Varoufakis, como amostra de cortesia à Troika. Ao redor do meio dia apresentou, seguindo as expectativas dos líderes europeus, uma carta pedindo um terceiro chamado de resgate. Atenas já recebeu 240 milhões, dos quais já foram desembolsados em torno de 210 milhões nos dois anteriores. Agora, os sócios poderiam proporcionar 50 milhões adicionais, caso se consiga o acordo.

Depois dessa petição e sua posterior aceitação em Bruxelas, no dia de hoje Grécia deve apresentar os detalhes da proposta, que será avaliada por representantes da Troika, e posteriormente debatida no sábado em uma próxima reunião do Euro-grupo, com ministros de finanças da zona do euro. Mas será papel dos países da União Europeia, que decidirão no domingo se aceitam ou não a proposta grega.

Tsipras, pediu ontem ao Parlamento Europeu um acordo justo para manter a Grécia na zona do euro, e reconheceu a responsabilidade de seu país na atual crise. Palavras um tanto contraditórias, provenientes de um presidente que conta com um alto apoio do povo trabalhador grego e da juventude, que no domingo passado manifestaram decididamente sua insatisfação frente à chantagem da Troika.

As concessões da ala governante de Syriza

Desta forma, e deixando de lado a atitude de confronto de dias atrás o governo de Syriza caminha para realizar uma série de concessões mais duras. Se com o referendo pretendiam ganhar uma melhora na posição conciliadora frente a seus executores, isto não se sucedeu e está longe de se aproximar da realidade que vivem os gregos.

A outra perna desta disputa se relaciona com a crise de liquidez dos bancos, o “corralito” que se mantém até o domingo, e uma economia que beira à bancarrota. Desde o setor bancário, informaram que os colchões de liquidez das entidades rondam os 700 milhões euros.

A solicitação do terceiro resgate inclui aceitar a monitória da UE até meados de 2018; três anos, e não os dois que se pretendia. Outra concessão está relacionada com a rapidez que se deveram implementar as reformas, para mostrar que de agora em diante a Grécia cumprirá ao pé da letra as demandas da Troika. Neste caso, se fala de aprovar a reforma fiscal e de pensões em alguns dias, e não em Outubro como pretendia fazê-lo Tsipras.

Por último em relação a reestruturação da dívida, uma demanda do Syriza, devem renunciar a este ponto, que permanecerá fora do programa “resgate”. Com este panorama, seguramente com o passar dos dias concessões de Tsipras saltaram à luz com maiores detalhes.

Derrubar a Grécia, um erro geopolítico

E se faltava uma voz no assunto de interesse econômico mundial, era a da administração Obama. Ontem, o secretário do Tesouro EUA, Jack Lew, declarou que o afundamento da Grécia é um “erro geopolítico”, mais que um problema econômico.

Desde a casa branca, consideram necessário, como o FMI e o governo grego, que o acordo inclua uma reestruturação da dívida de 317 milhões de euros.
Lew destaca em suas declarações que nenhum cenário possível na Grécia é um risco a curto prazo para sua economia. Mas adverte que se não é um risco para a economia grega, é para a economia da UE, e poderiam se ver afetadas as exportações norte-americanas a esse mercado. Entretanto, a maior preocupação do governo Obama é em relação a influência geopolítica que poderia ganhar Rússia e China sobre a Grécia, se os líderes da UE seguem apertando o laço, este seria um grande evitável “erro geopolítico”.

No entanto, os gregos seguem afundados pelas condições de uma economia quase em bancarrota, que mantém a mais de 25% a população desocupada, com pensões baixíssimas que serão cortadas e uma pobreza em ascensão. Frente a esta situação é necessário apoiar-se nos milhões de gregos que já disseram NÃO à troika e aos planos de austeridade. NÃO ao pagamento da dívida. Por uma grande campanha de solidariedade internacional ativa com o povo trabalhador grego.




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