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Agarremos a história: Um chamado a nos apropriarmos da Semana de Arte Moderna frente ao seu centenário

Pedro Pequini

Agarremos a história: Um chamado a nos apropriarmos da Semana de Arte Moderna frente ao seu centenário

Pedro Pequini

Ano que vem, completam-se 100 anos da Semana de Arte Moderna, evento que abalou as mais diversas estruturas sociais de sua época. Enquanto uma juventude subversiva, que quer analisar a história desde uma óptica marxista, fazemos um chamado a todos para que se somem a nós em um Grupo de Estudos “Esquenta de Debates sobre a Semana de 22".

1ª Guerra Mundial, industrialização galopante, imigração massiva, vanguardas artísticas, consolidação do imperialismo, formação do nascente proletariado nacional, Revolução Russa: eram esses os tons que pintavam o quadro que deu base para um dos eventos mais destruidores do então recente Brasil republicano. A Semana de Arte Moderna, cujo aniversário de 100 anos no ano que vem promete uma série de atividades e exposições, voltará às ruas após dois anos de Pandemia, onde vivemos um profundo represamento das energias artísticas, afetivas e sexuais (potências de vida). Logo, entrar em contato com uma Arte que defendia o direito à experimentação estética permanente, ao rompimento com o tradicional e, fundamentalmente, à Liberdade, em um momento de retomada dos espaços coletivos e de convivência pós pandemia, poderá gerar fortes frutos.

As universidades e os centros artísticos estarão atravessados em 2022 por dois grandes centenários: o da proclamação da Independência do Brasil, e o da Semana de Arte Moderna. Assistiremos inúmeros setores apresentando a sua leitura destes episódios tão centrais para a nossa história, cujo impacto do segundo chega a se estender às vanguardas artísticas de toda a América Latina, chegando até às ex-colônias lusófonas da África.

O Modernismo enquanto movimento transcende o debate estético e invade a sociologia e a política. Em sua totalidade, foi uma tentativa de compreender e modelar um Brasil encarando, em diversos momentos, as contradições sociais estruturais, como o racismo, desde uma visão ultra-positiva. Daí nascem e germinam, por exemplo, a tese da Democracia Racial de Gilberto Freyre e os versos da Paulicéia Desvairada de Mário de Andrade.

Todavia, como tal movimento não é homogêneo, é preciso entendê-lo em suas diferentes fases, períodos e profundidades. Destrinchar esse período, portanto, não será uma tarefa fácil e para melhor encará-la, idealizamos esse Grupo de Estudos como um espaço de construção coletiva onde todos devem se sentir mais do que à vontade para contribuir, sendo sujeitos em todas as etapas do processo.

Propomos, inicialmente, dividir em três encontros, partindo dos antecedentes da Semana, a fim de compreender tanto como, mas também porque, fez-se necessário a construção de uma Semana de Arte Moderna. Aqui, buscaremos medir os impactos da consolidação da fase imperialista (um momento caracterizado por Lênin como de crises, guerras e revoluções), dos efeitos da 1ª Guerra Mundial e da Revolução Russa na subjetividade dos brasileiros, do desenvolvimento desigual e combinado em um país da periferia do capitalismo como o Brasil, da formação de uma frágil burguesia nacional industrial e os atritos decorrentes com a antiga aristocracia tradicional cafeeira e os impactos de um passado escravista, cujas marcas permanecem até hoje.

Já no segundo encontro, adentraremos propriamente nas Artes produzidas e analisadas durante a Semana, com um foco especial para o projeto de país ali contido e a posição do negro nas obras. Justamente pelo papel central que a escravidão e o racismo cumpriram e ainda cumprem para a dinâmica de exploração e, consequentemente, de construção do capitalismo no Brasil, analisaremos como os modernistas lidaram com isso, problematizando o inicial embelezamento desta opressão e vendo como isso se modifica através do tempo.

Por fim, chegaremos até um momento posterior à Semana, adentrando na problemática da liberdade da arte, na política do PCB no período que vai de ‘30 até ‘45 e em figuras como Patrícia Galvão (Pagu) e Mário Pedrosa. A 2ª Geração Modernista teve de lidar com a política traidora do stalinismo, que nesse momento já estruturava-se enquanto uma burocracia encastelada na URSS, cuja linha estética era a do realismo socialista. Além disso, entra em cena também o Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente, escrito pelo revolucionário russo Leon Trotsky e o poeta surrealista francês André Breton, que irá se contrapor frontalmente às rédeas na arte.

Na posição de jovens marxistas e estudantes do curso de Letras da Universidade de São Paulo, nas vésperas dos 100 anos da S.A.M., precisamos nos colocar o desafio de mergulhar nas entranhas de tal movimento, arrancando sua lógica de funcionamento, encarando de frente suas contradições, nos apoiando em seus acertos e não se furtando de apontar os erros. Desta forma, fazemos um chamado a cada jovem que quer olhar pra realidade com os olhos abertos e anseia por aprender com o passado para poder balizar sua prática no presente!

Tal iniciativa parte de jovens, estudantes de Letras da USP, militantes da Juventude Faísca, colaboradores do Esquerda Diário e será impulsionada pelo Grupo de Estudos de Cultura e Marxismo. Se você quiser participar, só entrar em contato através deste número: (11)99707-4702

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