Política

NEGACIONISMO

Após 270 mil mortes, "e daí?", "mimimi e frescura", Bolsonaro diz que não é negacionista

Cinicamente, Bolsonaro disse a apoiadores hoje (10), na frente do Palácio da Alvorada, que nunca foi negacionista e que não é contra a vacina.

quarta-feira 10 de março| Edição do dia

Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (10) que comprou a vacina em agosto do ano passado, quando assinou a MP que abriu crédito para 100 milhões de doses da AstraZeneca. Por isso, disse que não é negacionista e nem contra as vacinas. Ano passado, Bolsonaro era crítico das vacinas em todos os discursos e ocasiões que falava sobre adquirir imunizantes.

"O pessoal fala que eu sou negacionista. Em agosto do ano passado, eu comprei a vacina." A vacina da AstraZeneca é produzida em parceria com a Universidade de Oxford e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em 19 de outubro, o Ministério da Saúde negociou a aquisição de 46 milhões da CoronaVac. No entanto, em 21 de outubro, depois das duas compras, Bolsonaro disse que "toda e qualquer vacina está descartada". Ele disse que "tem que ter uma validade da Saúde e uma certificação por parte da Anvisa também". Ou seja, só poderiam haver compras se houvesse a liberação da agência. No mesmo dia 21 de outubro, o presidente desautorizou a compra da CoronaVac, chamando-a de vacina "chinesa".

Bolsonaro falou também que, em dezembro, liberou R$ 20 bilhões para compra de várias vacinas. "Em dezembro, reservei R$ 20 bilhões para vacina. Agora, o mundo não tem vacina.” À época, ao anunciar a medida, Bolsonaro afirmou que as pessoas teriam que assinar um documento para tomar os imunizantes. "E detalhe, vocês vão ter que assinar um termo de responsabilidade, porque a Pfizer, por exemplo, é bem clara no contrato: ’Nós não nos responsabilizamos por efeitos colaterais’". Também alegou que alguém poderia virar um "jacaré" com o imunizante.

Já a vacina da Pfizer foi uma queda de braço. O laboratório ofereceu 70 milhões de doses ao governo em julho de 2020, com 500 mil a serem entregue em dezembro do ano passado. Mas Bolsonaro rejeitou a proposta alegando a responsabilidade por possíveis efeitos colaterais, embora tenha aceito as mesmas condições da AstraZeneca antes. Apenas em 3 de março, o governo decidiu comprar o produto da Pfizer e também do laboratório Janssen — alegando que, somente a partir de então, um projeto de lei protegeria gestores na negociação.

Em 2021, o Ministério da Saúde vem tentando correr atrás de acordos para compra das vacinas. Além de Pfizer e Janssen, acertou com a Moderna e com a Covaxin. Também negocia com a União Química, que produz a Sputink V no Brasil. Porém, a previsão de chegada dos imunizantes é lenta e depende da capacidade de fabricação dos laboratórios e da procura capitalista de outros países.

Não é somente nas aquisições atrasadas das vacinas que Bolsonaro mostrou seu negacionismo. Quando cortou benefícios fiscais em 70% e atingiu pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de uma vacina nacional. Em dezembro do ano passado também comentou que estávamos dofinalzinho da pandemia, quando o país registrava um aumento diário no número de casos e mortes. Ou até mesmo na semana passada quando chamou pessoas de “idiotas” que queriam saber de vacinas “para comprar na casa da tua mãe”.

Bolsonaro alinha seu discurso agora justamente no momento mais crítico da pandemia, onde o país ultrapassa barreira de 2000 mortes diárias, sem auxílio emergencial desde janeiro, sem testes massivos, com o ritmo de vacinação muito lento e também pressionado pela entrada de Lula na cena política do país depois da decisão do ministro do STF Edson Fachin.




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