BOLSODÓRIA

Apresentador acusa TV Cultura de "censura velada" sob influência do governo João Dória

quinta-feira 1º de agosto| Edição do dia

A frente do programa Roda Viva, da TV Cultura, desde abril do ano passado, o jornalista Ricardo Lessa selecionou para sua entrevista de despedida do programa o general Santos Cruz, ex-ministro da Secretária de Governo do presidente Jair Bolsonaro. O apresentador acusa a direção da emissora de fazer “censura velada” ao afirmar que houve uma tentativa de barrar a entrevista:

“Como eu queria fazer meu programa de despedida com o general Santos Cruz, eles tentaram me convencer a não fazer, me ligaram e, depois que eu pedi respostas em escrito de por que eu não poderia fazer, eles decidiram que poderíamos gravar”. As informações são do Poder360.

O programa que é transmitido todas as 2ª feira às 22h teve uma alteração na edição de despedida do apresentador, transmitindo duas entrevistas, uma no horário padrão com o economista Bernard Appy e outra à meia noite com Santo Cruz.

“Minha impressão é de que, para não dizer que foi censurado, eles botaram a entrevista para meia noite”, afirmou o jornalista. Relatou também que ao anunciar Santos Cruz como seu convidado na última 2ª feira ouviu reclamações no ponto eletrônico dizendo que a entrevista não estava autorizada.

Lessa afirma que não é a primeira vez que a direção intervém na seleção dos entrevistados, que entrevistas com o ex-ministro Gustavo Bebianno, da Secretária-geral da Previdência, e com Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério de Economia, também foram barradas.

O jornalista aponta que a atuação da emissora está sob influência do governador de São Paulo, que depois de reprimir atos contra Bolsonaro, declarou nesta terça-feira (30) que nunca existiu um alinhamento com o governo Bolsonaro. Nas suas palavras, se trata de um "servilismo do governador [de São Paulo, João Doria] em relação ao Bolsonaro”.

O governo Doria estaria censurando o programa de expor declarações de figuras que, no caso de Santos Cruz e Bebianno, poderiam expressar algum revanchismo com o Jair Bolsonaro. Nessa semana, o presidente tem feito declarações abertamente reacionárias para defender os crimes durante a ditadura militar, que Dória diz serem "novidade" e tenta se descolar da imagem do presidente.

Nas últimas eleições Dória apoiou Bolsonaro e foi parte da chapa não oficial “BolsoDória”, além da sua atuação no Governo Do Estado de São Paulo ter sido um verdadeiro quartel general para a aprovação da reforma da previdência, fechando apoio com governadores, incluindo da oposição (PT e PCdoB) e reprimido as manifestações dos trabalhadores e da juventude contra a reforma e os ataques a educação feitos pelo governo Bolsonaro, que contou com demissões como no Metro de SP.

Lessa relata que “infelizmente, a TV Cultura não consegue ter independência em relação ao governo”. A emissora é mantida pela Fundação Padre Anchieta-Centro Paulista de Rádio e TV Educativas, custeada por dotações do Estado, doações e receita própria. Desse modo, o Governo de São Paulo tem influência sobre a emissora, mas segundo o Estatuto da Fundação, é negado a utilização desta para fins político-partidários.




Tópicos relacionados

Censura   /    Jair Bolsonaro   /    João Doria   /    São Paulo (capital)

Comentários

Comentar