Política

VIOLÊNCIA POLICIAL

Após denúncia e mobilização, policiais que mataram agricultor em Belém de São Francisco-PE depõem nesta sexta-feira

O assassinato brutal do agricultor José Sérvulo da silva, de 52 anos, no dia 26/02, por policiais militares, durante operação policial, segue sendo apurado.

sexta-feira 12 de março| Edição do dia

Imagem: Blog do Elvis

Diante da dor, que se soma ao medo de represálias, parentes de seu Zé de Selvo pedem justiça e aguardam o desenrolar do inquérito instaurado para apurar o fato ocorrido em Belém de São Francisco-PE.

Ao sair à procura de animais que se desgarraram do rebanho, o agricultor encontrou-se com policiais em busca de uma plantação de maconha na Zona rural de Belém de São Francisco. Horas depois, seu Zé foi encontrado morto, com um tiro pelas costas e despido, caso denunciado pelo ED na edição de 05/03.

Depois das denúncias e a partir da mobilização de familiares e amigos, o caso provocou a instauração de inquérito pela policia civil de Pernambuco, para apurar esse “homicídio decorrente de intervenção policial”. Tendo, segundo informações, os policiais acusados prestado depoimento nesta manhã, na cidade de Floresta- PE.

O assassinato desse trabalhador rural, que chocou moradores da região, é mais um caso emblemático da letalidade policial, no país que tem a força policial que mais mata no mundo, segundo a Anistia Internacional.

O medo, determinante tão presente na vida de todo trabalhador pobre e simples dos sertões, não oculta o desejo de que o crime que vitimou seu Zé de Selvo, como era conhecido, não se transforme em mais um processo engavetado, que entra na relação dos chamados “excludentes de ilicitude”. Afinal, os detalhes do caso mostram que, ao ter acrescentado aos relatórios da operação uma suposta perseguição com confronto, alem do surgimento de arma e amostra de droga para justificar a ação, o crime se configuraria como “auto de resistência”, uma espécie de retaguarda jurídica para policial que mata em serviço.

É impossível não associar essa lógica de combate, tida como demonstrativo de eficiência policial ao momento político que o Brasil se encontra. Afinal, foi de Bolsonaro, ainda em campanha presidencial, a declaração de que “policial que não mata, não é policial”. Foi também do então ministro da justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro, o “Pacote anticrime”, que visava salvaguardar policiais que matam em serviço, diante do qual reafirmou o presidente Bolsonaro que “ter alto de resistência é sinal que o policial trabalhou, cumpriu o seu dever”.

Todo esse estímulo do momento, somado ao próprio caráter social repressivo da policia leva à certeza de que a efetiva justiça, que colocará fim à violência policia contra as populações pobres, negras e trabalhadoras,nas periferias e rincões, só chegará por meio de uma ação contundente da sociedade e sua mobilização, além de um profundo questionamento dessa instituição.

Assim, que a mobilização diante do assassinato de seu Zé de Selvo ganhe força e que exija a punição imediata dos envolvidos.




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