Educação

CATEGORIA O E EVENTUAIS EM SP

Algumas subsedes da Apeoesp se negam a ajudar parte de professores sem salário em SP

Enquanto profas. e profs. da rede estadual de SP seguem, há 4 meses, sem salário e auxílio emergencial para se sustentarem durante a pandemia, professores denunciam que algumas subsedes da APEOESP decidem colocar condições para os professores terem acesso às cestas básicas

sexta-feira 24 de julho| Edição do dia

Foto: Facebook

Há alguns dias, denunciamos o absurdo total que é o fato de que 35 mil professores da rede estadual hoje passam fome, vendem seus pertences e sofrem despejos de suas casas por não estarem recebendo um único centavo de salário por não terem aulas fixas durante a pandemia – responsabilidade de Doria e Rossieli. Enquanto o governo estadual usa do fato de estes professores não serem concursados, o governo federal - de Bolsonaro, Mourão e os militares -, por sua vez, alega que os seus contratos seriam a prova de que são funcionários público. Assim, não recebem nem salário de Doria e nem auxílio emergencial do Governo. Diante disso, a Apeoesp, corretamente, organizou um auxílio a esses professores, no entanto, algumas subsedes estão condicionando esse auxílio à filiação sindical.

Enquanto estas professoras e professores eventuais seguem sem salário há 4 meses, a burocracia instalada na diretoria da APEOESP - sindicato dos professores estaduais de São Paulo - que é majoritariamente representa pela CUT (PT), continua sem dar uma resposta de fundo ao absurdo que os professores são submetidos, não organizando o conjunto da categoria para responder aos problemas dos professores.

Veja aqui: Professores de SP relatam a situação que estão há 4 meses sem salários.

Na subsede Carapicuíba, da Grande São Paulo, dirigido pela chapa 1 (setor majoritário ligado ao PT e a CUT) recebemos a denúncia do professor de geografia Claudio, que entrou em contato com a subsede e teve o seu pedido de acesso à cesta básico negado, por não ser sindicalizado. Além dele inúmeras mensagens foram enviados ao ED, relatando problemas parecidos.


Print de conversa em que professora recebeu sobre as condições para poder receber uma cesta básica, na subsede de Sorocaba onde está um setor da diretoria, nesse caso da oposição.

Nós como militantes também do sindicato e como professores do chão da escola nos colocamos contra essa decisão tomada por setores da direção do nosso sindicato nas subsedes, uma vez que ele deve existir para atuar em prol das vidas e do trabalho de todas e todos os professores do Estado de São Paulo, e não como uma instância que divide a nossa categoria entre efetivos e contratados, sindicalizados e não sindicalizados.

Todos nós, professores da rede estadual, sabemos que somos divididos em categorias como fruto de uma política de desmonte da educação e para enfraquecer a nossa luta, o que muitas vezes não nos permite enxergar que somos 250 mil professores ao todo no Estado – a maior categoria do país.

A maioria da direção do nosso sindicato tem uma responsabilidade maior, inclusive dirige a maioria das subsedes, e deveria unificar a luta contra os ataques dos patrões e dos governos, combater efetivamente essa divisão da categoria (e a ausência de direitos que advém dela). Ao mesmo tempo, a decisão de algumas subsedes de condicionar o auxílio à filiação sindical contribui para seguir nos dividindo: agora entre quem pode pegar uma cesta – uma vez que 35 mil professores podem estar passando fome – e quem não pode ter esse auxílio; entre quem é sindicalizado e quem não é.


Print de conversa em que confirmam as regras para o recebimento das cestas básicas, na subsede de Sorocaba.

Um sindicato, para representar a luta dos trabalhadores, necessita de recursos financeiros para viabilizar uma política de unificação da base pelos direitos da categoria, por isso não nos colocamos contra a sindicalização e nem contra a contribuição financeira dos professores. No entanto, fazer dessa sindicalização uma “obrigação” para aqueles que precisam comer é inaceitável. A sindicalização da categoria deve ser uma escolha dos professores a partir da atuação do seu sindicato, em que este deve realmente nos representa e nos organiza para transformar essa realidade, tanto para nós como para toda a juventude e a classe trabalhadora que vem sendo atacada pelos governos – que atuam para garantir os lucros dos empresários.

Nossa luta é a mesma e não podemos permitir que professores tenham direitos diferentes do que os outros, que 14% dos professores sigam sem receber nada durante essa crise sanitária. O governo segue com a demagogia de vitória do EaD implementado pelo governador João Doria e o secretário Rossieli Soares, enquanto exclui 35 mil professores e 60% dos alunos da rede e superexplora os professores que estão trabalhando: não podemos permitir nada disso.


Print de conversa em que prof. se indigna com o descaso da chapa 1 - chapa da presidenta da APEOESP e deputada estadual (PT), Bebel - que hoje é majoritária na direção do sindicato, ou seja, que está a frente dessa passividade atual no nosso sindicato.

Acreditamos que é preciso que todos enxerguem o sindicato como uma ferramenta da nossa organização e por esse motivo se sindicalizar, e assim podermos lutar pela sua desburocratização e pela retomada de seu controle às mãos dos professores. E isso deveria poder ocorrer imediatamente, através da isenção da taxa de contribuição para os professores que estão sofrendo este ataque brutal do governo. Essa saída que o governo dá para a categoria – de morrer de Covid ou morrer sem salário – deve ser enfrentada pelo sindicato e o conjunto da categoria com uma política de independência de classe, na qual devemos dar uma saída para essa crise nos organizando e exigindo que todos os professores categoria O e eventuais não recebam menos que o equivalente a uma jornada básica de 24 aulas durante a pandemia, e que sejam desde já efetivados sem a necessidade de concurso público, já que todos nós exercemos o mesmo trabalho como professoras e professores.

Ainda, é preciso nos organizarmos para debater sobre o retorno às aulas, que não deve ser decidido pelo governo, mas sim ser construído a partir de uma decisão entre todos os trabalhadores da educação, da saúde – que são aqueles em quem realmente podemos confiar – junto às terceirizadas e terceirizados que fazem parte das nossas escolas, nossos alunos e seus responsáveis.

Nota atualizada às 19:50, do dia 25-07: Conforme apuramos, essas medidas de restrição ao acesso da cestas básicas estão sendo adotadas por algumas subsedes. Adicionamos essas informações para que o leitor saiba de quais subsedes se trata.




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