RACISMO

Após declaração racista, Nubank lança pedido de desculpas que não convence

Após declaração racista da co-fundadora do Nubank, quando afirmou que não dava para "nivelar por baixo", sobre a contratação de pessoas negras, a empresa lança suas lágrimas de crocodilo com um pedido de desculpas que não convence.

Giovana P.

Coordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

segunda-feira 26 de outubro| Edição do dia

A carta foi assinada pelos três co-fundadores do Nubank, David Vélez, Edward Wible e a própria Cristina Junqueira, que foi quem deu a declaração racista em entrevista no programa Roda Viva.

“Não dá pra nivelar por baixo. Por isso a gente quer investir em formação. Não adianta colocar alguém pra dentro que depois não vai ter condições de trabalhar com as equipes que a gente tem. Depois não vai ser bem avaliado. A gente não está resolvendo um problema, está criando outro, né?”, afirmou Cristina.

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Na carta publicada neste domingo (25), eles começam afirmando que o Nubank errou e que o maior desejo deles era “ter uma cultura com valores muito sólidos” desde a fundação do banco virtual, se referindo a diversidade como um dos valores mais admirado por eles. Contudo, o principal valor de um banco, seja um banco novo como a Nubank ou os mais tradicionais, é fundamentalmente contradizente com a luta pela diversidade, a luta das mulheres, dos LGBTs e dos negros. Isso porque o principal objetivo de um banco é o lucro, seu sentido de existência é endividar e tornar ainda mais dependente a parcela pobre da população, onde estão principalmente as mulheres, os negros e os LGBTs.

Os fundadores da Nubank afirmam em nota também que “a diversidade étnico-racial é um desafio muito maior e mais complexo” do que eles imaginavam. Sem dúvidas a diversidade étnico-racial é muito complexa para alguém como Cristina Junqueira, que sugere a falta de capacidade das pessoas negras em dirigir altos cargos. Mas o que eles ainda não falam na carta e é imprescindível ressaltar, é que o desafio da luta antirracista não poderá ser levado a frente pela Nubank, assim como nenhum dos agentes do sistema financeiro, simplesmente porque estes são parte de manter vivo um sistema que se alimenta da exploração, do racismo, do machismo, da lgbtfobia e todo tipo de opressão.

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A Nubank afirma descaradamente que espera que “bancos, fintechs e demais agentes do sistema financeiro entrem nesse movimento para ajudar a mudar a realidade à nossa volta”, quando a verdade é que todos os bancos e os agentes do sistema financeiro são parte de fazer a manutenção do sistema capitalista. Não há o que pode ser alterado à nossa volta por aqueles que lucram em cima do endividamento, do desemprego e da miséria dos trabalhadores e da população. Não é favorável aos banqueiros lutar contra a opressão e a exploração que os permitem nadar em dinheiro. Ou você está de um lado ou de outro.

Veja vídeo de Letícia Parks, fundadora do Quilombo Vermelho e candidata a vereadora em São Paulo pela candidatura coletiva da Bancada Revolucionária de Trabalhadores, sobre a defesa de uma luta antirracista e anticapitalista:




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