Política

GOVERNO LIBERA AUXÍLIO APÓS MAIS DE UMA SEMANA

Após mais de uma semana, site para auxílio de R$ 600 é lançado pelo governo

Após mais de uma semana de espera, ferramentas digitais são disponibilizadas para que os beneficiários do auxílio de R$ 600,00 possam receber o pagamento nesta quinta-feira.

terça-feira 7 de abril| Edição do dia

Apesar do auxílio emergencial ter sido aprovado pelo Congresso e enviado à sanção do presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira passada (30), e ele ter assinado a lei, apenas hoje foi divulgado que quinta-feira será feito o pagamento do benefício. Enquanto isso, várias pessoas passam fome, sede e medo ao tentar sobreviver a crise do Coronavírus.

Os três grupos que se enquadram nesse direito são os beneficiários do Bolsa Família, autônomos e informais que estão no CadÚnico e também os que não estão no CadÚnico. Apenas duas pessoas da família poderão receber o auxílio e as mães que sustentam a família podem receber cota dupla do auxílio. O benefício está garantido por três meses, mesmo sendo evidente que os efeitos arrasadores da crise sobre a vida dos trabalhadores se estenderão muito mais, e com empresários articulando para a manutenção dos ataques aos nossos direitos.

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Enquanto isso, as crescentes desavenças entre Mandetta (Ministro da Saúde) e Bolsonaro vem se acumulando em torno de qual deve ser a política do governo federal para combater a propagação do Coronavírus, o que quase acabou em sua demissão, mas foi impedida pelos militares. Bolsonaro mantém sua linha negacionista do vírus pelo fim das medidas de quarentena, o que levaria a dezenas de milhares de mortes, e defende um inconsequente isolamento vertical, enquanto Mandetta está em maior sintonia com os governadores no campo oposto, defendendo o isolamento total.

Apesar das diferenças com Bolsonaro sobre a quarentena, Mandetta é um golpista favorável à PEC do Teto dos Gastos Públicos e à Reforma Trabalhista, que precarizou a saúde e o trabalho de milhões de brasileiros, que hoje são um agravante para o enfrentamento da crise do Coronavírus. Além disso, não defende nenhuma medida concreta para a garantia de testes massivos, nem para que a população que vive em condições de total precariedade nas favelas tenha acesso a centros de tratamento com qualidade, defendendo o isolamento em residências com alta concentração de pessoas e péssimas condições para fortalecer a imunidade.

Ambos os lados não apresentam uma solução para questões essenciais como a testagem massiva da população e a construção de leitos de UTI suficientes para enfrentar a crise. Sendo o próprio auxílio de R$ 600,00 completamente insuficiente para manter as famílias asseguradas com o pagamento de suas contas e alimentação.

Qual saída podemos defender?

Para garantir medidas mínimas para as famílias desalentadas, o governo deve garantir um auxílio mínimo de R$ 2.000,00, que é a média salarial do país, e que todos os trabalhadores que não são de serviços essenciais sejam liberados das suas funções com a garantia de remuneração integral, junto a proibição das demissões. Além disso é fundamental a isenção do pagamento de água, luz, internet e aluguéis, impedindo os despejos. Que hotéis, resorts e SPAs sejam confiscados para a criação de centros de tratamento adequados para todos os casos de contaminação que não necessitem de UTIs, e que sejam criados todos os leitos de UTI necessários.

Além disso, é necessário ter uma política de testes massivos para organizar uma quarentena racional, sabendo quais são as pessoas que estão infectadas e quais não estão, levando a uma visão científica de contágio e mortes pelo vírus. O que vai de encontro aos governadores e o Bolsonaro, junto com Mandetta e afins, que levam uma política consciente de subnotificação, para esconder suas incompetências das medidas de contenção da crise. Para garantir tudo isso, é necessário acabar com o pagamento da dívida pública e taxar as grandes fortunas.




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