JUSTIÇA POR JOÃO ALBERTO

Alta de 73% nos lucros do Carrefour se dá em cima da fome, sangue e trabalho negro

A rede Carrefour busca lavar a sua cara racista após seus seguranças terem cruelmente assassinato Nego Beto, tomando uma série de ações demagógicas para tentar calar o grito anti-racista contra a empresa. A verdade é que não só ela mata negros no seus estacionamentos, como ganha em cima do aumento do preço dos alimentos, da retirada de direitos trabalhistas, que quem mais paga são justamente os negros e negras trabalhadores.

quinta-feira 26 de novembro de 2020| Edição do dia

Foto: Guilherme Bittar/AFP

No sétimo dia da morte de Nego Beto, a rede de hipermercados Carrefour faz demagogia anunciando em comunicado veiculado ontem, quarta (25), que as lojas não abririam hoje pela manhã e que a unidade em que João Alberto Freitas foi espancado e assassinado por um segurança e um policial ficaria fechada durante todo o dia.

Nesse comunicado, o Carrefour também disse que o faturamento dos próximos dois dias, quinta e sexta, será somado ao resultado das vendas de 20 de Novembro e fará parte do irrisório fundo que intitula Fundo de Combate ao Racismo e Promoção da Diversidade. A arrecadação de R$25 milhões desse fundo escancara a demagogia da rede de hipermercados, porque, enquanto isso, a empresa distribui R$482 milhões a acionistas.

Confira: Depois do assassinato de João Alberto, Carrefour faz demagogia para silenciar gritos antirracistas

A hipocrisia do Carrefour se demonstra pelo histórico de atrocidades desumanas que aconteceram em seus mercados, pela discrepância do fundo de suposto combate ao racismo e também pela sua sede de lucros.

No terceiro trimestre de 2020, alcançou lucros históricos, mesmo com aumento dos preços e pandemia, com as vendas do grupo no Brasil atingindo R$18,7 bilhões, um crescimento de 29,9% (26% no critério que exclui do cálculo unidades inauguradas em 2020, em relação ao mesmo período de 2019). Tiveram crescimento de 73,1% no lucro líquido, na comparação com o terceiro trimestre do ano anterior, registrando R$ 757 milhões.

No comunicado, o Carrefour diz reforçar a “conscientização antirracista e tolerância zero a qualquer discriminação”, no intuito de querer encobrir sua sede de lucro com uma máscara antirracista fora da realidade. O histórico do Carrefour é garantia de seus lucros em detrimento de vidas negras e trabalhadoras, como as de João Alberto, de Moisés Santos, trabalhador de 53 anos do Recife (PE), que sofreu um ataque cardíaco, foi a óbito, e o mercado escandalosamente deixou seu corpo em meio à loja. Quem paga os lucros do Carrefour são trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, de maioria negra, com o aumento dos preços dos alimentos, que amarga o desemprego, privatização, ataques contra a saúde e a educação e a todos os serviços públicos, enquanto Bolsonaro diz: “Pergunta para o vírus”, ao ser questionado sobre a prorrogação do insuficiente auxílio emergencial.

No início da pandemia, Abílio Diniz, presidente da rede no Brasil e França, se preocupava com a crise que podia instaurar em seus lucros, e dizia que a economia no país não podia parar por conta da covid-19, mantendo muitos dos trabalhadores em exercício sem EPI.

Veja também: Dono do Carrefour defende seus lucros acima da saúde dos trabalhadores

A luta por justiça por João Alberto, num país em que a juventude negra vive espremida entre as balas da polícia, a violência racista e o desemprego, só acontecerá de fato confiando em nossas próprias forças, contra esse sistema de exploração e opressão que é o capitalismo.

A demagogia do Carrefour serve para silenciar a fúria demonstrada nas ruas no dia 20, assim como na inspiração da força da luta negra dos EUA. Somente as forças dos trabalhadores, dos negros, mulheres e LGBTs para enfrentar Bolsonaro, Mourão, e todos os golpistas, que querem um Brasil onde sejam os trabalhadores, negros e mulheres que paguem as contas da crise, poderá impor que nenhuma vida valha menos do que o lucro dos capitalistas. Justiça por João Alberto e todas as vidas negras perdidas nas mãos da polícia e dos racistas!




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